12/07/2017

O elogio maior...

...é aquele que vê em nós, não um novo e melhor corte de cabelo, nem uma roupa nova e arrojada, mas uma luz diferente no olhar e na pele, que diz ao mundo que o interior está leve e sereno.

06/07/2017

Obrigado

Confunde muito os estrangeiros o facto de a nossa palavra de agradecimento ter declinação masculina e feminina. Mesmo a maioria dos portugueses não sabe ou não entende que quando dizemos obrigado ou obrigada isso depende do sexo da pessoa que o diz, independentemente da pessoa a quem é dito.
E hoje dei conta de uma coisa... Que até me entristeceu, confesso! Só em Português é que a palavra de agradecimento está colada a uma obrigação. Há um dever implícito ali patente, fico "obrigada" perante a outra pessoa. ...ou perante muitas pessoas, quando se ouve aquela maravilha que é o "obrigados"!
"Give thanks" significa dar graças. E Danke, em alemão, é outra versão com a mesma origem. Ou Gracias. Ou Grazie. Ou Merci, de mercê, que significa graça, favor. Todos estes idiomas que conhecemos se limitam ao agradecimento reconhecido. Só os Lusos se sobrecarregam com a obrigação humilde de não deixar a graça por pagar. Obrigado, obrigado, obrigado... Se no mesmo dia vinte vezes recebermos uma benção, vinte vezes nos obrigamos a recordar e a seu tempo retribuir a graça.
Não admira que seja triste e melancólica a Alma Lusa, com as suas Saudades e as suas Obrigações. 

30/06/2017

Só para vos dar a saber...

... que pertinho de onde moro há um sítio assim onde a água é morna...


23/06/2017

Dos Beliscões

Às vezes, a lembrança do que deixámos para trás vem doer-nos. Vem pesar na consciência a dúvida da inevitabilidade. "se eu tivesse sido mais forte", ou "se eu tivesse confiado mais" ou "se calhar ele não fez aquilo para me magoar, se calhar nem imaginava que me magoava". Mas eu descobri a receita para combater esta dúvida, e vou partilhá-lá convosco, como se de uma mezinha contra as dores de garganta se tratasse...
A receita é darmo-nos o direito de sentir dor, independentemente da intenção do outro de no-la provocar. Ele podia até gostar de dar beliscões, a ele os beliscões podiam fazê-lo rir e podia senti-los como uma demonstração de afecto. Mas a mim os beliscões doem. E não é por ele mos dar com amor que me doem menos. Ferem-me e marcam-me a pele. Eu disse-lhe que não gostava de beliscões. Ele respondeu que não compreende como é que eu me sinto magoada por eles, beliscões são uma coisa tão natural. Então eu escolho, por amor a mim própria, não me sujeitar mais a beliscões. Porque me doem, independentemente da intenção com que me são dados. Talvez ele encontre alguém que goste de receber beliscões e sejam felizes. Ou talvez ele encontre alguém que lhe dê beliscões como ele dava a mim e deixe de gostar e compreenda pela primeira vez a dor que me provocou.
Quanto a mim, eu liberto-me dos beliscões, liberto-me da dor. Quero gente que em vez de beliscões dê carícias.

17/06/2017

A vida é feita de milagres

...e um deles é ser capaz de escrever isto hoje, depois do post que escrevi ontem. Há milagres.
Não aconteceu nada. Não mudou nada, excepto dentro de mim. A luz acendeu-se. E eu vejo que se me desiludo com pessoas é porque estou a viver.
E se tenho memórias que doem e se carrego saudades e uma ternura imensa por quem já não faz parte da minha vida, é porque tudo valeu a pena. Se não houvesse esta dor, era porque nada havia a recordar ou perdas a lamentar.
Se tudo isto existe significa que eu também existo, e existem comigo escolhas e emoções.
E tudo é um milagre. Podia ser caos, a nossa vida. Mas é um milagre (quase) ordenado.

Imagem retirada da internet

16/06/2017

Há dias em que a estupidez sai à rua.

As pessoas que me rodeiam vão-me desiludindo.
A besta do facebook recebe-me com fotografias antigas porque acha que eu vou gostar de recordar que neste dia, há 4 anos atrás, estava mais feliz do que estou hoje, a passear e a descobrir sítios novos e acompanhada da pessoa que me fez tão feliz.
Toda a gente faz planos melhores do que os meus, mas sinceramente eu não tenho pachorra nem energia para fazer planos iguais ou semelhantes.
O calor deixa-me rabugenta e irritável, mas a outros parece que lhes diminui as faculdades cognitivas, só me saem empecilhos e monos.
Desespero e desanimo... não sei se o que tenho em mim é mais tristeza ou raiva.
E chafurdo neste mau humor, rebolo e cubro-me toda com ele. Não tenho vontade nem imaginação para mais. Não vou levantar a cabeça e endireitar os ombros só porque me dizem que é o melhor que posso fazer. Se não me apetece, se não estou nesse estado de espírito, vou ao menos ser verdadeira.
Se dentro de mim a luz hoje está apagada, então não vai haver artifícios luminosos nas janelas só para que quem passa de fora pense que está tudo normal. 

12/06/2017

Conheço uma pessoa que conhece um senhor... Por acaso é brasileiro mas isso não concorre para esta história. Esse senhor é casado e diz a quem quer ouvir que não precisa da mulher para nada. Não precisa da mulher para ser feliz. E ela sabe disso. E esse é o maior elogio que ele poderia fazer-lhe.
É que ele, na verdade, não precisa dela. Mas escolheu estar com ela. Ele era já um homem inteiro e pleno e gostou tanto dela que a escolheu para partilhar essa existência serena com ela. E ela aceitou-o de igual modo. Não há ali necessidade, dependência, conveniência, um cobertorzinho quente ou um aquecedor de pés. Há a vontade de partilha, deliberação em ser companheiro, ser mais e melhor do que seria ser sozinho.
Isto parece prólogo para um filme ou um livro, mas é real, segundo ouvi dessa pessoa minha conhecida. E é uma bonita lição.
Quantos de nós se identificam com aquela forma de ser? Algum dedo no ar? O meu não, certamente... Mas se der para aprender este estado de ser, eu vou consegui-lo.