
Ontem, pelos caminhos sinuosos da navegação na internet, fui parar a este site:
Orgulho.me . E apercebi-me de que sou uma pessoa triste... Assim se explica a primeira parte do títalo deste post: sou triste porque li cada uma das frases mais populares e fui incapaz de fazer um Like em qualquer delas... Sou triste porque não tenho orgulho em coisa nenhuma (e as opções apresentadas são todas muito lindas e nobres e blá-blá). Aconteceu que cada uma delas, em vez de me dar vontade de fazer um LIKE, deu-me foi vontade de fazer um sorriso escarninho de superioridade desdenhosa... e assim se explica a segunda parte do títalo...
Pérolas como "
Eu orgulho-me dos meus defeitos. São eles que, acima das qualidades, moldam o meu carácter" merecem o prémio Miss "Mas Eu Podia Lá Ser Mais Fofo(a)?". Mas será que alguém, no seu perfeito juízo, se orgulha dos seus defeitos? Só se o defeito for a teimosia, desse já eu
aqui falei... Esse não conta.
Muito popular também é "orgulho-me de olhar as pessoas sem as julgar pela aparência. De saber que os rótulos não servem para nada"... Estes quase trezentos marmanjos que fizeram Like merecem um bilhete directo só de ida para o Inferno. A isto se chama publicidade enganosa, meus amigos... Ninguém, repito NINGUÉM pode com verdade afirmar tal coisa porque, mesmo que não queiramos, todos temos um mecanismo que se acciona automaticamente no nosso cérebro e que julga e cataloga quem nos aparece pela frente. Mesmo que sejamos superiores a isso e tratemos toda a gente de igual modo, está lá. Nada a fazer. Não somos tábuas rasas. Temos experiências e memórias e preconceitos. Deal with it.
Olhem outra: "orgulho-me de nunca parar de tentar. Nunca desistir". É falso, gente. Toda a gente cai. Toda a gente desespera. Para nosso bem, temos que cair. Porque além de ser perigoso, não desistir nunca também é estúpido. Se me lancei e fui contra o poste uma vez, epá, acontece... Se fui à segunda, deixa lá, não é grave. À terceira, já é um insulto ao poste.
Particularmente engraçada é "eu orgulho-me de quem faz e gosta de fazer". Haja alegria. O mundo precisa é de gente que faça. E se gostar de fazer, é bónus... Mas daí a eu me orgulhar disso...
E as mais batidas são "orgulho-me dos meus amigos", "orgulho-me de ter alguém como tu", "orgulho-me de todas as pessoas que estão comigo porque, sem elas, não seria quem sou hoje". Isto é de um pedantismo que chega a meter dó... Eu não tenho que ter orgulho por ter alguém comigo. As pessoas têm-se porque se merecem, se entendem e se precisam. Pronto. Ponto. Acharmos que a pessoa X é melhor do que as outras e "ainda bem que é minha amiga" é prova inegável de uma visão do mundo demasiado estreita. E a última frase é o cúmulo; contém dupla infracção, repararam? Além do "ai que me orgulho tanto de ser amigo de Tal", ainda remata com "sem elas, não seria o que sou hoje", como se hoje fôssemos todos grande coisa...
Vá, vão lá ver mais pérolas... A ver se não tenho razão.
Estou cáustica. Atrevam-se a dizer-me que acharam piada à coisa, que eu digo-vos...