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01/07/2012

A Lua estava em Quarto Crescente

imagem retirada da internet


Toda a gente sabe que a Lua é mentirosa... Ensinam-nos, desde pequeninos, que ela nos engana. Quando tem a forma de um D, de Diminuir, está a crescer. E quando tem a forma de um C, de Crescer, está a diminuir.
E nós rotulamo-la de mentirosa, como fazemos com tanta facilidade com todas as coisas que contrariam as nossas conveniências. Mas, afinal, fomos nós que demos nome às suas diferentes fases. E chamamos-lhe mentirosa apenas porque não tivemos a sabedoria ou a capacidade ou a lembrança de lhes dar um nome de acordo com as suas características. Em vez de Crescente, podíamos chamar-lhe Desenvolvimento, Dilatação, Duplicação, Desdobramento ou Deflagração (gosto deste). À fase da diminuição, quando ela toma a forma de um C, poderíamos chamar Condensação, Contenção, Compressão... É certo que a forma que está em uso é muito mais fácil e prática, mas será que isso compensa o facto de se chamar alguém de mentirosa pelos séculos dos séculos??!

17/06/2012

A minha noite perfeita

Ao sair de casa, uma estrela cadente é sinal bastante auspicioso. A maior, melhor de sempre.
Respondemos ao chamamento sedutor de um cartaz a anunciar "Tarot", como se o futuro pudesse ser desfeito ali, entre véus sujos, num baralho gasto. Deixamo-nos convencer da ilusão e esquecemos que o dia-a-dia, o escolha-a-escolha é que nos faz.
Esquecemos que, momentos antes, alguém  desviou um contentor para podermos estacionar o carro. ...mesmo que antes disso o carro tivesse já marrado violentamente num pino de ferro. O Tarot que tente adivinhar isso, que tente saber de onde vêm os actos de generosidade gratuita e de encantamento.
Que importa quanto tempo esperámos? Que importa a espera, se o prémio chegou, por fim? Então, que durante a espera se jogue palavras-cruzadas ou se conte estrelas, mas que se espere com serenidade.
Hão-de vir os três irmãos encantadores, o bonito com o sorriso, o santo com a sua bênção, o misterioso com um licor adocicado.
Nestes momentos, esquecemos a previsão negativa de uma mulher agoirenta e infeliz, e deixamos de acreditar no passado conspurcado que nos corrompe, ainda. Entre um copo de plástico cheio até à borda de "Txiripiti" caseiro e um cocktail luxuoso com sabor a manga e um pau de canela flutuante.
Ao vir para casa vamos passar por um senhor vestido de escuro que, encolhido num canto da rua, come de um saco de plástico. Aí, só aí, vamos dar valor à perfeição em que vivemos.

Para a Fábrica de Letras, este mês com o tema PERFEIÇÃO

14/04/2012

O Pedro

O Pedro é um sonho.
É um sonho de pele morena e pestanas longas e curvas. O cabelo é preto e farto. As sobrancelhas também.
É um achado, um ponto brilhante no meio daquela juventude destravada e irreverente.
O Pedro tem uma educação irrepreensível, uma graça admirável e uma voz sonante, grave, deliciosa.
Tem piadas sãs e um sorriso límpido...
Hum... o Pedro ajudou a minha tarde a ser bem passada. E nem imagina... =)

08/02/2012

"Criatura nobre", eu

Nada temos a fazer neste mundo senão nos resignarmos. Mas as criaturas nobres sabem dar à resignação o lindo nome de contentamento. Anatole France

Não sou a favor da resignação. Não me interpretem mal. Sou a favor da assertividade. Do ser consciencioso. Do ter noção. Do não ser lamuriento. Do entender o nosso lugar no mundo e neste tempo. Da maturidade que isso demonstra. De não ser infantil a ponto de querer tudo hoje. O amanhã existe (quase sempre). De não ser infantil a ponto de querer tudo instantaneamente. As coisas de valor, que nos realizam, são um investimento a longo prazo (quase sempre). Sou a favor de fazermos "as pazes" com o que o dia-a-dia nos dá e fazer disso uma construção equilibrada, onde o nosso querer e a nossa capacidade de sonhar tornam as coisas mais belas. Não sou a favor do desprezo pelo que é quotidiano e vulgar. Não sou a favor de birras. Não sou a favor da infelicidade de estimação. Tenho dentro de mim um lugar negro e triste, mas tento que o outro lado, o feliz e luminoso, o hedonista, que tira prazer de todas as pequenas coisas, o ofusque e silencie. Não dou tempo de antena à frustração. Se as pantufas me chamam, deixo-me levar pelo seu canto sedutor. Se me parecem enfadonhas, atiro-as para o fundo do armário e calço botins. É o "apetece-me". O "tenho ganas de". Mas cuido para que o "apetece-me" seja tangível e mais ou menos imediato. Vale infinitamente mais uma vida preenchida por pequenos degraus que se sobem, um a um, do que ter um patamar gigantesco no horizonte e não encontrar ou recusar, por serem pequenos, os degraus que levam até ele.

21/01/2012

A Saga Continua: O Verme Estrebucha

...foi queixar-se ao meu chefe. Dá pra acreditar em tamanho despropósito??

17/01/2012

Como esmagar um Verme em três passos

Tratamento especialmente indicado para Vermes que são conhecidos no burgo por serem uns morcões tarados, mal-encarados, reles e inúteis, que por acaso trabalharam no mesmo edifício que nós e que ultimamente se lembraram de deixar bilhetes remelosos no nosso carro a dizer que quando nos vêem sentem batimentos cardíacos.

Passo 1
Abancar no café nas proximidades do sítio onde o carro está estacionado, para poder ver se alguém se aproxima dele. Café esse que fica ao lado do café onde o miserável já foi avistado.

Passo 2
Assim que o estupor aparece, encolher, para não dar nas vistas, olhar casualmente na direcção oposta.

Passo 3
Quando o fulano está confortavelmente sentado na esplanada (virado para o carro em questão, ainda por cima, o atrevido), ir até ele, fulminá-lo com o olhar enquanto lhe são despejadas poucas mas boas.

Nota: para um efeito ainda mais devastador, rematar com um "Arranje qualquer coisa útil para fazer da sua vida miserável. Está avisado. Agora pense."

18/12/2011

O Idalécio


Responde pelo extraordinário nome de Idalécio, embora eu pertencesse ao círculo restrito autorizado a chamar-lhe "Lecinho".
Curso de cozinha recém terminado e foi trabalhar lá para a Quinta, preparar aos pratos XPTO para os turistas mais exigentes.
As senhoras da cozinha, antigas (na casa e na idade) escandalizavam-se comos modos descontraídos dele,de cozinhar ao som de Linkin Park, de perder tempos com decorações e temperos, enquanto elas tinham que descascar 20Kg de batatas.
O Lecinho ensinou-me o que era fazer uma redução. Fê-lo com vinho do Porto branco e deixou-me tirar um bocadinho com o dedo, para provar. E isso virou hábito. Nas horas mortas, eu sentava-me sobre a bancada e via-o, de jaleca impecável, a reduzir vinho, a afiar as facas, a preparar molhos e ervas e especiarias, a entornar caramelo ou chocolate temperado na mesa de mármore para os trabalhar e fazer decorações para os seus pratos doces e ingénuos, mas ambiciosos e cheios de promessas, como os seus sonhos.
Gostava de ficar ali a observá-lo, sempre à espera que me presenteasse com mais um sabor, uma textura, uma experiência, uma intimidade.
"Come antes uma peça de fruta", era a resposta típica dele para qualquer questão melindrosa. Há dois anos mudei de trabalho. Há dois dias voltei a vê-lo. Não me lembrava que ele era tão alto. Tem o cabelo mais comprido, fica-lhe bem. E, quando me despedia: "Vou fazer um bocadinho de tempo, ir ali à livraria, até serem horas de ir buscar a minha irmã à escola", ele sai-se deliciosamente com essa: "Come antes uma peça de fruta". Adorei rever o Lecinho...
Adorava dizer-lhe que agora faço Zabaione...

27/11/2011

Why, Lord? Whyyyyyyyy??!

Gosto das coisas simples. Gosto da beleza harmoniosa e clássica. Gosto do sofá, como gosto da cadeira da esplanada ou do muro do cais. Gosto de cores vivas. Gosto de cães porque são o derradeiro símbolo da lealdade. Gosto de felinos porque são competentes e independentes. Gosto de ver relâmpagos e ouvir a trovada rasgar o ar 3 segundos depois. Gosto do sol que acaricia, sem cegar. Gosto de sobremesas frescas, com muitas natas e chocolate. Gosto de comer gelados no Inverno. Gosto de pôr música quando estou em casa sozinha. Gosto de trabalhar. Gosto de jogar farmville no trabalho. Gosto de deixar as pantufas pousadas ao lado da cama, direitinhas, de modo que, quando me levanto, os pés caiam direitinhos em cima delas. Gosto de não ter de procurar as minhas coisas. Gosto de saber que sei sempre onde elas estão. Gosto de conversas longas. Gosto de quem sabe ficar em silêncio. Gosto de encontrar o que outros perderam...e devolver-lhes, claro. Gosto de me mimar. Gosto de tomar o meu café sempre acompanhado de uma nata. Já gosto que me toquem no cabelo. Gosto de demorar dois minutos a mais no duche, com a água a correr quente, a ponto de queimar. Gosto de me matar no ginásio. Gosto de dizer a quem está a fazer exercícios ao meu lado: "se não estiver a doer, é porque não estás a fazer bem". Gosto de comidas gordurosas, desde os rojões, à carbonara. Gosto de limpar o pó. Recentemente até descobri que gosto de passar a ferro...Gosto de tantas coisas... por que raio há pessoasa teimar em fazer disparates que não lembram a ninguém só para me aborrecer?! Chiça...

11/11/2011

Zénite



Neste momento, neste preciso e saboroso momento, eu sou a pessoa mais forte, confiante e tranquila à face da terra. Apenas neste momento. Mas mesmo sendo este um estado tão frágil e passageiro, é impagável a sensação de plenitude que trago comigo. Porque me vi angustiada e exausta com pessoas e situações e, incapaz de tolerar mais fosse o que fosse, murmurei um "chega!", finquei pé, fiz cara feia e, pedindo desculpas e tremendo por todos os lados, estava até disposta a partir a louça toda, se fosse preciso. Mas não foi. Reconheci, lá pelo meio deste turbilhão que me sacudiu os nervos e fez tremer as mãos e a voz, que tenho uma incompatibilidade crónica com quase toda a gente que de alguma forma aprecio ou admiro. Reparei que quanto mais gosto de alguém mais tendência tenho para discutir e me enervar... Aliás, atrevo-e a dizer que praticamente só discuto com quem gosto. É que só com essas pessoas é que vale a pena. Pessoas indiferentes não merecem a minha revolta, a minha vontade de as repreender e corrigir, para melhor se adaptarem a mim e às minhas exigências desvairadas e incoerentes. Por fim, aprendi a sensação de cortar amarras, cortar com o velho, o gasto. Mesmo que seja a única coisa que nos é familiar e segura. Eu estava a precisar, mais do que nunca. Cortei amarras e fiz-me ao largo. Não sei bem se encontrarei outra praia ou se a corrente me vai arrastar de novo, indefesa, para o ponto de onde vim. O futuro dirá. E, neste momento, só neste preciso e saboroso momento, olho para ele sem medo.

24/10/2011

Briseis à Chuva



...de camisola verde.

Como se não importasse o tempo ou o frio. Demorei os passos e deixei que a primeira chuva me apanhasse. Como sinal de boas-vindas. O ar encheu-se imediatamente daquele cheiro que todos conhecemos como "cheiro a chuva", embora os cépticos teimem "mas a chuva não tem cheiro!". O nariz gelou e os óculos ficaram cheios de gotas gordas... Não me aborreci. Era como olhar o mundo e a noite consumadamente feia por um caleidoscópio. Toda a gente fugia, de caras fustigadas pelo vento, ostentando um jornal ou simplesmente a gola do casaco contra o aguaceiro que se impunha, à força de gotas pesadas e carregadas de urgência, como se lá dos altos tivessem ouvido os gemidos da terra que crestara todo o Verão. Todos se apressavam em direcção aos umbrais protectores das portas... e eu atrasei o passo, em desafio à intempérie e ao medo dos outros. Não tive receio que me julgassem tola. Eu era Briseis à chuva... de camisola verde. E, por um momento, imaginei que o povo amedrontado abandonava os abrigos e vinha juntar-se a mim, e dar à chuva mais para molhar. Não vieram, é claro. Fui Briseis sozinha à chuva... sozinha com a minha camisola verde.

07/10/2011

Não. Não... Não!!

Ando com os meus fantasmas, eles seguem-me. Conto os passos até casa. O sol vai à frente, a indicar o caminho e a provocar-me os olhos. Baixo negligentemente a cabeça, como se de um transeunte indesejado se tratasse. E avanço em passos rápidos. Para chegar a casa, rápido, rápido. Não, hoje não estou com medo. Hoje estou simplesmente desagradada. Estou tolerância zero para conversa da treta, para ouvir falar mal de quem quer que seja, para estupidez crónica, para amuos mesquinhos. Não me apetece teatro, não me apetece ser compreensiva: balbucio uma desculpa (ou então nem me dou a esse trabalho), ocupadíssima!, e zarpo para outra freguesia. "Não queiras saber de mim, esta noite não estou cá..."
Chego a casa satisfeita e descanso. Não me apetece gente, não me apetece futilidades, hoje estou importante, não quero saber das tuas teorias sobre lâmpadas fundidas, não me enerves com os teus caprichos mesquinhos e problemas de integração mal resolvidos, não me vou dar ao trabalho de te contrariar hoje, a tua voz irrita-me. Não me interessais, hoje.

Hoje sou senhora do meu nariz e o meu sorriso não está ao preço da chuva, como estais habituados a pensar. Hoje estou, verdadeiramente, num pedestal. Não porque tenha lá subido, mas porque o resto do mundo, e vós lá incluídos, desceu de nível a meus olhos...

11/09/2011

11 Set - 10º aniversário

No princípio, a Humanidade era una.
E o Homem reconhecia o seu semelhante e distinguia-o dos outros animais pelos dons que lhe haviam sido dados: pela postura erecta, pelas mãos ágeis, pelo sorriso, pela voz.
E o Homem formou tribos, sociedades, uniu-se e trabalhou para o Bem comum.

Depois, chegou o tempo em que o Homem já não se reconhece a si próprio e usa a sua postura para ameaçar, as mãos para esmagar, o sorriso para escarnecer e a voz para amaldiçoar.
Como chegámos a isto?

08/09/2011

Coisas que me ficaram na cabeça mais tempo do que seria suposto

Número 1: A minha amiga tem olhos bonitos. Fica conhecida, por quem não sabe o nome dela, como "a menina dos olhos bonitos". Eu sabia isto; eu própria usei isso para a distinguir, quando a conheci! "Fulana de Tal, a dos olhos bonitos!". Mas, mesmo assim, pareceu novidade quando alguém o referiu, ontem. Como se, por convivermos tanto, eu deixasse de "a ver" ou de reparar nesses pormenores.
Pensamento que ficou: neste caso, como em tudo, as coisas boas vulgarizam-se com a convivência e deixamos de as ver e valorizar. (Minha querida, Adorable One, não que tu te tenhas vulgarizado, estou só a estabelecer o paralelismo.) :D

Número 2: Há cada vez mais pedintes por todo o lado. Quando vou buscar o carro ao parque de estacionamento, além dos habituais arrumadores, agora temos pedintes que nem nos ajudam a arrumar o carro; pedem, simplesmente. No parque do Supermercado, uma cigana; dentro do Supermercado, dois membros de uma Associação, com uma banquinha; no mercado, atiram-me um calendário para a mão com AJUDE-ME e coisas mais; pelo telefone, alguém que anda a angariar fundos para construir não sei o quê...
Pensamento que ficou: certo que isto é um sinal de que a crise está aí, pior do que nunca. Mas também um sinal inequívoco de que cada vez mais nos encostamos de mão estendida em vez de fazer algo construtivo com ela.

Número 3: Todas as semanas me ligam para casa, de todas as operadoras existentes, para apresentar um novo serviço de Internet, telefone ou TV por cabo... e cada vez mais eu percebo menos do que me estão a dizer, tal é a fiada de serviços e tecnologias XPTO que esta gente invoca.
Pensamento que ficou: a tecnologia evolui tão rapidamente que, se não me ponho a pau, daqui a nada estou convertida num dinossauro que, como a minha avó, tem que chamar alguém competente para atender este tipo de chamadas.

Número 4: Tenho 24 anos, sei fazer um arroz seco, sequinho, irrepreensível, durinho e que se separa todo no prato... mas sou incapaz de estufar uma posta de peixe que não se desfaça toda dentro do tacho, ficando com um aspecto mais de caldeirada do que de posta estufada.
Pensamento que ficou: aos 24 anos (quiçá antes?) a minha capacidade de aprendizagem congelou. Estou de disco cheio. HELP!

Não gostei de nenhum dos pensamentos que tive hoje.

23/08/2011

Do I look like I care?



Chovia a potes, o céu rugia em trovoadas espectaculares e o mundo tinha escurecido, encolhido, pequeno ante a tormenta. Eu estava de sandálias mas tinha o coração cheio porque vi amigos e ouvi vozes de há muito tempo atrás. Cheguei a casa enregelada e esfomeada mas há algures uma foto, tirada no S. Leonardo, rodeada por nevoeiro, que regista e atesta a nossa ousadia. We didn´t care. I didn't care.



24 horas depois, amigos novos, de há pouco tempo, gozavam a sua primeira monumental borracheira e lá vou eu, armada em São Miguel Vingador, separá-los do rebanho tresmalhado, maternal e ameaçadora: "tens 20 segundos para te pores dentro do carro!". Talvez os vizinhos tenham visto, talvez tenham comentado... Mas, mais uma vez, do I look like I care? Deixei-os em casa, e voltei sozinha para a minha, a pensar que não mando nem decido nada. Eles tocam. Todos eles. Tocam e eu danço.

17/08/2011

Eu... abusou.

Foi um abuso... Abusei da boa disposição... Abusei da euforia, da alegria, da companhia de todos. Dancei com todos(as) os(as) desgraçados(as) que tiveram o azar de me aparecer à frente, ri até me doerem os maxilares, estiquei a resistência até sentir doer o corpo e vim para casa às 7h da manhã... Tivemos um momento particularmente bonito, em que brindámos com a primeira cerveja da noite, desejando estar ali novamente, naquele ambiente, com aquelas pessoas, dali a um ano. Cursos terminados, trabalhos estáveis, felizes, um pouco mais ricos... ou talvez não. Mas que estivéssemos juntos! E abusei escandalosamente, rodopiei entre braços amigos e ri sob olhos optimistas.
Foi um abuso chegar tão tarde (ou cedo) em dia de almoço com a família cá em casa... e procissão ao fim da tarde...
Andei sonâmbula e insensível durante os últimos dois dias, dava por mim a contar a mesma coisa à mesma pessoa mais do que uma vez, a não me lembrar se já tinha falado com a minha mãe ao telefone, a fechar os olhos involuntariamente onde quer que estivesse, a ter frio e calor alternadamente... Hoje acabou, oficialmente. Para acabar em grande, regateei uns ray-ban estilo aviador roxos que valiam 30€ e eu trouxe-os por 15€...
Abusei. E a ressaca há-de vir. Não sei como me vou levantar amanhã para a partidinha de ténis que, estupidamente, marquei para as 10h30. Mas não é só o cansaço que temo. Temo também a solidão. Porque, logicamente, a solidão pesa mais depois de nos termos sentido acompanhados. E o abandono grita alto nos primeiros momentos em que os nossos ouvidos, já habituados ao ruído, encontram alguma calmaria. Vou dormir...

08/06/2011

Sou triste... mas sou melhor.

Ontem, pelos caminhos sinuosos da navegação na internet, fui parar a este site: Orgulho.me . E apercebi-me de que sou uma pessoa triste... Assim se explica a primeira parte do títalo deste post: sou triste porque li cada uma das frases mais populares e fui incapaz de fazer um Like em qualquer delas... Sou triste porque não tenho orgulho em coisa nenhuma (e as opções apresentadas são todas muito lindas e nobres e blá-blá). Aconteceu que cada uma delas, em vez de me dar vontade de fazer um LIKE, deu-me foi vontade de fazer um sorriso escarninho de superioridade desdenhosa... e assim se explica a segunda parte do títalo...

Pérolas como "Eu orgulho-me dos meus defeitos. São eles que, acima das qualidades, moldam o meu carácter" merecem o prémio Miss "Mas Eu Podia Lá Ser Mais Fofo(a)?". Mas será que alguém, no seu perfeito juízo, se orgulha dos seus defeitos? Só se o defeito for a teimosia, desse já eu aqui falei... Esse não conta.

Muito popular também é "orgulho-me de olhar as pessoas sem as julgar pela aparência. De saber que os rótulos não servem para nada"... Estes quase trezentos marmanjos que fizeram Like merecem um bilhete directo só de ida para o Inferno. A isto se chama publicidade enganosa, meus amigos... Ninguém, repito NINGUÉM pode com verdade afirmar tal coisa porque, mesmo que não queiramos, todos temos um mecanismo que se acciona automaticamente no nosso cérebro e que julga e cataloga quem nos aparece pela frente. Mesmo que sejamos superiores a isso e tratemos toda a gente de igual modo, está lá. Nada a fazer. Não somos tábuas rasas. Temos experiências e memórias e preconceitos. Deal with it.

Olhem outra: "orgulho-me de nunca parar de tentar. Nunca desistir". É falso, gente. Toda a gente cai. Toda a gente desespera. Para nosso bem, temos que cair. Porque além de ser perigoso, não desistir nunca também é estúpido. Se me lancei e fui contra o poste uma vez, epá, acontece... Se fui à segunda, deixa lá, não é grave. À terceira, já é um insulto ao poste.

Particularmente engraçada é "eu orgulho-me de quem faz e gosta de fazer". Haja alegria. O mundo precisa é de gente que faça. E se gostar de fazer, é bónus... Mas daí a eu me orgulhar disso...

E as mais batidas são "orgulho-me dos meus amigos", "orgulho-me de ter alguém como tu", "orgulho-me de todas as pessoas que estão comigo porque, sem elas, não seria quem sou hoje". Isto é de um pedantismo que chega a meter dó... Eu não tenho que ter orgulho por ter alguém comigo. As pessoas têm-se porque se merecem, se entendem e se precisam. Pronto. Ponto. Acharmos que a pessoa X é melhor do que as outras e "ainda bem que é minha amiga" é prova inegável de uma visão do mundo demasiado estreita. E a última frase é o cúmulo; contém dupla infracção, repararam? Além do "ai que me orgulho tanto de ser amigo de Tal", ainda remata com "sem elas, não seria o que sou hoje", como se hoje fôssemos todos grande coisa...

Vá, vão lá ver mais pérolas... A ver se não tenho razão.

Estou cáustica. Atrevam-se a dizer-me que acharam piada à coisa, que eu digo-vos...

19/03/2011

A mim, malvados!

Venham, agora. Despedacem-me. Eis-me aqui.
Não esperem por amanhã, pela minha fraqueza, pela minha veia que se esvai. Venham hoje. Venham já. Aqui me tendes, pronta. Tomai-me, que não temo. Hoje sou eloquente e serena. Hoje não me retraio ante as vossas línguas aguçadas e mentes tortuosas. Hoje olho em volta, temerária e arrojada. E espero que venham sem demora as vossas farpas envenenadas e mesquinhas, porque a confiança e a serenidade me bafejaram hoje, ao contrário do que é costume. Então, espero.
Luto contra a vontade de me ir postar sob as vossas janelas, rugindo a minha indiferença; arranhar os vossos portões com as garras da minha revolta... Havíeis de vos arrepiar e guinchar de frustração porque as sementinhas pútridas da vossa maledicência haveriam de mirrar e morrer no solo estéril que é hoje a minha consciência. Luto contra a vontade de tirar satisfações hoje, porque não é hora. Não é momento. Não é a minha vez de jogar. Resta-me esperar, mordendo a almofada, que as ferroadas venham, por fim. E ardo por dentro por ter a certeza que virão no momento preciso em que farão mais danos. São caprichos da volátil providência... Hoje, que estou forte, farejais a minha perspicácia e destreza, e afastais-vos, descontraída e insuspeitamente. Amanhã, quando o meu humor mudar e a capa de altivez se tiver esfarrapado, vireis.
Talvez não... Talvez, só desta vez, eu seja desprendida e tranquila até ao final. Talvez desta vez não consigais ferir-me tornozelos nem esganar-me a jugular. Assim seja.

29/11/2010

Fugir, esquivar ou ficar

Dizem-me que não posso fugir para sempre... que não dá para fugir para sempre e que, quanto mais me afastar e adiar agora, pior será quando quiser voltar...
Eu sei disso tudo... Eu não quero fugir sempre. Não! Eu tenho a firme convicção de que, um dia, eu vou ser grande! ...mas enquanto não me sinto assim, eu fujo só mais um bocadinho. Nem é bem fugir. É mais "esquivar", de fininho, fazendo figas para que dê certo... só mais hoje... Só até não fazer tanto frio, e o sol brilhar e eu me sentir mais leve e poder olhar em volta e não me sentir ameaçada e me sentir alta e confiante e digna...
É como dar um mergulho. Ir aos pouquinhos para evitar um choque, para criar uma lenta habituação, é uma treta. Saltar lá pra dentro de uma vez é que é! Dizem que faz mal porque o choque é demasiado grande... Mas não dói tanto. ...espero eu que não doa...
O que é certo é que tudo seria muito melhor se eu não chegasse sequer a fazer todos estes juízos e a pesar o que é melhor, o que é mais radical ou mais seguro... Se eu fosse, simplesmente.
E, neste ponto, ouço mais uma vez dentro da minha cabeça as vozes que me dizem "o que tu precisas é de problemas a sério!". Também já houve quem dissesse "tu precisas é de peso!", mas nos dias que correm essas pessoas já não merecem muito a minha consideração...

28/09/2010

20/09/2010

Ténis

Não, não venho falar do Rafael Nadal outra vez... Venho falar da vida, que deveria assemelhar-se mais a um jogo de ténis. Duas pessoas em campo apenas. Claro que seria necessário haver uma infinidade de courts para todas as pessoas com quem nos relacionamos mas, em cada um deles, apenas dois jogadores: Eu e o Outro. Em algum deles haveria de ser Eu e Tu.
Ambos com as mesmas ferramentas (neste caso, uma raquete); toda uma claque apoiante na bancada mas que se cala no momento do serviço, porque é errado interferir nas jogadas dos outros, seja para ajudar, seja para perturbar.
Um árbitro ao meio, para assinalar e punir faltas de movimento ou carácter.
Uma rede que corte os golpes baixos a favor daquele que os iria sofrer.
Duas cadeiras, uma para cada jogador, onde descansam em simultâneo, para não se dar o caso de um aproveitar a ausência do outro para marcar pontos.
Dois jogadores, apenas. Frente a frente. Para se olharem nos olhos e sentirem a responsabilidade dos seus movimentos e a vergonha pelas faltas cometidas.
Nem sempre venceria o melhor, já se sabe. A sorte e o acaso pesam tantas vezes mais do que o talento. Mas seria justo e leal.