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11/09/2011

11 Set - 10º aniversário

No princípio, a Humanidade era una.
E o Homem reconhecia o seu semelhante e distinguia-o dos outros animais pelos dons que lhe haviam sido dados: pela postura erecta, pelas mãos ágeis, pelo sorriso, pela voz.
E o Homem formou tribos, sociedades, uniu-se e trabalhou para o Bem comum.

Depois, chegou o tempo em que o Homem já não se reconhece a si próprio e usa a sua postura para ameaçar, as mãos para esmagar, o sorriso para escarnecer e a voz para amaldiçoar.
Como chegámos a isto?

08/09/2011

Coisas que me ficaram na cabeça mais tempo do que seria suposto

Número 1: A minha amiga tem olhos bonitos. Fica conhecida, por quem não sabe o nome dela, como "a menina dos olhos bonitos". Eu sabia isto; eu própria usei isso para a distinguir, quando a conheci! "Fulana de Tal, a dos olhos bonitos!". Mas, mesmo assim, pareceu novidade quando alguém o referiu, ontem. Como se, por convivermos tanto, eu deixasse de "a ver" ou de reparar nesses pormenores.
Pensamento que ficou: neste caso, como em tudo, as coisas boas vulgarizam-se com a convivência e deixamos de as ver e valorizar. (Minha querida, Adorable One, não que tu te tenhas vulgarizado, estou só a estabelecer o paralelismo.) :D

Número 2: Há cada vez mais pedintes por todo o lado. Quando vou buscar o carro ao parque de estacionamento, além dos habituais arrumadores, agora temos pedintes que nem nos ajudam a arrumar o carro; pedem, simplesmente. No parque do Supermercado, uma cigana; dentro do Supermercado, dois membros de uma Associação, com uma banquinha; no mercado, atiram-me um calendário para a mão com AJUDE-ME e coisas mais; pelo telefone, alguém que anda a angariar fundos para construir não sei o quê...
Pensamento que ficou: certo que isto é um sinal de que a crise está aí, pior do que nunca. Mas também um sinal inequívoco de que cada vez mais nos encostamos de mão estendida em vez de fazer algo construtivo com ela.

Número 3: Todas as semanas me ligam para casa, de todas as operadoras existentes, para apresentar um novo serviço de Internet, telefone ou TV por cabo... e cada vez mais eu percebo menos do que me estão a dizer, tal é a fiada de serviços e tecnologias XPTO que esta gente invoca.
Pensamento que ficou: a tecnologia evolui tão rapidamente que, se não me ponho a pau, daqui a nada estou convertida num dinossauro que, como a minha avó, tem que chamar alguém competente para atender este tipo de chamadas.

Número 4: Tenho 24 anos, sei fazer um arroz seco, sequinho, irrepreensível, durinho e que se separa todo no prato... mas sou incapaz de estufar uma posta de peixe que não se desfaça toda dentro do tacho, ficando com um aspecto mais de caldeirada do que de posta estufada.
Pensamento que ficou: aos 24 anos (quiçá antes?) a minha capacidade de aprendizagem congelou. Estou de disco cheio. HELP!

Não gostei de nenhum dos pensamentos que tive hoje.

27/08/2011

(Anti-)Heróis

Já se puseram bem nos nossos Heróis?
Não falo dos Super, que voam, têm força sobre-humana e visão raio X. Falo dos Heróis dos romances que lemos, das novelas que seguimos, dos filmes e séries que vemos e das músicas que ouvimos. São Heróis completos, íntegros e altivos. Inteligentes e especiais. Só eles é que vêem certas coisas, só eles é que actuam de determinada forma. Corajosos. Mesmo que o género seja a comédia e, a princípio, pareçam tão corajosos como o Scooby-Doo, que foge mal imagina um fantasma, a determinada altura irão revelar-se valorosos e ousados lutadores pelos seus ideais.
São ou não são todos assim? Mesmo os anti-heróis, que as professoras de Português tanto nos martelavam; mesmo esses tinham um charme e encanto irresistíveis, uma teimosia e obstinação que se confundiam com perseverança, uma maneira sensual de suportar as dores estóica e pacientemente, e uma força interior absolutamente surreal.
São estes os nossos Heróis.
E é por causa destes altos exemplos que nós rastejamos tantas vezes, confrontados com as nossas limitações.
Se eu criasse um Herói, ele haveria de ser desajeitado e molengão. Convencido e egocêntrico. Haveria de ser hipocondríaco, tremer ante a simples ideia de sentir dor; ser inseguro e mesquinho, desatento aos pormenores, muito pouco perspicaz, sofrer de verborreia e de um tique nervoso qualquer. Haveria de acordar a meio da noite com baba a escorrer pelo canto da boca e ter sujidade entranhada nos cantos de difícil acesso das unhas; ser casmurro e orgulhoso, muito pouco altruísta, ter humor flutuante e fazer a vida negra a todos os desgraçados que com ele se cruzassem. Haveria de ser prepotente e autoritário, disfarçando isso com uma máscara de organização e capacidade de liderança extremas. Haveria de ser socialmente inapto e auto-comiserativo.
O meu Herói haveria de ser um cocktail-molotov de defeitos e incongruências. Só porque sim. Só porque, se houvesse um herói assim, seria mais fácil nós acreditarmos que seríamos também capazes de ser Heróis nas nossas próprias vidas, em vez de nos sentirmos personagens secundárias de quando em vez...

20/06/2011

Auto-estima

...é uma coisa complicada. Sempre achei que a minha andava nos píncaros até ser atacada por crises de ansiedade e agorafobias e depressões. Aí, percebi a subtil diferença entre auto-estima e auto-confiança. Não tendo a segunda, a primeira mirra. Porque de nada vale amarmo-nos e aceitarmo-nos se acharmos que os outros não o farão. A minha auto-estima tornou-se rasteira com a depressão e tem sido um longo e penoso caminho ascendente que tenho feito a partir de então... Ocasionalmente ainda me sinto tão bonita quanto um esfregão, tão bem-feita quanto um cabide, tão inteligente quanto aquilo que os livros da treta que leio permitem e tão eloquente quanto um disco riscado, a repetir sempre o mesmo mambo-jambo...

Até julgava que nos últimos tempos estava no bom caminho mas... Encontrei um conhecido que raramente vejo e que, anos atrás, jamais olharia para mim como deve ser ou me mandaria um piropo... Porque vivia rodeado de miúdas mais vistosas e eu nunca fui um "naco"... Mas, desta vez, olhou... E lá veio o piropo... Uma pessoa com auto-estima sã pensaria: "boa... estou melhor... Subi de nível...".

Eu pensei: "os standards dele estão mais modestos...".

28/02/2011

Esquerdinos que me lêem...

Perguntava-me o Nandinho no outro dia: "sabes o que dizem dos esquerdinos?".

Respondi com aquela teoria que diz que os esquerdinos resultam quando, no momento da concepção, são gémeos e, por qualquer razão, um deles morre. O sobrevivente é esquerdino.
Ele não se referia a isso mas à crença ligada à re-encarnação de que os esquerdinos estão pela última vez na terra.
Eu cá não acredito nesta re-encarnação, a que diz que nós vivemos várias vidas e nos vamos aperfeiçoando em cada uma delas até estarmos pronto para ir para a Luz. Acredito na re-encarnação Cristã: que temos apenas uma vida terrena e que, depois, o espírito a continua num outro sítio qualquer...
Independentemente da discussão aqui iniciada, pensem lá comigo:
Supondo que a re-encarnação (a das várias vidas terrenas) existe, que nós caminhamos até atingir a perfeição... Nós, esquerdinos, estamos cá pela última vez... Logo:
NÓS JÁ ATINGIMOS A PERFEIÇÃO!!!

Logo, as professoras e o meu pai, que ralhavam quando eu pegava na caneta com a mão esquerda, que vão para o raio que os parta!
Acho que, depois de ouvir esta minha brilhante conclusão, o Nandinho se arrependeu de ter puxado o assunto...

04/02/2011

A loucura é...


... como o pipo de uma panela de pressão.

Tem que ser mantido limpo, fresco e arejado. Se entope, a panela explode.

As baforadas e apitos que vai libertando são um indicador da atmosfera que faz no interior e, consoante aqueles, vai-se regulando a potência da chama que aquece a panela.

Tem que ser da medida certa. Se for demasiado grande, a panela perde toda a funcionalidade. Se for demasiado apertado, não vai conseguir libertar a pressão que se produz no interior de forma eficaz...

Cuidem dos vossos pipos. Para vosso bem e para bem da cozinha inteira porque, se explodirem, vai ficar toda suja...
Para a Fábrica de Letras, mês de Fevereiro, tema: Loucura.

05/12/2010

Cicatrizes

Jamais conheci quem apreciasse cicatrizes. Próprias ou alheias. Máculas corporais, repelentes, inestéticas, chocantes. A própria palavra tem uma entoação estridente e aquele "-triz" final fica a vibrar no tímpano durante muito tempo.
Eu gosto de cicatrizes. Elas são um mapa, um farol, um documento, mais pessoais e intransmissíveis que uma impressão digital. Todas as cicatrizes têm história, local, uma pessoa, um acontecimento, uma emoção, uma dor e uma regeneração.
Eu tenho uma, resultado de uma queda de mota com o meu pai, na Suíça, quando ainda era suficientemente pequena para ir aninhada à frente dele, entre os dois braços estendidos. Estava imensamente alegre e ria porque ele ia a alta velocidade e subia bermas e atravessava relvados... E depois estava no chão.
Não tenho porque me envergonhar dela: não é muito visível; nem a tento esconder: porque está num sítio já discreto. Mas às vezes contorço-me para poder olhá-la bem e tenho-lhe um respeito grande. Acarinho-a.
Tive um namorado que tinha umas quantas. Uma delas era grande, resultado de uma queimadura com um ferro de engomar, nas costas da mão. Ele escondia-a e fazia sempre um esgar dorido (e lindo!) quando olhava para ela. E eu agarrava-lhe a mão e passava os dedos sobre os contornos daquela marca tão dele, que eu venerava sem que ele conseguisse entender porquê.
Porque as cicatrizes são um apontamento, um sinal físico da nossa passagem por outro tempo, outro local, outras circunstâncias. São como um carimbo num passaporte; uma nódoa de chocolate na nossa bata velhinha da escola; um rasgão naquele peluche adorado da infância; um canto dobrado daquela carta que relemos milhões de vezes; um sublinhado num livro predilecto; uma mossa no carro por temos sido demasiado aventureiros...
Sem cicatrizes ou sinais, seríamos um livro em branco, imaculado e perfeito, mas tão mais insignificantes...!

Para a Fábrica de Letras, mês de Dezembro.

27/10/2010

Não é irónico?

Pus-me a pensar, assim vindo do nada, nas razões que me fizeram perder os dois amigos de longa data que tinha... Dei-me conta que perdi um porque ele deixou de gostar de mim como eu era. E o outro porque ele passou a gostar de mim mais do que seria suposto. É um atrofio dos diabos... Eu nunca estou contente...

20/09/2010

Ténis

Não, não venho falar do Rafael Nadal outra vez... Venho falar da vida, que deveria assemelhar-se mais a um jogo de ténis. Duas pessoas em campo apenas. Claro que seria necessário haver uma infinidade de courts para todas as pessoas com quem nos relacionamos mas, em cada um deles, apenas dois jogadores: Eu e o Outro. Em algum deles haveria de ser Eu e Tu.
Ambos com as mesmas ferramentas (neste caso, uma raquete); toda uma claque apoiante na bancada mas que se cala no momento do serviço, porque é errado interferir nas jogadas dos outros, seja para ajudar, seja para perturbar.
Um árbitro ao meio, para assinalar e punir faltas de movimento ou carácter.
Uma rede que corte os golpes baixos a favor daquele que os iria sofrer.
Duas cadeiras, uma para cada jogador, onde descansam em simultâneo, para não se dar o caso de um aproveitar a ausência do outro para marcar pontos.
Dois jogadores, apenas. Frente a frente. Para se olharem nos olhos e sentirem a responsabilidade dos seus movimentos e a vergonha pelas faltas cometidas.
Nem sempre venceria o melhor, já se sabe. A sorte e o acaso pesam tantas vezes mais do que o talento. Mas seria justo e leal.

24/08/2010

Sobre a Dor

"Dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante (...)." in WikipediaComo dizer apenas "sinto dor" quando o que mais precisamos expulsar é um grito?
Como é que um monossílabo pode expressar o monstro que nos rasga interiormente?
Nunca pensamos nela e, no entanto, ela está tão iminente. Sempre.
Na porta que se fecha sobre o nosso dedo, na postura incorrecta que nos massacra as costas, no som perfurante que nos fere os tímpanos, no ardor de uma ponta de cigarro sobre a pele, nas palavras escusadas de alguém... porque ninguém nega que as dores da alma podem ser tão ou mais dolorosas do que as do corpo.
Omnipresente. Omnipotente. A dor tira-nos a ousadia e só pedimos que passe. Rápido.
A dor é desagradável. É dolorosa. Má.
Procuramos refúgio num analgésico envenenado mas não há por onde lhe escapar. Não há alívio ou consolação. Dói. Há sentimento mais redutor e asfixiante?
E será que a dor dói a todos de igual forma?
Eu não sofro quando tiro sangue; fiz uma tatuagem sem me queixar... Mas nem por isso sou muito valente.
A dor é relativa, pessoal e intransmissível.
O mesmo beliscão pode doer-me mais a mim do que a ti. Talvez eu "sinta" mais; ou posso apenas "aguentar" menos. Não importa. A dor não se quantifica.
Eu sofro, queixo-me. E também sofro com os teus queixumes, com as tuas dores.
Físicas ou não, legítimas ou estúpidas, mais ou menos intensas. O que importa isso?
Sofres, eu sofro. E consolo-te. E não me é agradável sentir que, quando eu sofro as minhas dores, alguém as quantifica, relativiza e diz para eu não julgar que sofro mais do que os outros.
Nunca julguei que o meu sofrimento fosse maior. Mas, decerto, é desconhecido de todos.

08/08/2010

Emigrantes

Portugal é uma país engraçadinho onde todos os anos , pontualmente no 1º de Agosto, acontece um estranho fenómeno que duplica a população residente. Não falo de nenhum Baby-Boom mas, é claro, nas vagas de emigrantes que regressam à pátria para as festas da terrinha.
Entenda-se: nada tenho contra os emigrantes. Tenho uma série deles na família, admiro a bravura de ir para um país estranho em busca de mais e melhor do que o que poderiam encontrar cá e até consigo achar piada ao estereotipo do garrafão, a fieira de ouro ao pescoço, o português falado mal e porcamente e a mania do "lá fora é tudo bom, este país é atrasado".
Mas quando estes queridos vêm em manada e parecem brotar do chão de um dia para o outro, deixam de ser uma visita simpática e tornam-se uma PRAGA!!!
Sair de casa testa-me os nervos, porque sei que vou ver a minha terrinha pacata e sem engarrafamentos transformada num constante rebuliço de pessoas ociosas que passeiam mal vestidas, a comer farturas e gelados e algodão doce e outras porcarias hiper calóricas e gordurosas, a falar seja lá a língua em que melhor se entendem, a ocupar todos os lugares de estacionamento legal, mais os de segunda fila, as placas das rotundas, os passeios e as paragens de autocarro.
Eu, que até sou uma pessoa pacata e de índole bondosa, torno-me uma fera quando tenho que andar durante 20 minutos a passear na cidade para encontrar uma porra de um buraco para enfiar o carro. E note-se que a dada altura perdi o interesse em encontrar um bom lugar e não teria remorso de deixar o bichinho em cima da relva de algum jardim ou em segunda fila num sítio qualquer mas nem isso encontrei!!! Chamei-lhes tantos nomes, fiquei tão possessa que nem tive pachorra para depois ir ter com os amigos e fui para casa comer gelado à colherada directamente do balde! O raio que os parta, que não os suporto!!!
Todos os anos, durante um mês, dão cabo da vida de quem cá passa o tempo todo. Podiam ser discretos, mas não... Vêm com grandes carros, de matriculas esquisitas, onde insistem em pôr a música num volume que devia ser proibido; andam em grupos grandes, avós, filhos, netos, noras, genros, cunhadas, primas em 12º grau... Falam alto, intercalando o português com ocasionais "oui, voilá". As mulheres têm a terrivel mania de andar com o soutien todo por fora dos tops. Se calhar, lá isso é considerado sexy. Aqui acho que nem tanto. Pagam tudo com notas grandes e, quando vão ao banco cambiar os francos têm a mania de sair com o maço de euros ainda na mão, demorando-se, antes de os meterem na carteira.
Que manada ruidosa e irritante. Hei-de arder no inferno por causa deste palavreado todo, mas esta gente faz-me saltar o pipo!

14/07/2010

Imaginemos...

...que Deus é o administrador de uma empresa (o Mundo, entenda-se...).
A conjuntura da crise afecta todo o planeta e, como tal, o divino administrador vê o seu caso muito mal parado (estou a pensar em tsunamis e aquecimento global e assassínios de baleias). Acontece que, além dos problemas de crise geral, o desempenho (ia escrever performance, mas o Português acima de tudo!) dos "trabalhadores da seara do Senhor" também não está muitas vezes no seu melhor... Vai daí, o Senhor precisa fazer uns ajustes... É necessário cortar nos recursos que se oferecem aos homens... porque quantos mais houver, mais se estragam e mais se agrava a situação da Organização... Cortando nestes elementos, torna-se indispensável "cortar" também nos recursos humanos, que consomem excessivamente os outros recursos todos.
E aqui a porca torce o rabo.

Quem é dispensável? Pensará Deus: "ora... este senhor já anda cá há mais tempo. Quer-me parecer que já deu o que tinha a dar. É necessário dar oportunidade aos novos... Por outro lado, estes mais jovens ainda não têm grande experiência e o seu vínculo é menos significativo. É mais fácil desfazer-me deles... Tenho carpinteiros e pedreiros que não posso dispensar porque a sua arte é útil. Mas também não posso cortar nos médicos e cientistas. É sempre necessário polícia e bombeiros para manter a ordem. Mas os professores são o passaporte para o futuro. Este diz que trabalha mais do que os outros dois juntos, que fazem pouco mas bem. Aquele ali, não sei porquê, mas gosto dele e não posso dispensá-lo porque sentiria que o mundo não estaria completo. Aqueloutro nem sei muito bem o que anda cá a fazer, mas os colegas apreciam-no e respeitam-no e haverá um motim se o mandar embora. Tenho uma série de limpadores de ruas de quem ninguém sentiria a falta, mas cheira-me que seria o caos se eles desaparecessem de um momento pra o outro..."


Resumindo, é uma embrulhada dos diabos. A quem cabe medir o valor das pessoas? Quem é que tem a capacidade de decidir com justiça os "pesos pesados" dos "pesos mortos"? Dá-me dores de cabeça pensar nisto...

27/06/2010

Em suma...

"Se os outros me abandonam é porque devo estar a aproximar-me do essencial."
Casimiro Brito

Ora, nem mais...

24/06/2010

Citação

"Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso."
Já dizia o meu caro Eça...
Como seria bom se, em vez de denunciarmos os que "se apregoam", os acarinhássemos e motivássemos para que pudessem atingir realmente a idealização a que aspiram.
Na falta de um carinho ou um reconhecimento vindo do exterior, a tendência é o próprio colmatar essa falha e proclamar evidentemente a sua boa índole e natureza casta, tornando-se motivo de crítica e rebaixamento por parte dos outros.
"A César o que é de César"; se agi bem, não ousem questionar-me ou tirar-me a glória, só porque julgam que estarão a evitar corromper-me por excesso de exaltação. Estão é a retirar-me a luz e a noção do que fiz de Bom e Belo. Acabarão por me desvirtuar do que é justo e, um dia, lamentarão em mim os defeitos que vós próprios me impingistes. Malditos, todos.

31/05/2010

Flawless

Gosto desta palavra. Não da palavra em si, que até é difícil de pronunciar, mas do seu significado complexo. Traduzido dá algo do tipo "perfeito; sem falhas ou defeitos" mas, tenho cá para mim que esta definição é demasiado reles para a acepção que eu sinto nesta palavra, quando aplicada. É que, algo que é flawless, não é simplesmente perfeito. É, sim, isento de qualquer tipo de deformação, mácula, carência, erro, pecado, remorso, culpa... É excelso e transcendente.
Ninguém é assim, destituído de defeitos ou imperfeições. No entanto, teimamos todos em acreditar no Pai Natal e a pôr a mão no fogo em como os nossos amigos são perfeitos e únicos e incapazes de nos desiludir. E depois, quando isso acontece, todos ofendidos, amaldiçoamos a pessoa que nos enganou, porque nos deixou ficar mal, porque não respeitou o nosso segredo, a nossa dor, a nossa pessoa.
Acordem, criaturinhas cegas e mais ingénuas do que eu, que tantas vezes admito a minha ingenuidade!!!
Eu não sou perfeita. Eu sinto o impulso de me aperfeiçoar e adaptar aos outros, de reconhecer que posso fazer melhor... Mas, quando não correspondo às vossas expectativas, quando não vos sei adivinhar, quando sou incompreensivelmente inconveniente, quando discuto e não largo o meu ponto de vista (mesmo que ele seja tacanho aos vossos olhos), quando estou mal disposta e faço birras, quando tenho uma dor no dedo mindinho e quero que todos se compadeçam de mim como se fosse o pior mal do mundo, quando estou alegre e faço questão que todos ouçam porquê, quando corrijo a vossa forma de falar e denuncio os vossos pontapés no Português, quando sinto vontade de estar só e vos abandono, quando não sei entrar nas vossas conversas eruditas e de elevada importância (ainda que eu não consiga entender a importância que têm)... em suma, quando eu sou intratável não deixo de ser a vossa "amiga". E vocês são estúpidos e metem-me nojo se começam a desprezar-me porque me descobriram um defeito. Porque eu vejo os vossos. E acarinho-os e tento melhorá-los e contorná-los e assumi-los como características vossas. Mas vocês atiram-me os meus à cara.
É suposto eu ser perfeita??! É de supor que vocês próprios são perfeitos?
Na escola eu tinha tantos amigos...! e agora já não sei. Deixei de vos reconhecer. Vocês já não me conhecem também...

Eu gosto daqueles filmes sobre os amigos que se conhecem toda a vida e crescem, sempre cumplices e unidos, e depois têm problemas e zangam-se e lutam e parece que tudo acabou... Mas no final, voltam a entender-se. Não porque é muito bonitinho perdoar ou esquecer... Simplesmente porque se aceita o outro por inteiro. Pacote completo. Defeitos e tudo.
Eu tenho alguns defeitos... Sou mimada e carente; ligeiramente egocêntrica; demasiado perfeccionista; derrotista e comodista; ingénua e desbocada;... não sei que mais...
Mas tento domesticar estas falhas, de forma a caber um bocadinho melhor na palavra flawless. Isto é, o que se pretende não é a ausência de defeitos, mas a medida certa, a que nos torna mais agradáveis e interessantes do que e própria Perfeição.

15/05/2010

a Suíça II

A filosofia de vida da maior parte das pessoas que encontro parece-me ser "trabalhar (muito) e, nas férias ou tempos livres, GOZAR!"
Gozar verdadeiramente. Nada de poupanças e fazer uma pequena fortuna aguardar eternamente que o dia de amanhã chegue, sempre à espera do pior. De uma coisa má. Não. Esta gente trabalha e diverte-se. É assim que dividem o seu tempo. E criticam e sentem pena de quem não o faz. De quem vem de férias para aqui e, quando o filho pede um determinado prato, respondem "não... isso é caro...". Optam por comer eles algo mais elaborado e as crianças comem batatas fritas. Porque gostam. Gostam porque é o que lhes dão. Se lhes dessem camarão também gostavam.
Eles trabalham e depois gastam. Vão de férias e, se vão, é para estarem e comerem e beberem bem. Se não, ficavam em casa. E educam os seus filhos desta maneira. E dão lagosta a comer a uma criança.
Admiro esta forma de encarar a vida. Reconheço que não é uma forma de viver possível para toda a gente e todas as carteiras. Mas, no geral, se aplicássemos um pouco desta postura à nossa vida seríamos muito mais felizes e realizados.
Li uma vez na Bíblia algo do tipo "quem é avarento consigo está a guardar para os outros".

20/04/2010

Bigodaça

Não sou nada apreciadora de bigodes... Aprecio, sim, a atitude de "ter um bigode". O cuidado. a veneração. O narcisismo orgulhoso.
Ontem estacionei ao lado de uma carrinha-estilo feirante (branca, grande, para poder levar montes de mercadoria) ao mesmo tempo que um senhor entrava lá para o lugar do condutor.
Ao sair do meu carro olho para o lado e vejo o senhor, com uma escova de cabelos (daquelas mesmo largas e bastante farfalhudas) a pentear devotamente o seu bigode, olhando para o retrovisor.
Fiquei maravilhada... Eu, que às vezes nem tenho paciência para pentear o cabelo...

16/02/2010

Falar de mim vs. Falar dos outros


Às vezes acho que falo demasiado sobre mim própria... Falo demasiado tempo e demasiada informação. Sobre mim e sobre as minhas opiniões. Sobre o que tenho, fiz, penso ou quero. No momento, a conversa corre. Depois, arrependo-me e penso "que seca, não admira que pensem que sou egocêntrica e desmiolada... Afinal, não interessa a niguém o porquê de eu hoje vir vestida de verde e não de azul..."
Agora dou-me conta que, ao falar de mim, não falo nos outros, que é o que quem não fala de si próprio costuma fazer... Foi uma epifania, enfim.
Posto isto, hei-de continuar a falar de mim até que a voz me doa.

13/02/2010

O toque

Pus-me a pensar, vindo assim do nada, no toque. Em nenhum toque em especial, mas n'O Toque. No verbo. No acto de estender a mão e tocar em alguém, sem a pessoa estar a contar com isso e sem fazer caso, depois. Como se fosse uma coisa normal.
Como quando éramos miúdos. Os miúdos tocam-se constantemente. Vamos jogar à apanhada? Eu toquei-te. Apanhei-te. Agora tens tu de tentar tocar em mim. Ou nos bancos da escola, em que as pernas ou os braços ou os ombros partilhavam o mesmo espaço reduzido. E quando saíamos, dávamos as mãos na rua, seguíamos em fila indiana de mãos nos ombros ou na cinta do colega da frente. Mesmo que não o conhecêssemos bem. O corpo, a nossa parte tangível, era o que mais importava e partilhavamo-lo.
Depois crescemos e ficamos mais cientes do que é o "nosso espaço pessoal" e "vital", a nossa "bolha de ar". E, salvo raras excepções (aquelas pessoas com quem temos um entendimento mais pleno), reagimos mal se sentimos esse espaço ser invadido. Ficamos rígidos se um simples conhecido nos cumprimenta com dois beijos na cara; se estamos na igreja e a pessoa ao nosso lado se senta demasiado perto, nós deslizamos discretamente no sentido contrário, para recuperar o nosso espaço. Se no metro alguém vem contra nós, desfazemo-nos em desculpas, atrapalhados. Os próprios apertos de mão que oferecemos são, muitas vezes, frouxos e rápidos, sem sequer olharmos nos olhos da pessoa.
Pessoalmente, nem com a minha família sou muito dada a grandes aproximações físicas. É estranho, como evoluímos neste sentido. Como nos afastamos fisicamente uns dos outros.
Se calhar é por isso que a maior parte de nós tem a tendência irresistível de acariciar e abraçar um cão ou um gato. Não nos choca tanto a aproximação inocente de uma animal. E tambem não nos preocupamos com o que ele ficará a pensar.
Como seria bom se recuperássemos a confiança uns nos outros e sentissemos liberdade de nos tocar. Uma festa no braço, um aperto no ombro, uma carícia no cabelo, um abraço de vez em quando... Para dizermos uns aos outros, assumidamente: estou aqui. Sou teu semelhante.

31/01/2010

Copo meio cheio/meio vazio

Vazio ou cheio, não me importa. O que não tolero é o "meio".
Não suporto o meio. Se não estou 100% satisfeita com o que faço ou tenho, então isso vale zero.
Vale mais ter o copo completamente vazio e poder pensar que a partir dali só se pode subir.
Mas um "médio", um "assim-assim", uma palmadinha nas costas, um "vai-se andando" mexem-me com os nervos.
Não gosto dos meios termos. Ou se é ou não se é. Vale mais partir logo a louça toda do que andar com paninhos quentes num engano dormente e insensível.
Não gosto de coisas mornas. Literalmente falando. A comida ou a água do banho, ou são quentes ou frias. Nunca mornas. Morno é-me desagradável aos sentidos.
Não gosto de meias golas. Nem de ver, nem de as sentir. Incomodam. Se está calor, não se usa gola subida. Se está frio, venha a gola até ao queixo. Mas se a gola é meia, deixa sempre algo a desejar. Se o próprio tempo não é quente nem é frio, é uma indefinição e vemos na rua algumas pessoas de t-shirt e outras de casaco quente.
Não gosto destes limbos. Não gosto do beje. Já gostei, agora já não.
Pão, pão; queijo, queijo. Ou sim ou sopas. Ou 8 ou 80. Ou ao mar ou à terra. "No meio é que está a virtude" são balelas. Precisamos definir-nos.