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06/12/2010

Ira

A ira é um sentimento admirável.
É menos requintada do que o ódio e menos impulsiva que o ciúme, é certo; mas destes três, é a minha favorita. O ódio tem raízes profundas e é destrutivo a longo prazo. O ciúme é um atrofio crónico numa mente doente e é sempre originado em favor de uma outra pessoa ou objecto, o que é desprezível.
A ira, não. A ira fala na primeira pessoa. Eu encho-me de ira por mim. A ira é egoísta e narcisista. Faz um cordeiro rugir que nem um leão; é uma corda que vibra de modo intenso e irracional e que dissolve no seu reverberar toda a razão e bom-senso.
Sinto-me irada. Tem sido a palavra que me electrifica a mente nos últimos dias: IRA. Pelo que não posso, pelo que não quero, pelo que me obrigam. Por revolta, por desprezo, por rebeldia, por simples insubordinação ridícula e teimosa. Sou isto tudo, abominavelmente caprichosa.
E o pior é que não me envergonho. É outro dos requintes da ira: o sentimento avassalador que tudo justifica e legitima, mesmo que não tenha razão nenhuma.

28/09/2010

08/08/2010

Emigrantes

Portugal é uma país engraçadinho onde todos os anos , pontualmente no 1º de Agosto, acontece um estranho fenómeno que duplica a população residente. Não falo de nenhum Baby-Boom mas, é claro, nas vagas de emigrantes que regressam à pátria para as festas da terrinha.
Entenda-se: nada tenho contra os emigrantes. Tenho uma série deles na família, admiro a bravura de ir para um país estranho em busca de mais e melhor do que o que poderiam encontrar cá e até consigo achar piada ao estereotipo do garrafão, a fieira de ouro ao pescoço, o português falado mal e porcamente e a mania do "lá fora é tudo bom, este país é atrasado".
Mas quando estes queridos vêm em manada e parecem brotar do chão de um dia para o outro, deixam de ser uma visita simpática e tornam-se uma PRAGA!!!
Sair de casa testa-me os nervos, porque sei que vou ver a minha terrinha pacata e sem engarrafamentos transformada num constante rebuliço de pessoas ociosas que passeiam mal vestidas, a comer farturas e gelados e algodão doce e outras porcarias hiper calóricas e gordurosas, a falar seja lá a língua em que melhor se entendem, a ocupar todos os lugares de estacionamento legal, mais os de segunda fila, as placas das rotundas, os passeios e as paragens de autocarro.
Eu, que até sou uma pessoa pacata e de índole bondosa, torno-me uma fera quando tenho que andar durante 20 minutos a passear na cidade para encontrar uma porra de um buraco para enfiar o carro. E note-se que a dada altura perdi o interesse em encontrar um bom lugar e não teria remorso de deixar o bichinho em cima da relva de algum jardim ou em segunda fila num sítio qualquer mas nem isso encontrei!!! Chamei-lhes tantos nomes, fiquei tão possessa que nem tive pachorra para depois ir ter com os amigos e fui para casa comer gelado à colherada directamente do balde! O raio que os parta, que não os suporto!!!
Todos os anos, durante um mês, dão cabo da vida de quem cá passa o tempo todo. Podiam ser discretos, mas não... Vêm com grandes carros, de matriculas esquisitas, onde insistem em pôr a música num volume que devia ser proibido; andam em grupos grandes, avós, filhos, netos, noras, genros, cunhadas, primas em 12º grau... Falam alto, intercalando o português com ocasionais "oui, voilá". As mulheres têm a terrivel mania de andar com o soutien todo por fora dos tops. Se calhar, lá isso é considerado sexy. Aqui acho que nem tanto. Pagam tudo com notas grandes e, quando vão ao banco cambiar os francos têm a mania de sair com o maço de euros ainda na mão, demorando-se, antes de os meterem na carteira.
Que manada ruidosa e irritante. Hei-de arder no inferno por causa deste palavreado todo, mas esta gente faz-me saltar o pipo!

30/07/2010

Vou hibernar só até isto passar...

Há dias em que conseguimos levar a nossa vida com ligeireza e graça... Em que nos sentimos bem e capazes e bonitos e os sorrisos são fáceis. Porque sim. Porque não?!
E há outros dias em que certas atitudes, mentalidades, palavras e reacções dos que nos rodeiam nos cortam as asas, nos fazem sentir medo de aparecer, de falar, de dizer mais do que devemos, de não fazer aquilo que "suas excelências" acham que deve ser feito. Há pessoas incapazes de aceitar, de tolerar, de compreender. Pessoas que levam tudo a peito e a mal, e um "olha, desculpa lá, prejudiquei-te mas tive que fazer isto assim" é uma ofensa mortal, premeditada e humilhante. Há pessoas que até aparentam boa índole mas que a vão deixando esmorecer ante os ataques gratuitos e impossíveis de responder à altura; tornam-se desconfiados e intolerantes e, à força de mostrar que abriram os olhos e não vão mais ser pisados, revoltam-se contra todas as ninharias, porque é por aí que o domínio maior começa...
Isto é um estupor de um ciclo vicioso onde não existe uma "terra de ninguém" onde se possam abrigar pessoas como eu. Eu gostava de resolver as coisas de outra maneira. Gostava que todos fossem frontais. Que não houvesse teorias da conspiração, alcoviteiras nem bufos nem vítimas nem carrascos.
Estou no ponto em que vejo alguém aproximar-se e no lugar das mãos vejo presas afiadas; os dentes, em vez de sorrirem, arreganham-se com ferocidade; a cabeça é um lugar obscuro onde as rodas dentadas da engrenagem rangem dolorosamente, congeminando mais uma traição, mais uma afronta, mais um cinismo.
Tenho medo desta gente. O território está todo marcado; há milhentos limites invisíveis que os mais incautos atravessam sem desconfiar no que se estão a meter. Ouço uma conversa agora e no momento seguinte vou perceber que o que foi dito tinha imensas ramificações discretas e venenosas, que se multiplicam que nem ervas daninhas.
Puta que pariu, que isto parece uma porra de uma máfia.
Deixámos de caber todos no mesmo sítio. O ar que o outro respira parece estar a ser roubado do espaço que me cabia a mim... Que esupor de cadeia alimentar. Raios partam isto tudo!

20/06/2010

Obtusidades

Sabem que mais...? Zanguei-me... quer dizer, primeiro fiz com que se zangasse comigo, simplesmente porque estava cansada de ser "um sonho" e ser branda e ser aquilo que era esperado. Cansei-me e fui ríspida e bruta. Zangou-se e eu zanguei-me por se ter zangado. Vai no seguimento do que eu dizia no outro dia acerca dos amigos e do ser perfeito... E não posso admitir que estou sempre eu errada. Porque não acho que realmente esteja. E mesmo que não esteja sempre certa, não têm o direito de me descartar por isso. Porra...
Senti-me sem ar nas primeiras horas, mas passou. Estou bem. Não estou arrependida. Não vou pedir desculpa. Não era uma relação saudável. Não me conheciam, não reconheciam o meu valor. Não vou recuar. Não arredo pé. FIRME!!!

20/03/2010

Acerca do post anterior...

Resultou. O ginásio resultou.
A porca da minha ex-patroa disse-me por mensagem, e depois de andar a enrolar-me com palavras simpáticas durante mais de meio ano, que não me vai pagar os últimos dois meses que me devia como penalização por eu ter rescindido do contrato sem dar dois meses à casa, como era devido. Entrementes e entretantos e pormenores à parte, ela não tinha o direito. É uma cabra dissimulada e sem vergonha na cara e, agora, ladra também.
Saí do trabalho mais do que estragada, a tremer por todos os lados e a dar graças por estar escuro porque, se o meu aspecto traduzisse bem o que eu estava a sentir, a minha cor deveria estar próxima do verde.
Lá me arrastei para o ginásio, sempre a ver se via a porca passar porque, eu juro, estava capaz de lhe passar com o meu mui possante lancia Y em cima.
Mas o ginásio e a aula de pump fizeram efeito. Cheguei a casa ainda enervada mas de uns nervos daqueles que dão para rir, e já não para tremer...
P#&@ que pariu isto tudo...

09/02/2010

Amuei

Ora pois está claro que amuei...
Porque voltaram a fazê-lo. Voltaram a fazer-me sentir pequena e ridícula, crente e ingénua, estúpida e fraca... E fazem-no de propósito. Com premeditação. Fazem-no, não por o acharem relamente mas porque os diverte ver a minha reacção e a forma como me enervo e reajo às suas respostas desdenhosas e altivas.
Com que direito o fazem??! Não é normal e vou mandá-los dar uma volta ao bilhar grande se vêm outra vez com uma de "é brincadeira e é engraçado e não sejas assim".
São mesquinhos. Sobretudo porque o fazem só quando estão juntos. Quando estão só comigo, blá-blá-blá, conversa amena e é tudo muito bonito. Quando se juntam, alguém que os ature porque eu não estou para ser o alvo mais à mão de semear para descarregarem as frustrações das suas vidas pequeninas nem para ser o capacho que fica rente ao chão enquanto eles se elevam, crentes de que são superiores e mais sérios e íntegros que toda a gente.
São mesquinhos. E prefiro andar sozinha nos próximos tempos a ter que me sugeitar a isto.

05/10/2009

Momento glorioso no início do meu dia

Primeiro visitante do dia, um solitário homem, olhos meio em bico, talvez oriental, talvez não... Por isso, cumprimentei-o com um “bom dia!”, ao qual ele apenas acena com a cabeça. Nem um sorriso, nem uma carranca, nem um músculo se mexeu naquela cara amarelada. Apenas baixou leve e rapidamente a cabeça (mais um indício de que o homem era proveniente dali daqueles lados do sol nascente). “Can I help you?” – tento. “No”, reponde ele. Assim. Sem mais nem quê. “No”; não. E lá vai ele caminhando pela galeria dentro, entra no espaço da exposição sem fazer a mais remota ideia de onde está ou do que vai ver, aposto. Sinto vontade de correr atrás dele, plantar-me no meio do caminho com a minha mais convincente cara de “olhe que eu sei Kung-Fu” e mãos nas ancas, à moda da boa e brava mulher portuguesa, a gritar-lhe que tem que pagar bilhete, mas você pensa que está onde, seu malcriadão, isto não é a via pública para entrar por aqui adentro assim, sem acompanhamento e sem pagar.
...Ele teria que pagar, se não fosse a obscena sorte que teve em aparecer precisamente no dia em que o Douro está de “portas abertas”... Então fico indolentemente no meu posto, a remoer a minha irritação, enquanto a dita personagem dá a sua voltinha pela galeria.
Deparo-me com gente muito estranha no meu trabalho de Recepção, ora pessoas que se cosem às paredes, muito tímidas, quase com medo de respirar, que se mexem como se estivessem numa igreja, que têm medo de perguntar o que quer que seja; outras vezes, pessoas arrogantes que recusam qualquer ajuda ou informações e que acabam perdidas e depois vêm reclamar que está tudo mal sinalizado.
Pessoas estranhas. Enquanto isto, o estranho visitante saiu como entrou: mudo.
Meia hora depois, outro visitante disse que mesmo não se pagando as entradas neste dia, não está interessado porque é da região (que lata) e virou-me as costas ainda enquanto lhe explicava onde se dirigir para comprar vinho, informação que ele próprio pediu.
P*#%§ que os pariu!!! Falta muito civismo e educação nas nossas relações formais e de circunstância mas, mesmo assim, todos insistimos para que nos tratem por senhor doutor XPTO... Hipócritas.