Why the gods above me, who must be in the know, think so little of me?
They allow you to go.
When you're near there's such an air of spring about it
I can hear a lark somewhere begin to sing about it
There's no love song finner but how strange is the change from major to minor
Everytime we say goodbye
06/01/2017
Apaguei a luz e sentei-me confortavelmente, pus uma musica suave e tencionava fazer a minha meditação diária... É uma forma de terapia, a par das consultas com a psicóloga que já faço há tantos meses, faço agora estas meditações diárias, em que acalmo o meu ritmo cardíaco e mental, olho para dentro de mim, para o que sou, em contraste com o que aparento ser, e o que gostaria de ser, o que preciso melhorar, a nível dos meus pensamentos e sentimentos, para deixar de ser tao susceptível a ataques de ansiedade, medos e inseguranças. É um momento de pausa diário, que costumo fazer à noite, mas hoje aproveitei estar de folga para o fazer ao final da tarde, enquanto a casa está vazia...
No minuto em que inicio o processo estoura a tempestade no apartamento de cima; a familia acaba de chegar a casa e são só gritos loucos e coléricos de uma, respostas amedrontadas de outra, a voz do pai que tenta pedir calma, mais gritos e rugidos de revolta, de vergonha, palavrões, maldições proferidas, e "estou farta", e "tenho vergonha", o bebé chora, ouvem-se soluços convulsivos de uma, e nova rajada de gritos e insultos de outro lado...
Não há álcool naquela família. Não há vícios, nem pobreza, nem vergonhas que sejam o escândalo da rua e dos vizinhos... Há apenas uma família, que como todas as outras tem os seus problemas quotidianos, os seus choques de personalidade, o cansaço que traz para casa depois do trabalho... E que ultimamente nao tem sido capaz de lidar com isso sem ser desta maneira ruidosa e que causa tanta dor aos que ali vivem, e que hoje me perturbou tanto.
Ia fazer a minha meditação mas há uma familia a desfazer-se por cima da minha cabeça, a dizer coisas tao horríveis, a arranhar a voz para cuspir palavras com intenção de magoar...
Uma das coisas que peço na minha meditação é para deixar o medo e a insegurança, mas hoje esta tempestade que veio ribombar sobre a minha cabeça trouxe memórias e a reacção instintiva que aprendi durante tantos anos, que é encolher-me e chorar em silêncio.
É o meu desejo para mim e para toda a gente no novo ano. Sem especificações de paz, saúde, trabalho ou amor... venha de lá o que vier, que cada um seja capaz de se carregar a si próprio, tomar as suas decisões, assumir as suas responsabilidades. Em suma, tomar nas suas mãos o controlo da sua própria vida e, sobretudo, viver bem consigo porque, não importa as companhias que temos ao nosso lado, quando fechamos os olhos à noite, na cama, é só o interior da nossa própria cabeça que vemos.
You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight
Pasa la vida así, así
Pasa la vida, pasa
At the end of the day you got to carry your own weight
Now you can run and you can think that everybody is gonna give you what you need but
At the end of the day you got to carry your own weight
Yeah and you can run and you can also try to hide away from your responsibility
At the end of the day you got to carry your own weight
Ay ay ay pasa la vida, pasa la vida
Pasa la vida, pa ti pa mi, pasa la vida
You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight
Pasa la vida así, así
Pasa la vida, pasa
At the end of the day you got to carry your own weight
Cuz in life there will be suffering, no matter if you're running
Or looking for love you may not get enough
It's an inside job and it will make you tuff
If you're rough around the edges, it will clear it up
You can hide but you can't seek, remember that you're free
Nobody gonna give you what you need
At the end of the day you got to carry your own weight
You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight
At the end of the day you got to carry your own
No matther witch path you take when you're wrong
You gotta be ok with being alone
Your body is a temple, you better make it you home
Is where you heart is beating
You are not the only one who is bleeding
All you need is the air you are breathing
And you just keep on believin' in
You and everything you do
Then moove aside and let the dream come true
If there's a part of you that wants it too
Then you still got lot to get it worth to do
Así, así ni pa ti ni pa mi
Ni pa ti ni pa mi
Así, así, así
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight
26/12/2016
Nos filmes e livros, e mesmo na vida, admiro as personagens grandiosas, não necessariamente as principais. As personagens a quem se adivinha uma grandeza de espírito, uma nobreza no carácter, que imprimem alegria a tudo o que fazem, gratidão por todos os momentos, que iluminam as cenas em que aparecem... Aprecio sempre, sobretudo, as personagens solitárias, as lutadoras, as que têm História, as que enchem uma cena, mesmo estando sozinhas, pela sua presença, pelos seus monólogos. Personagens que valem por si, que não precisam da bajulação submissa das outras para que seja evidente o seu protagonismo. Admiro o romantismo melancólico da sua solidão e da sua tristeza, porque são momentâneos e enriquecedores e são como o recuar do mar, a preparar-se para regressar numa nova e grande vaga. Aprecio todas estas personagens.
Agora tenho só que imaginar que eu sou uma delas. Se elas são inteiras quando sós, também eu sei sê-lo.
...as especiais, as que nos elevaram acima do que alguma vez poderíamos ter sonhado para nós, sim. Mesmo que as vejamos definhar e morrer lentamente, mesmo que tentemos com perseverança agarrá-las e recuperá-las, mesmo que sejamos nós a ver que não há esperança de retorno e pratiquemos uma "eutanásia" piedosa, cortando o laço, deixando a outra pessoa ir, pedindo à outra pessoa que nos deixe a nós... mesmo que isto tudo, a saudade fica e morde e magoa.
Dizem-me que é normal a saudade, normal a pena, o sentimento de perda. De dois caminhos que se fizeram juntos durante algum tempo e agora se separam, e de molduras que mostravam dois sorrisos numa fotografia, agora substituídas por um sorriso solitário.
Há uma melancolia que caminha comigo nestes dias mas que não me submerge; esforço-me por me manter à tona, por pôr em prática o que tenho aprendido acerca de mim e dos outros e da força que tenho.
No one can travel into love and remain the same.
Eu não estou a mesma, e faço agora esse caminho de descoberta de quem sou agora, do espaço que ocupo e do que me fará novamente feliz.
... E hoje matei duas aranhas que se podem classificar como pequenas mas para quem lhes tem fobia, com eu, se podem considerar de tamanho razoável. Matei-as. Noutra altura teria fugido e gritado por ajuda. A minha mãe comentou a sua incredulidade. Respondi-lhe "estou tao insensível por dentro que já nem consigo assustar-me".
Ela arregalou-me os olhos e exclamou muito alto "estás é forte, burra!" ...sendo que este "burra" é cheio de amor, eu sei.
Mais ou menos violento, mais ou menos activo, mas há um vulcão dentro de cada um de nós, que estremece e lança fumo ou lava doce e regularmente... Ou então que parece adormecido ou extinto durante tanto tempo, para depois se revelar inesperadamente, com violência.
Tenho estado pacífica, nos meus exercícios mentais de arrumar o excesso de recordações e de peso, de transformar, como com fotoshop, as recordações más para não me sentir tão abalada quando elas emergem... Mas do nada às vezes vêm memórias e ideias... E eu verifico que a natureza doce e passiva que tenho é ainda a mesma que foi forjada durante tanto tempo, quando tinha que ouvir desculpas ridículas do meu pai para a violência que exercia sobre nós. Desculpas relacionadas com os pais, que não o amaram, os irmãos, que não o trataram bem, o trabalho, que era duro, o álcool que o escravizava, a minha mãe, por não ser melhor esposa... E eu tinha que ouvir tudo aquilo, acenar que sim, que compreendida, e garantir-lhe que sim, que eu era a amiga dele, que gostava dele e que sabia que nada daquilo era culpa dele. E por fim, tinha que dar-lhe um beijo, tentando ignorar o cheiro de suor e de álcool que o rodeava. E reforçar que sim, eu gostava dele.
Quanta pequenez eu assumia, quanta revolta silenciada.
E do nada lembrei-me disto agora. E choro aflitivamente, para libertar esta emoção, esta pena de mim. E tento pensar na forma inteligente e sã de me erguer daqui. De guardar isto numa caixa. Ou de libertar isto ao vento, como se de pó se tratasse. Como se faz para largar isto e para descolar da minha pele esta maneira de ser que responde docilmente a tudo, não de uma forma racional, não por uma decisão tomada; mas por reflexo, ou instinto. Irracional, de tao entranhado que está.