Não sou muito de assinalar aqui no blog os dias disto ou daquilo... Mas este fez-me cá vir. Tenho um sentimento muito forte quando ouço a expressão "cuidados paliativos". Já vi dois avôs beneficiarem deles. São cuidados que associamos a situações extremas, situações irremediáveis, em que se desiste da luta contra o mal, investindo no bem-estar e conforto da pessoa que padece, enquanto consegue resistir. Mas nem sempre estas doenças são fulminantes ou muito "activas"; um paliativo pode ser simplesmente o acompanhamento do envelhecimento e das doenças que naturalmente dele advêm, tendo sempre em vista a dignidade e a qualidade de vida do doente.
Todos temos, infelizmente, alguém que já precisou ou que já beneficiou destes cuidados. Todos. É ou não é verdade?
E, sem querer desconsiderar nenhuma outra área da medicina, esta merece a nossa solidariedade, as nossas contribuições, e os seus profissionais merecem todo o nosso respeito, carinho e gratidão. São profissionais de saúde, com os seus conhecimentos científicos e técnicos, mas também são profissionais de amor, de compreensão, que muitas vezes devem ver ou ouvir coisas que nem me atrevo a imaginar.
Vivemos vidas cada vez mais longas, mas nem sempre melhores. Num país com a natalidade decrescente, com escolas que fecham, precisamos não esquecer que no extremo oposto da linha está a doença e a velhice. E este é o dia desses cuidadores.