11/02/2017

Barómetros

Sou viciada neles. Não para medir a pressão atmosférica, literalmente, mas a pressão na minha atmosfera. No Sistema Solar onde Briseis é o centro, o "Sistema Brisar". Os barómetros dizem-me se há níveis anormais de actividade na atmosfera... Como hoje, em que me veio à cabeça, vinda de lugar não identificado, a música dos Kodaline

You make my heart feel like it's summer
When the rain is pouring down
You make my whole world feel so right when it's wrong
That's how i know you are the one.

E eu suspirei de alívio, porque o barómetro disse que estou bem. Emocionei-me com esta música, porque me fez pensar no meu ex-Amor mas, ao mesmo tempo, vi que as palavras já não me serviam, já não eram a minha verdade. Já não era verão no meu coração há tempo demais... e isso significa que estou onde devo estar. Que tomei a decisão certa. Porque aquela música é o que o amor deve ser. Ela serve de barómetro.

02/02/2017

Ode ao Egoísmo

"egoísmo, não, credo! Que coisa feia!"
Deus me livre de algum dia alguém pensar isso de mim... Tiro um bocadinho, o pedaço maior fica para os outros. Não é justo, a mim faz-me mais falta do que a eles, mas se o reivindicar poderei ficar rotulada de egoísta. Assim, tiro só um bocadinho. E se vier mais alguém sou a primeira a oferecer-me para dividir o meu pedaço.

Mas agora basta. O egoísmo é uma manifestação de amor próprio, de respeito próprio. É sermos advogados de nós mesmos. Abri os olhos para esta novidade há dias, e andei a mariná-lá, lentamente. Com medo de exagerar na dose. Egoísmo não é o mesmo que egotismo. O primeiro é bom, é o que diz "primeiro eu. Depois tu." O segundo é catastrófico, é o que diz "Só eu."
O egoísmo foi o patrão de algumas atitudes que tenho vindo a tomar... Não ofendi ninguém, respeitei toda a gente. Não fiz mal a ninguém, fiz bem a mim.
Aspiro ser a pessoa que os outros um dia olharão com admiração e dirão "olha só, vê como ela é egoísta!", como se fosse mesmo uma virtude. Como se fosse exemplar.

25/01/2017

As palavras

As coisas que as pessoas dizem constituem uma parte pequenina daquilo que ouvimos. O resto, a maior parte, é constituído por aquilo que o nosso entendimento lhes acrescenta.
Hoje, acompanhada do meu livro a apanhar sol no cais, um casal velhinho, que não conheço, passou junto a mim e a senhora saudou-me alegremente dizendo: "Assim é que está bem, sozinha... A ler, a meditar...". Olhei e sorri-lhes enquanto passavam e fiquei com aquelas palavras a retinir... Eu estava, de facto, bem, ali sozinha. Estava a ler. E ia fazendo uns pequenos intervalos para me permitir meditar no calor do sol, no burburinho do rio, na alegria do cão que se atirava à agua uma e outra vez em perseguição dos patos. Ali é que eu estava bem.
Mas, na verdade, a minha mente interpretou as palavras de outra forma. Da forma que reconhece que, mesmo que quisesse, naquele momento, eu nao poderia estar senão sozinha. Que estou sozinha, de facto, agora que ninguém partilha a sua existência comigo.
E dei graças por ter vindo apenas esse pensamente triste, em vez do ominoso e sentencioso "aí é que estás bem, sozinha, porque não sabes ser de outra forma e é isso que mereces e é assim que hás-de continuar".
A amorosa senhora não teve noção que, se a imaginaçãome tivesse batido para o lado errado, eu poderia ter-lhe sorrido e, a seguir, ir para casa para cortar os pulsos... Perdoem-me o exagero, mas espantei-me verdadeiramente com a constatação de que, mesmo nas palavras dos outros, é apenas a nossa consciência que ouvimos. Por isso, cuidemos dela com amor e dedicação, para que ela nos cante, em vez de nos condenar.

24/01/2017

Sabedoria graffitada

Numa das milhares de ruínhas que descem da Sé do Porto em direcção ao rio, há um nicho onde se lê num graffiti simples,"we all find your place in this world". (imagino que o artista quereria dizer "our place", mas não é grave.) Tirei uma foto ao meu ex-Amor junto a essa parede, no dia em que lhe mostrei a Invicta, há tanto tempo. Parece que foi ontem. Parece que foi há séculos.
Lá perto, numa outra ruela, tirou-me ele uma foto diante de uma parede em ruínas onde se lê "Quantas cidades tenho em mim?" 
Guardo com carinho ambas as imagens.
Visitei agora a Invicta para mais uma consulta, mais um passo na busca da minha Cura, da minha Paz. E passeei em ruas que ficaram por visitar aquando da outra visita, com ele. Mas não encontrei graffitis. Li na capa de um livro, numa montra, "Ostra feliz não faz pérolas", e isso bastou-me.
Viajei no comboio, no lugar número 13. Não me importei com o azar porque, pelo menos, o lugar era à janela.

Fica a foto de uma gaivota atrevida que, confesso, temi que depois de posar para a foto me atacasse de repente...!

16/01/2017

Flores de Janeiro

Eis que no rigor do inverno, quando menos era esperado, o "cacto" lá de casa resolve rebentar de cor-de-rosa... e a primeira flor, muito precoce em relação às outras, alegrou-me como se duma promessa se tratasse.

(quem vem aqui ao blog sabe que não sou nada dada a postar fotos, muito menos da minha autoria... a ver se com o novo ano isso muda um bocadinho...)

14/01/2017

Será a felicidade invisível?

Lembro-me de ouvir dizer que só damos valor ao que nao temos. Que só percebemos que fomos felizes quando a felicidade nos deixa. Mas eu não.
Eu soube quando fui feliz. Muitas vezes, eu fechei os olhos e pensei o quanto era abençoada, o quanto eu desejava que o tempo congelasse ali, naquele momento; eu inalei ar que sabia ser perfumado daquela maneira única que nos é dada tão raramente pela felicidade. Eu nao irei nunca dizer "naquele momento, fui mais feliz do que nunca, sem o saber", ou "olhando para trás, vejo agora que aqueles foram os tempos mais felizes da minha vida". Não. Eu vi a felicidade quando ela me visitou, eu olhei-a, acenei-lhe ao de leve, como quem diz "tou a ver-te", e desejei e implorei que ela se demorasse... E ela demorou-se o tempo que teve que ser. E agora foi abençoar outros.
Mas sou bem-aventurada até nisto, no facto de não ter sido cega à felicidade quando ela me visitou.

09/01/2017

Só não chora quem não tem coração



Everytime we say goodbye I die a little
Everytime we say goodbye I wonder why a little
Why the gods above me, who must be in the know, think so little of me?
They allow you to go.

When you're near there's such an air of spring about it
I can hear a lark somewhere begin to sing about it
There's no love song finner but how strange is the change from major to minor
Everytime we say goodbye