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04/04/2011

Pode ser ingenuidade minha...

...mas ao ouvir este salmo na véspera da partida da minha mãe, comovi-me. Comove-me sempre.


"O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

Conduz-me às águas refrescantes

E reconforta a minha alma.

Ele guia-me por sendas direitas

Por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

Nada temerei, porque Vós estais comigo:

O Vosso cajado e o Vosso báculo enchem-me de confiança.

Para mim preparais a mesa

À vista dos meus adversários;

Com óleo me perfumais a cabeça,

E o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

Todos os dias da minha vida,

E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre." Salmo 23

02/04/2011

Resposta a pedido urgente

Querido Deus,

Vou assumir que tens um grande Plano para nós, que inclui uma série de coisas boas resultantes desta nova ausência da minha mamã...

A mensagem foi bem clara. É que, em três chaves que jogámos, acertar só um número... unzinho... é um sinal óbvio de que tens traçado para nós um caminho bem diferente daquele que, à primeira vista, idealizámos. Por mais que não seja, lá vou eu passar duas semanitas à Suíça, novamente, nas férias.

Enfim... Obrigada por mais uma oportunidade de crescimento... e o resto das coisas que forem vindo, eu lá agradeço na devida altura, porque para já não vejo muito bem quais possam ser...

E obrigada pela vitória da nossa Adorable One, que serviu para acender um bocado a minha noite.

Fica connosco.

31/03/2011

Pedido urgente

Querido Deus,

Eu sei que tens sempre muito que fazer. Sei que todos os dias as pessoas Te invocam e se dirigem a Ti a fazer pedidos e promessas, e não raras vezes Te insultam por nem sempre as atenderes.

Tu lá sabes e tens razões que nós não conseguimos compreender e eu tento com todas as minhas forças agradecer o que tenho, mais do que pedir aquilo que quero.

...Mas desta vez precisava mesmo, MESMO, que me desses uma atençãozinha especial. Eu sei que grande parte dos pedidos que recebes têm a ver com isto e porque raio haverias de me dar prioridade a mim desta vez? ...mas esta semana tem mesmo que nos sair um prémio jeitoso no Euromilhões. Tem que ser esta semana. É a última oportunidade. Já temos jogado algumas vezes (não com muita frequência, certo) e nunca Te tenho importunado com estes pedidos reles. Mas desta vez é diferente. Desta vez faria toda a diferença. Desta vez faria com que a minha mãe não se fosse embora novamente na segunda-feira. Faria com que nós não andássemos nesta ansiedade pesada e destrutiva, nem andássemos tristes, nem chorássemos mais. Nem é preiso que seja um grande prémio... Não. É só preciso um pouquinho, só o suficiente. Não me importo que haja 1000 premiados, se entre eles estivermos nós.

E ficaríamos felizes com tão pouco, por tão pouco, e agradeceríamos todos os dias.


Por isso, querido Deus, olha para nós com bondade e aponta para nós a luz abençoadora do Teu dedo. Só desta vez. Tem que ser mesmo desta vez.

Obrigada por caminhares connosco, por tudo o que somos e tudo o que temos... mas que desta vez não é suficiente.

Fica sempre comigo.

24/02/2011

Quando choro

...não me olho ao espelho. Não quero ter na memória a imagem de que chorei. Não que chorar seja mau. É purificador e necesário, até. Mas não quero lembrar o motivo que me fez chorar.
Nem tenho o hábito de beber as lágrimas que me caem nos lábios, como alguns. Cada lágrima contém em si um pouco do que nos é tóxico e, bebendo-as, estamos a interiorizá-lo novamente, renovando o ciclo.
Nem deixo que me vejam chorar; não quero um lembrete personificado, piedade ou compreensão.
Choro sozinha e no escuro. Choro sem me ver. Choro de frustração, de revolta e de dores. Tento não chorar de tristeza.
Choro porque quero. Porque preciso. É como tomar um banho regularmente porque, por mais cuidado que tenhamos, vamo-nos sujando...
Choro porque quero, quando posso. E depois as lágrimas secam sozinhas.

06/09/2010

Uuuuuuiiii... Estamos em Setembro

Não tá fácil... Os últimos dias não têm sido fáceis.
É esta altura do ano. É o tempo. É a ansiedade. É eu. É o raio que o parta... Não sei. Não tenho justificação. Sei só que, apesar de gostar do Outono, o mês de Setembro é fatal para mim. Porque os dias ficam mais curtos e mais escuros, e eu tenho medo do escuro. Porque o Verão está a queimar os últimos cartuxos e toda a gente corre para aproveitar os últimos momentos, como se isto fosse uma contagem decrescente para coisa nenhuma. Contagens decrescentes deixam-me nervosa, seja para o dia do meu aniversário, para o Ano Novo, para o final de um jogo de futebol, para sair do trabalho... Porque estamos a aguardar ansiosamente o fim de algo para depois fazer o quê??! Bater as palmas? Comer passas e pedir desejos? Gerar uma discussão com os colegas sobre que equipa jogou melhor, independentemente do resultado?
Há toda uma série de coisas a preparar-se à minha volta; para amanhã, para daqui a uma semana, um mês, quatro meses... E eu já me sinto sufocada por elas.
Eu sou ovelha, indolente e indefesa, desprevenida perante os impulsos imprevisíveis dos lobos que me rodeiam.
Não quero ser ovelha. Não quero ser alvo nem quero ser notada. Não quero que me surpreendam. Não quero que me digam que sou tudo. Não quero flores. Não quero ser esperada.
Setembro é um mês difícil. Era o mês em que o meu pai vinha para perturbar. Era quando eu tinha que voltar para a faculdade, longe de casa. Era quando a luz e o tempo e os hábitos mudavam e se projectava um novo ano lectivo, um novo ano religioso... E os projectos fazem-me mal.
Setembro foi o mês em que eu caí a primeira vez... e a segunda e a terceira também. Sempre em Setembro. E agora já não consigo ignorá-lo. Estou viciada. Tenho medo dele. É psicológico. E, não tenho orgulho em afirma-lo mas, a minha psique é fortíssima. Tão forte que, se eu pensar que Setembro poderá ser mau, Setembro vai, de facto, ser uma desgraça...

17/08/2010

Na ressaca...

...porque a ocasião das festas da terra é uma tremenda borracheira. Estamos alterados, todos. Tudo é extremo, sejam as alegrias, sejam as tristezas. Se acontece algo bom, somos os mais felizes do mundo porque tudo contribui para a euforia. Se acontece algo mau, somos os mais desgraçados porque todos os outros festejam, indiferentes à nossa amargura. A nossa percepção da realidade é distorcida. Exagerada. Por isso digo que as festas são uma tremenda borracheira. Têm a fase da ressaca e tudo, que é quando tudo termina. A euforia esgota-se. Passa a solenidade das procissões e a efusividade das noites de música e arraiais e fica aquele amargo de boca que é uma mistura de cansaço, alegria serena e já a nostalgia porque agora festa assim, só para o ano...
E este ano a minha "borracheira" teve direito aos dois extremos. Tanto dancei, como ri, como falei alto, como saudei; da mesma forma que tremi, sofri, murmurei e chorei, até. Porque o encontro com os outros, com todos, é inevitável. E os que se mantiveram num afastamento saudável a maior parte do tempo voltaram a cruzar-se. E eu, que já era forte e imune, fui mais uma vez toldada pela presença perturbadora daqueles que eu já conheci e quis bem e me conheciam e queriam bem, e agora não nos conhecemos nem queremos nada uns dos outros. Bem... eu até queria. Queria ver que, apesar de tudo, nesta altura, e porque é tradição, e 14 de Agosto não é 14 de Agosto se não estivermos juntos, ainda éramos capazes de nos encontrar e desfrutar, sem pensar em vícios e pecados antigos. A coisa correu bem no 1º dia; abanou um bocado no 2º; e no 3º e último dia de festa, caiu tudo abaixo.
Fiquei triste. Mas já passou. Estou a ressacar. Estou a recuperar das noitadas; das refeições feitas à pressa; as pessoas começam a dispersar novamente e eu começo a recuperar o distanciamento que me faz forte; ainda sinto o cansaço, o ombro dorido de carregar o andor, o estômago apertado pelas emoções destrutivas que me perseguem mas já passa. Amanhã já passa.

31/07/2010

Tive um sonho

Há duas noites sonhei que a minha mãe estava morta. Não digo "sonhei que morria" porque não me apercebi do quando nem como ou porquê. Só sei que estava na minha vida e a voz de alguém disse "a tua mãe está morta". E pronto. Eu não ia vê-la mais.
Quando, esporadicamente, sonho que alguém me morre, acordo lavada em lágrimas e passo o resto do dia a pensar nisso. Esta vez não foi excepção mas, ao pensar no assunto, apercebi-me que eu não chorava por sentir a falta dela ou por saber que não ia voltar a vê-la. A coisa que não me saía da cabeça era que ela tinha morrido assim, de repente, tão jovem, e sem levar nada da vida. A minha mãe, que sempre se sacrificou tanto, que sempre trabalhou, que teve um mau marido, que teve depressão, que viveu anos reduzida a um frangalho, fraco e aterrorizado sem no entanto poder em momento nenhum baixar os braços e descansar, que me viu a mim definhar todos os dias pelo mesmo motivo, culpando-se por não pôr um ponto final na situação... A minha mãe que foi jovem e bonita e queria ser costureira e que na vida pouco realizou que fosse totalmente seu desejo e de forma totalmente egoísta, para si, para o seu bem, para sua alegria.
Tenho saudades da minha mãe.

03/05/2010

Corte de electricidade

Ontem, num acidente de carro, morreu o marido de uma colega lá do trabalho. Eram um casal super jovem e tinham uma bébé com 5 meses. E agora ele morreu...
Os meus dois avôs morreram com cancro. É doloroso e degradante mas a família prepara-se. Dá-lhes cuidados, o que é uma espécie de auto-consolação, no final.
Mas assim, de repente... Deve ser um pouco como ficar sem electricidade inesperadamente a meio da noite. Só que pior. Pára tudo de funcionar e fica tão escuro que não sabemos o que fazer ou como nos orientar.
"Deus quer sempre o melhor para mim, por isso, faça-se a Sua vontade e não a minha", aprende-se na catequese. Mas, apesar de eu ser muito crente, esta parte nunca me entrou bem...
E hoje, ao acordar, fiquei surpreendida ao ver que o Sol continua a brilhar e está um dia radioso, indiferente ao que se passa naquele pequeno apartamento onde, em vez de uma família, agora há apenas uma viúva e uma menina que nunca se vai lembrar de como era o sorriso ou a voz do pai.
Que mundo, este em que vivemos...

03/04/2010

Quebrámos os dois

"Era eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançar em pleno dia,
E eu encostado, como quem não vê.
Eras tu a falar pra esconder a saudade
E eu a esconder o que não se dizia.
Afinal quebrámos os dois, afinal...
Quebrámos os dois."

Eu e aquele meu amigo (o que já não o é), o mesmo desta situação aqui, e daquela outra acolá, tínhamos uma veneração especial pelo Tiago Bettencourt (o dos Toranja, que agora canta com os Mantha). Eu adoro a voz dele e acho que ele faz magia com as palavras, enquanto compositor... E sou capaz de jurar que tenho uma história na minha vida que encaixa que nem uma luva em cada uma das suas músicas...
E esta "quebrámos os dois" passou a fazer mais sentido ainda agora que tudo aquilo aconteceu entre mim e o meu amigo. Com a diferença que era eu quem dançava e ele quem permanecia encostado.
Porque eu desliguei-me. Deixei de o procurar. Deixei primeiro de lhe demonstrar que me importava e, agora, deixei de me importar mesmo. Tem grandes problemas, o meu amigo. De revolta, de prepotência, de egocentrismo (ele ficava doente quando lhe dizia isto)... E eu posso não ser a melhor pessoa do mundo, a melhor conversadora, a mais inteligente... Mas tinha em mim a firme certeza de que nunca o iria atraiçoar... A dada altura, não sei porquê, isso passou a valer zero. Mas já me passou.
E agora ele sorri para mim novamente. E fala-me. E parece-se muito com o que era antes. Mas eu já não sou a mesma. Não posso voltar a trás. Regredir.
Porque eu sou melhor agora. Porque eu era dependente dele e, quando me deixou, senti faltar-me o ar durante dias seguidos. Não posso voltar a dar esse poder a ninguém. Muito menos a ele, cujo humor muda como as marés.
A nossa história foi sempre atribulada. Ele sempre a dar-me para trás e eu sempre a insistir, sempre presente, sempre amiga. Um dia ele disse-me "às vezes penso que se não fosses tu, eu teria ficado sem ti".
Mas agora ficaste mesmo, querido amigo. Quebrámos os dois.

17/11/2009

"Lying from You" - LP

"This isn't what I wanted to be... I never thought that what I said would have you running from me..."
Às vezes, quando estamos mais na mó de baixo, caímos facilmente no erro de pensar que estamos sós, que ninguém entende o que sentimos, ninguém viveu já a nossa desventura...
Mas a verdade não é tanto assim... Acabei de descobrir que os Linkin Park, há anos, sabiam já mais do que eu...

14/11/2009

Já vos aconteceu?

Chamaram-me arrogante, os meus amigos...
É injusto. E irónico, sobretudo. Porque eu sou passiva e encolho-me até quando deveria bater o pé! Tento ser o que julgo que os outros pretendem de mim; tento dar o meu melhor; sou exigente comigo própria e perfeccionista; aceito tudo dos outros e procuro sempre entender as suas razões porque acredito que ninguem é pura e simplesmente mau...
Quando estou mais triste ou apagada, é precisamente quando mais falo e mais extrovertida pareço... Talvez seja uma defesa.

Mas os meus amigos chamaram-me arrogante.
...Sabem? Quando temos a melhor das intenções ou quando estamos profundamente magoados e temos uma determinada forma de reagir... e depois percebemos que os outros interpretaram tudo da forma errada? Sabem como é? Já vos aconteceu?
Dói... Dói descobrir que não somos compreendidos quando tudo o que necessitamos é, precisamente, de compreensão...