Há uma subcultura incompreendida e muitas vezes rotulada de forma preconceituosa... É a subcultura dos "caseirinhos". Pessoas que não gostam da confusão dos cafés, da música alta e confusa, da mistura de vozes e conversas, do ar respirado por muita gente...
Às vezes, raras vezes, combino algum encontro social, um jantar ou café e o meu desconforto e enfado aumentam na medida em que aumenta o grupo e a confusão. Ao sair de casa, a minha mãe diz-me cheia de boas intenções "diverte-te!", e eu digo para mim mesma "diverte-te! faz esse esforço! é isso que é esperado e suposto que aconteça"... mas venho embora no final do encontro com uma ligeira sensação de que perdi tempo longe do sofá e da manta ou de uma caminhada solitária ou apenas com uma ou duas pessoas pacatas.
Os "caseirinhos" são considerados pães sem sal, eremitas, anti-sociais, antipáticos, traumatizados ou pessoas sem vida, opinião ou nada de útil para dar à sociedade...
Há "caseirinhos" patológicos. Por medo, fobia ou outra razão profunda evitam os ambientes mais concorridos. Às vezes é o medo que me move também, e me faz ficar em casa.
Mas a maior parte das vezes é mesmo o prazer. Se o sossego é o que me dá prazer e serenidade, já chega de ser julgada, de me julgar a mim própria, por não ser mais normal e gostar do que as outras pessoas gostam.
Sou caseira.
Acho que isso não vai mudar. E não me importo.
