A vida é o que acontece enquanto eu estou ali encolhida a ter uma crisezita de ansiedade.
Não quero mais isto. Porra.
04/07/2016
02/07/2016
É esse o espírito!
Hoje acordei a sentir-me triste e magra. Triste porque faz parte de mim. E magra porque é como fico quando a tristeza e a ansiedade me perturbam o apetite.
Mas passaram algumas horas. Tive momentos em que sacudi a sensação. E momentos em que a sensação voltou.
Fui almoçar com pouca vontade, demorei eternidades a engolir um parco almoço. Em alguns momentos de distracção sinto-me mais tranquila e menos triste, e já não me sinto tão magra.
É este o espírito a manter! Tropeções, sim. Mas arribar sempre!
24/06/2016
A minha irmã é quase 9 anos mais nova do que eu.
Em pequenas, quando nos zangávamos por ela se ter portado mal, ela vinha passado poucos minutos querer brincar outra vez ou pedir mimos. E eu atirava-lhe à cara que ainda estava zangada por causa da atitude anterior dela, e ficava a ruminar esse rancor umas boas horas ou dias.
Da mesma maneira, quando era eu a errar, a vergonha e o orgulho mantinham-me longos períodos de tempo sem me aproximar dela.
Cheguei a comentar com a minha mãe a "lata" da minha irmã, de vir como se nada fosse, toda sorrisos, depois de termos discutido.
Hoje lamento esta minha natureza. Este "solo lunar" que sou, de que já aqui falei antes. Um solo que guarda por tempo indeterminado as marcas que lá se deixam, sendo que eu tenho uma certa selectividade em guardar as marcas negativas.
E carrego esse peso, essas mágoas comigo, que me impedem de sacudir o rancor, de voltar a confiar alegremente.
Não. A marca está lá, como uma nódoa que nunca sai totalmente.
Hoje lamento ser assim e gostaria de ter a natureza mais pura e infantil da minha irmã...
07/06/2016
Pessoas extraordinárias #4 - Terie Leijs
Tive a Sorte de estar a trabalhar no passado domingo, quando este senhor holandês passou lá no Museu. Tem 74 anos mas apresentou-se de botas de caminhada e mochilinha às costas, onde levava o cantil da agua, os documentos metidos num saco de plástico, uma boa câmara fotográfica e um GPS já um bocado danificado pelo uso, pelas quedas e pelas molhas, com botões normais, que ele não gosta de ecrãs tácteis (e mostrou-me os dedos velhos e inchados, pobrezinho!)...
O Terie, e aconselho que procurem este nome no facebook só para verem o ar amoroso de vitalidade deste septuagenário... Dizia eu, o Terie percorre a Europa a pé, já fez o caminho de Santiago, já fez caminhos de Fátima... Esteve na Grécia, na Turquia, no Tijiquistão ou Cazaquistão ou outro país acabado em ão, e faz questão de andar a pé, sair dos circuitos, contactar com os locais que lhe dão de comer o que têm, dorme nos quartéis de bombeiros, gratuitamente, e durante o dia faz trilhos e passeios fora dos circuitos normais.
Diz ele que na Holanda há muito dinheiro e marcar umas férias é um problema muito grande porque as pessoas procuram "o melhor sítio para ir, o melhor restaurante, os melhores pacotes". Diz que o turismo de hoje é feito em bolhas. Bolhas onde as pessoas têm um pacote que inclui todas as experiências, todos os marcos turísticos e onde vêem muito pouco do que é genuíno e real.
Apercebeu-se com grande destreza daquele traço muito português que é ter um grande orgulho no que é nacional e no que temos e fazemos cá, ao mesmo tempo que nos achamos todos tão pouco, tão pequenos e dóceis na nossa labuta diária.
Quando lhe elogiei a energia e as boas pernas, ele abanou as mãos e disse que não "se tem" boas pernas, elas vão-se habituando à medida que o caminho é percorrido.
01/06/2016
Ai, sou tão boa pessoinha, este mundo é demasiado cruel para mim...
Este post pode parecer uma declaração do género da supra citada. E é mesmo. E seria um post de fazer revirar os olhos de indignação por parte dos leitores e por mim mesma, se não fosse de facto uma situação que me traz desconforto e desassossego.
Fui convidada para jantar e passar um tempo com uma rapariga da qual nem nunca fui muito próxima, apesar de os nossos respectivos serem amigos. Às vezes acho que ela tenta uma aproximação um bocado forçada. A rapariga é um amor, nunca me fez ponta de maldade... Mas é um bocado faladora, do género de eu perguntar como está e ela conta-me com pormenor que comprou um móvel há 15 dias, queria tê-lo limpo na semana passada mas não pôde por um qualquer motivo (note-se que eu vos poupo a este motivo mas ela não me pouparia a mim), de modos que estava para ser a limpeza há dois dias mas nessa altura saiu tarde do trabalho, o marido ao jantar engasgou-se e ela teve que sair de casa para fazer uns recados, e a limpeza acabou por ser feita só hoje, com tanta pressa e tantas ganas que se entalou na porta do móvel quando ia buscar o Pronto Limpa-Moveis...
É isto, em resumo.
Não me apeteceu. É uma jóia e um poço de bondade, mas ando numa fase muito introspectiva, mais pro triste do que alegre e não me apeteceu.
Dei uma desculpa frouxa e eis-me agora a sentir culpada.
Porque disse que não. Um não que, embora um nadinha mau ou cruel, era a única resposta capaz de me poupar um sacrifício e um resto de dia muito longo.
E agora que sabeis que me sinto ligeiramente culpada, ligeiramente temerosa que ela descubra, ligeiramente envergonhada perante o meu namorado, a quem relatei o sucedido... Agora que sabeis isto tudo, digam lá se eu não sou tao boa pessoinha...? Tao estúpida pessoinha, a precisar de assuntos mais sérios para se preocupar...
28/05/2016
26/05/2016
Pessoas extraordinárias #3 - a Juliana
A Juliana não é muito bonita. Podia ser, se a vida lho permitisse, se fosse mais simples. E acho que deve parecer mais velha do que é na realidade. Não sei a idade dela... A Juliana farta-se de trabalhar. Aceita o que aparece, é empregada doméstica. O marido trabalha na agricultura e recentemente teve que emigrar.
Conheço a Juliana só porque vive no mesmo prédio que eu, mas acho que tem uma vida um pouco difícil ou triste. O filho é algo atravessado e vejo-a várias vezes a ralhar-lhe na rua.
Há bocadinho encontrei a Juliana a entrar no prédio, mais o marido e o rapaz, todos com ar de quem veio da festa da Comunhão. Ao passar por eles, agradeci ela segurar a porta para eu entrar e sorri-lhe enquanto lhe disse "que bonita está hoje!". Ela sorriu e agradeceu. O marido seguiu sempre, nem lhe vi a cara, e disparou escada acima, sem sequer esperar pelo elevador, enquanto ia a falar de modo grosseiro para o rapaz, que levava um dos sapatos na mão... Calçado novo, não há pé que aguente.
Senti tanta pena pela Juliana. Porque no dia da comunhão do filho, o marido veio de visita, ela arranjou-se tão bonita, para ir para casa com um filho infeliz de pé magoado e um marido zangado, que até se recusa ir no elevador com ela.
Senti pena por ela e por todas as lutas que são travadas por cada um de nós; lutas que nos desgastam e destroem mas que nos forçamos a disfarçar e seguir. Seguir sempre.
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