22/07/2016

Acerca das bananas e da perda de confiança

Há uns anos atrás, ia abrir uma banana e, em vez de a casca se abrir como seria de esperar, dobrou. Eu agarrei no "chapeuzinho" e puxei para o lado e para baixo, como de costume, mas o que aconteceu foi a casca dobrar, em vez de partir; ficou a polpa toda esmagada e mole no interior e a banana fechada. Tive que usar uma faca. A partir daí o feitiço quebrou-se, a confiança perdeu-se. Nas vezes seguintes em que fui para abrir uma banana, pensei no gesto que ia fazer para a abrir e, em vez daquele movimento natural e decidido que toda a gente faz instintivamente, o que fiz foi tão desajeitado que voltei a dobrar e amassar a banana em vez de a abrir. Hoje, se não tiver uma faca por perto, peço a alguém que me abra a banana porque tenho medo de voltar a amassá-la.
E é tudo uma questão de confiança. De fazer as coisas de forma instintiva e natural. Quando o resultado não é o esperado, despertamos para a possibilidade de isso se repetir e, a partir daí, o que antes era natural e resultava, passa a ser temido, programado e, por causa do excesso de zelo, pode acabar por falhar.
Nas bananas, como na vida.

12/07/2016

Nota para mim mesma

...e para quem mais ler, porque acho que toda a gente merece este conforto.
 
Que nunca me arrependa. Sem ligar àquela distinção de "arrepender do que fiz" vs. "arrepender do que não fiz". Arrependimento de qualquer tipo.
Não deveria haver lugar para o arrependimento nas nossas vidas. Tudo o que fazemos é fruto do nosso raciocínio ou da nossa emoção ou da nossa vontade... é fruto de algo que nos move e que nos faz acreditar que será o melhor. Todas as nossas atitudes são feitas tendo em vista o melhor, certo? Não se tomam decisões a pensar "sei que isto é a pior solução mas vou por aqui só porque me apetece sofrer um bocadinho mais  ou perder um bocadinho mais do que é a minha conta".
As decisões são tomadas com base no que temos, seja essa base bem fundamentada ou não, real ou ilusória. Não é isso que está em causa. Em causa está haver uma razão para o que fazemos. Se depois o resultado não é o esperado, não é culpa nossa. Não cabe arrependimento.
Se vier arrependimento é porque estamos a esquecer partes da história. Se parecer que fomos burros ou tontos é porque sabemos mais agora do que no momento.
Mas as decisões que tomamos com base no que nos é dado, são a pensar no melhor.
Não cabe arrependimento. Arrependimento inútil, que só pesa às costas e nos absorve a alegria.
Mudar de rumo, sim. Quando é preciso. Arrependimento pelo caminho feito, não. Nunca deveríamos permitir-nos isso.

04/07/2016

A vida é o que acontece enquanto eu estou ali encolhida a ter uma crisezita de ansiedade.
Não quero mais isto. Porra.

02/07/2016

É esse o espírito!

Hoje acordei a sentir-me triste e magra. Triste porque faz parte de mim. E magra porque é como fico quando a tristeza e a ansiedade me perturbam o apetite. 

Mas passaram algumas horas. Tive momentos em que sacudi a sensação. E momentos em que a sensação voltou.
Fui almoçar com pouca vontade, demorei eternidades a engolir um parco almoço. Em alguns momentos de distracção sinto-me mais tranquila e menos triste, e já não me sinto tão magra.
É este o espírito a manter! Tropeções, sim. Mas arribar sempre!