...que chovesse desalmadamente.
Uma chuva torrencial, constante, daquela que torna baças as luzes, que faz parar os carros e deixa as ruas desertas. Daquela que faz do alcatrão uma superfície negra com reflexos de espelhos.
Que caísse primeiro num sussurro e que fosse crescendo, crescendo, até se transformar num rugido. E que a terra, aliviada da seca, soltasse um longo ahhhhhhhhh..., audível só àqueles que, como eu, soubessem apreciar a chuva.
E que houvesse relâmpagos luminosos e, 4 segundos depois, a trovoada... uma trovoada que fizesse vibrar paredes e calasse o chinfrim dos pássaros que gritam lá fora, nas árvores. Uma trovoada daquela que faz toda a gente encolher-se e que me leva, a mim, para a janela...
Trovoada daquela que faz a minha avó dizer:
Santa Bárbara se levantou,
Seus sapatinhos calçou,
Ao caminho se botou
E encontrou um menino que lhe perguntou:
Onde vais, Bárbara?
"Vou espalhar a trovoada,
Lá para a Serra do Marão,
Que não dá palha nem grão,
E onde não há meninos a chorar,
Nem viúvas a rezar..."
Não me lembro do fim... nem sequer sei se as palavras são mesmo estas... Tenho que pedir à minha avó que mas dite...






...ter mais dias como o de hoje. Não fiz questão de ficar em casa. Não fiz questão de limpar tudo... Não me enfureci com o calor. Não me lamentei pelo cansaço. Diverti-me e soube infinitamente bem... a conversa, o ginásio, a piscina, o descanso agora...



