Mostrar mensagens com a etiqueta egoísmo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta egoísmo. Mostrar todas as mensagens

19/01/2013

Imortais



A Imortalidade é uma ilusão, quase sempre. Uns poucos eleitos foram bafejados por ela mas a ignorância que grassa na nossa sociedade de culturas-gerais que sabem um pouco de tudo sem saberem nada de coisa nenhuma, até a esses ameaça.
Mas ele insiste que não é assim. Que basta partilhar uma música para que fiquemos imortalizados na memória um do outro. Uma música, é quanto basta... quanto mais tudo aquilo que já partilhámos...!
Não tenho ilusões a esse respeito. E comove-me tanto perceber que, embora escaldado, ele continua a mantê-las...
Será o meu pessimismo crónico, a minha mesquinhez embutida que me fazem ver as coisas desta forma? Uma forma efémera, frágil como vidros. Hoje somos tudo e todos os dias o meu primeiro pensamento vai para si... Mas, amanhã, a vida acontece, um azar acontece, a verdade acontece, e seremos repelidos um pelo outro à mesma velocidade com que fomos atraídos, mas em vez da inocência que nos trouxe, agora é algo corrosivo que nos leva...
E eu leio os seus livros, e ele ouve as minhas músicas, e eu acarinho o que é seu, e ele aceita e ri do que vai de mim, e eu vejo-me rodeada daquilo que é dele... Mas vejo sombras em tudo. Sombras que dizem "aproveita enquanto tens"... ao passo que ele anda encandeado por luzes que parecem gritar-lhe "constrói, porque será eterno".
Qual de nós andará mais equivocado?

10/01/2013

Às vezes...

...Às vezes eu pico. Eu doo.
Às vezes eu rosno e a seguir rio. Mas, às vezes, se não levam o meu rosnar a sério, eu mordo e arranho e rujo.
 
Não quero magoar. Não quero ferir. Eu aviso. Eu grito a minha imprevisibilidade e a minha exigência agressiva por espaço e controlo. Mas, às vezes, pensam que o faço por graça. Ou por desafio.
Não é uma coisa nem outra.
 
Hoje dei uma ferroada no meu amigo. Ele acusou o golpe. Eu senti-me miserável. Mas eu não vou pedir desculpa ou recuar. Que legitimidade tenho para o fazer se sei que, se me vir de novo na mesma situação, vou repetir o ataque?
 
Então, pico e afasto-me. E peço por tudo que a prudência o aconselhe a manter-se no mesmo sítio.
 

04/01/2013

O que não sabes sobre mim...

...o que pensas que sabes?
Não sabes da minha pantomima. Do papel que represento, incontrolavelmente, instintivamente. Não sabes que a dada altura os olhos me começam a pesar, as palavras secam e os músculos da cara deixam de responder. Acaba-se-me a deixa e fico atordoada porque não sei improvisar. Então sacudo-te. Tomo-te em doses pequenas, bem medidas. Para meu benefício, mas também para o teu.
Não sabes dos meus dons divinatórios. Agoirentos, sempre.
Nem imaginas o quanto me arrepia e desconcerta a tua mania de seres imprevisível. Pensas que me ajudas confessando-me os teus devaneios antes de os concretizares, para eu me habituar, para ter uma reacção antes e serenar, depois. Mas a confissão da tua insana intenção apanha-me desprevenida e desconcerta-me na mesma...
Não sabes os meus rituais. As minhas manias. E olha que são intoleráveis. Dizes que lhes achas graça, como toda a gente acha graça às primeiras vezes que o cachorrinho arranha os móveis. Daqui a nada vão começar a castigá-lo se continuar a fazê-lo. Pô-lo fora se mesmo assim não se corrigir.
Não sabes que quando eu digo dos meus desequilíbrios falo a sério. Nem entendes que quando falo da minha solidão, o faço com amor a ela.
Por fim, muito provavelmente, também não sabes que digo isto, não para preencher o vazio do que desconheces de mim. É para poderes imaginar até onde vai a tua ignorância.
 

02/10/2012

Amazing moments in life

Às vezes penso que há algo de errado comigo...
Não penso que sou única, mas penso que sou parte da minoria, sou parte do grupo de poucas pessoas que não querem (ou não sabem) VIVER com os outros.
O meu convívio com os outros faz-se em minutos bem precisos e contados, em certos locais e contextos e um deslize para fora desses limites deixa-me, às vezes, desconfortável, outras vezes, em pânico.
Às vezes penso que me falta algum químico no sistema, alguma ligação no circuito, que me faz tão singular. Tão incapaz de ser NÓS num par ou no meio de um grupo; ser sempre Eu e os Outros.
Como se fossem extraterrestres, todos. Ou eu... como se fosse eu a extraterrestre e não me possa desconcentrar em momento nenhum, dar nenhuma resposta errada, fazer nenhum gesto estranho, destacar, sob pena de ser descoberta, exposta, devassada...
Há dias em que penso que há algo de errado comigo mais insistentemente do que noutros... Hoje é um dos dias mais...
E eis que, já a preparar-me para me recolher (uma das minhas horas favoritas do dia!), a internet me atira com esta: 

(imagem retirada daqui)

...e dei-me conta que, nesta lista, só 4 pontos estão directamente dependentes de outros..
E comovi-me. Comovi-me até às lágrimas, por ridículo que possa parecer... porque, afinal, a monotonia inóspita que é a minha vida deve-se, afinal, ao facto de eu saber aproveitar maravilhosamente os meus momentos sem ninguém. Isso preenche-me. Isso faz com que eu não sinta (quase nunca) falta de gente à minha volta..

E, quando sinto, normalmente sento-me e espero que passe...

22/11/2011

Não sei bem o que chamar a isto...

Não sou de ninguém e, por isso, preciso entregar um bocadinho de mim a toda a gente. Ocasionalmente, este "entregar" roça o "impingir" e o "impôr". Gosto de pensar que é uma aceitação recíproca, que quem me aceita o "bocadinho" recebe também em troca algum amparo e companhia. Como duas cartas que se suportam, encostadas uma à outra, para construir um castelo.

Mas até nisto sou egoísta, porque dou o meu "bocadinho" bem racionado e medido e não tolero que me peçam ou tentem extorquir mais do que isso.

Por fim, sou reles, porque não raras vezes gostava de me encostar a uma carta que já está escorada noutra. Orgulhosa demais para o manifestar, vejo, às vezes, alguem deixar em suspenso o seu suporte para me atender por um momento. E aí sou reles porque devo gratidão a quem veio e vergonha a quem ficou à espera... Reles, eu.

10/10/2011

Who's been a bad, BAD girl?

I have!


Sabem o que é delicioso? Mostrar as garras a quem nos ensinou que as tínhamos.

Sabem porque é que os animais criados em cativeiro se tornam uma ameaça para o tratador, mais cedo ou mais tarde? Sim, há a treta do instinto e tal... mas tambem é porque é irresistível mostrar o nosso poder a quem no-lo ensinou, numa de "o aprendiz superou o mestre".

É uma vertigem, um capricho, ser deliberadamente cruel com quem tantas vezes lamentou eu ser demasiado condescendente e permissiva com os outros. É delicioso.

07/10/2011

Não. Não... Não!!

Ando com os meus fantasmas, eles seguem-me. Conto os passos até casa. O sol vai à frente, a indicar o caminho e a provocar-me os olhos. Baixo negligentemente a cabeça, como se de um transeunte indesejado se tratasse. E avanço em passos rápidos. Para chegar a casa, rápido, rápido. Não, hoje não estou com medo. Hoje estou simplesmente desagradada. Estou tolerância zero para conversa da treta, para ouvir falar mal de quem quer que seja, para estupidez crónica, para amuos mesquinhos. Não me apetece teatro, não me apetece ser compreensiva: balbucio uma desculpa (ou então nem me dou a esse trabalho), ocupadíssima!, e zarpo para outra freguesia. "Não queiras saber de mim, esta noite não estou cá..."
Chego a casa satisfeita e descanso. Não me apetece gente, não me apetece futilidades, hoje estou importante, não quero saber das tuas teorias sobre lâmpadas fundidas, não me enerves com os teus caprichos mesquinhos e problemas de integração mal resolvidos, não me vou dar ao trabalho de te contrariar hoje, a tua voz irrita-me. Não me interessais, hoje.

Hoje sou senhora do meu nariz e o meu sorriso não está ao preço da chuva, como estais habituados a pensar. Hoje estou, verdadeiramente, num pedestal. Não porque tenha lá subido, mas porque o resto do mundo, e vós lá incluídos, desceu de nível a meus olhos...

01/09/2011

Bicho do Mato

Sou.
Eu sei. Eu já sabia, só que não me lembrava.
Ninguém merece viver comigo porque eu também não sei viver com ninguém.
Chegar a casa a pensar que vou comer deliciosos Redon* e descobrir que já foram comidos deixa-me mal disposta para o resto do dia, quiçá da semana? Não estou a ser mesquinha. O jantar foi para dois, a dose dava para quatro, eu comi pouco, e não haver nada no dia seguinte... é de me atirar ao ar!
Chegar a casa e ver que aquela velinha cheirosa que comprei já foi encetada enquanto eu nem estava em casa, põe em desatino os meus instintos possessivos mais básicos.
Já para não falar de chegar a casa e ter uma chave enfiada no lado de dentro da porta... quando a ocupante da casa está de fones... (será que é phones?)
Acabou o sossego, acabou a previsibilidade das coisas, acabou eu deixar algo à mão de semear porque, quando voltar, já terá passado um furacão que mudou tudo de sítio e espalhou meias e sapatilhas e elásticos de cabelo em todas as divisões da casa.
Coisas inúteis como pastilhas elásticas e bandoletes estão em cima da mesinha da sala, quando o que eu queria lá era o meu livro, para lhe pegar quando me sento no sofá... onde é que ela pôs o meu livro?
Sou Bicho do Mato, pronto... Começa a chegar a hora de arranjar a minha própria toca.

* Redon: Forma erudita de dizer "restos d'ontem".

04/05/2011

Uma dica...

Queres ser irresistível? Dá-me razão.

...quando não a tenho, é óbvio. Por isso é que preciso que sejas tu a dar-ma.
Quando vires que estou a ser tacanha e limitada, egocêntrica e desprezível, vem dar-me razão e respirar comigo a revolta.
Se for para me dizerem com boas palavras que não estou certa, que não agi bem, venham os amigos. Se for para me ouvir e confortar e "tenta resolver da melhor maneira", venha a família. Se for para me gritar a minha mesquinhez, venham os meus antagonistas. Mas se for para partilhar o meu espírito corrosivo, insuflar o meu egoísmo e acarinhar os meus erros, então vem tu.

Sê irresistível e sensual aos meus olhos. Dá-me razão.

06/12/2010

Ira

A ira é um sentimento admirável.
É menos requintada do que o ódio e menos impulsiva que o ciúme, é certo; mas destes três, é a minha favorita. O ódio tem raízes profundas e é destrutivo a longo prazo. O ciúme é um atrofio crónico numa mente doente e é sempre originado em favor de uma outra pessoa ou objecto, o que é desprezível.
A ira, não. A ira fala na primeira pessoa. Eu encho-me de ira por mim. A ira é egoísta e narcisista. Faz um cordeiro rugir que nem um leão; é uma corda que vibra de modo intenso e irracional e que dissolve no seu reverberar toda a razão e bom-senso.
Sinto-me irada. Tem sido a palavra que me electrifica a mente nos últimos dias: IRA. Pelo que não posso, pelo que não quero, pelo que me obrigam. Por revolta, por desprezo, por rebeldia, por simples insubordinação ridícula e teimosa. Sou isto tudo, abominavelmente caprichosa.
E o pior é que não me envergonho. É outro dos requintes da ira: o sentimento avassalador que tudo justifica e legitima, mesmo que não tenha razão nenhuma.

12/07/2010

Há algum nome para isto?

Tenho neste preciso momento dentro de mim um sentimento tão feio...!

Nas últimas noites eu tenho saído. Arranjo-me e tento estar bem com os que me rodeiam. Não são os meus amigos de longa data, já que esses desertaram... São pessoas que conheço tão pouco mas com quem rio e com quem consigo manter uma conversa ligeira e saudável. Não exigem nada de mim. Nada tenho a exigir deles. Estamos juntos porque disfrutamos a companhia uns dos outros. E isso é, afinal, uma boa base para chamar alguém de amigo. E passei algumas vezes pelo meu "outro amigo", o das obtusidades... E soube que estou melhor. Estou mais desperta. Não me preocupo tanto. Não ligo tanto a ninharias. Porque o meu mundo era reduzido e os meus amigos governavam-no despoticamente. Agora eu sou livre. Cresci. E sei que isto soa tudo muito mal e individualista e tudo... Mas eu sei que está a ser positivo para mim porque eu era o extremo oposto.

E agora, do nada, ele manda-me mensagem a perguntar se não acho que já deveríamos ter falado; dando-me oportunidade para pedir desculpa... E eu comecei a sentir algo feio... Algo do tipo "antes era eu naquele papel. O elo dependente e pequeno; que não suportava a ideia de haver alguém zangado comigo; que fazia tudo por tudo para tentar resolver as coisas a bem, por falar sobre os temas "fracturantes" e promover a compreensão. Antes era eu; hoje é ele. Hoje sou eu a grande; a independente; a que tem a certeza dos passos que dá. Podem não ser os certos, mas são os mais acertados para mim."

É feio, eu sei... Mas sabe tão beeeeeeeeem...

E o melhor, melhor, é que não pedi desculpa. Falei. Ele falou. E já não está zangado. Porque percebeu que, independentemente da opinião dele, eu iria manter-me fiel à minha.
Que nome se dá a isto tudo??!

07/07/2010

Acerca do egoísmo...

Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo, em "O Eu Profundo" de Fernando Pessoa;

O egotista é um sujeito com mau gosto, mais interessado em si próprio do que em mim, em "Dicionário do Diabo" de Ambrose Bierce;

Qualquer homem que vos censura por só falardes de vós apenas o faz porque nem sempre lhe dais tempo para que ele fale de si, de Claude Crébillon Fils
Ando numa de citar as palavras alheias... Sempre gostei muito de ouvir e discutir os pensamentos e opiniões dos outros. Maravilha-me ver como cada cabeça interpreta de forma tão distinta e independente factos que, à partida, parecem tão óbvios.
A lógica é inteligente mas castradora porque não permite devaneios; é uma sequência, uma cadeia. Mas o pensamento e o juízo humano são completamente livres e delicia-me estudá-los e entendê-los. Gosto de saber a opinião dos outros acerca de tudo; se há uma novidade no trabalho ou no meu grupo de amigos pergunto a toda a gente o que acha do acontecimento, mesmo que saiba que vai haver opiniões discordantes; se leio uma notícia num jornal on-line vou imediatamente ler os comentários que suscitou... Quero ouvir os argumentos e entender os pontos de vista. Uma vez disseram-me que, por ser assim, estava a dar um sinal de que não tinha opiniões próprias. Não me caiu bem porque não foi uma simples observação; foi uma bomba atirada para me atingir. Porque para mim está sempre tudo bem, compreendo sempre tudo, nunca estou contra nada...
Mas isso é bom. Eu tenho a capacidade de perceber os pontos de vista dos outros, de me colocar na sua pele... E não partir simplesmente do princípio de que a minha opinião é a mais acertada ou que sou dona de toda a verdade dos factos.
Até porque egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos. (Oscar Wilde)