Foi a lição de hoje e vou transforma-la num mantra. Busquei segurança em palavras, regras, etiquetas e protocolos. Ser irrepreensível, ser paladina da boa conduta, assertiva, falar claramente e escrever ser erros ortográficos e colocar todas as vírgulas onde devem estar. Sem esquecer o acento no i de vírgulas. Não é corrector ortográfico. Sou eu que o ponho.
Vou-me transformando numa máquina. Sempre gostei de catalogar coisas, até a mim mesma. Fazia aqueles testes de personalidade para ver qual era o meu tipo, a minha personalidade escondida, a figura pública que é a minha alma gémea, quem eu seria se tivesse vivido na Idade Média, ou se fosse uma personagem dos Simpsons, ou uma cor, ou uma bebida... Fiz esses testes todos e mais alguns. Se eu fosse uma princesa da Disney, seria a Mulan. Se bem que, como a Bela gosta muito de ler, gosto de pensar que nos intervalos das batalhas, a Mulan se possa transformar numa Bela que devora livros na biblioteca que lhe foi oferecida pelo seu amado Monstro. Sempre atrás de rótulos, de regras e Leis Universais. Caixinhas. Tudo enfiado em caixinhas. Eu própria. E se algo não servir em caixa nenhuma, alarga-se o critério de uma das caixas existentes ou arranja-se uma nova... Ficar algo desarrumado é que não!
Refugio-me no pensamento porque me parece mais fiável e seguro. A emoção abana-me e sufoca-me. Mas sem ela também não se vive, não é verdade?

