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16/11/2012

Luz...?

(imagem do filme "The New World", retirada de http://filmgrab.wordpress.com/movies-a-z/)

...não é irónico que, sendo tu Luz, sejas também a única responsável pela existência de sombras?
 
Que as sombras onde me movo sejam sempre de protecção, de onde eu possa ver e habituar-me à Luz. Que sejam sempre assim e não sinónimo de escuridão.
 
 
 
Hoje, numa brincadeira, caí e dei uma valente cabeçada no chão... já passaram horas e ainda a sinto latejar, tanto no sítio onde bati (nuca) como no lado oposto (testa)... Qualquer incongruência deve ser, por isso, perdoada...

18/05/2012

Reflexos

No ginásio há um espelho onde sou sempre feia. Fico muito alta e esguia, tornozelos demasiado finos, pele demasiado branca. É o espelho que fica em frente ao sítio onde costumo fazer as aulas, por isso, não consigo evitar olhar para ele. Em compensação, o que me fica à esquerda é detestado por toda a gente porque, aparentemente, faz as pessoas parecer mais gordas, largas, redondas... Gosto de me ver nesse.
É perigoso, isto. Nós não prestamos atenção mas devíamos ter cuidado, muito cuidado, com os espelhos em que nos vemos. Evitar os que nos mostram enganadoramente o que queremos ver, não procurar aqueles que nos dão bonitas palavras ou um abraço, só porque é o que precisamos no momento; e não ter medo dos que nos dão uma imagem diferente da que queríamos para nós. Perceber que são espelhos. Espelhos não são nós. Como o dedo que aponta para a Lua não é a Lua. Em vez disso, em vez de espelhos, termos a coragem de olhar por nós abaixo, literalmente. Olhar para nós e vermos, sem interpretações ou reflexos manipulados, as nossas mãos, o nosso peito pesado e dolorido, ou talvez orgulhoso e sorridente, os nossos pés, os mesmos que caminham por nós todos os dias. Ter a ousadia de nos vermos em tamanho real, e três dimensões. Que aceitação plena viria, se soubessemos fazer isso...!

13/06/2011

Fight Club

Na véspera, já só consigo pensar nisso... Que está quase! Stress acumulado, frustrações engolidas, ultrajes suportados... tudo ficará sanado em meia dúzia de golpes enraivecidos.


No Dia D, visualizo e anoto mentalmente motivos e pretextos. Devem ser todos bem insuflados para que nenhum atentado ou nódoa fique sem resposta e para que não me falte a convicção, a força e a raiva em algum dos assaltos. Tudo devidamente avivado e catalogado, começo a preparação. A adrenalina já sobe e as mãos tremem-me enquanto aperto com força os atacadores das sapatilhas. A roupa é confortável, sempre. E larga, solta. Para que não prenda ou refreie os movimentos.
Parto confiante e feliz e vou ganhando confiança e estatura à medida que avanço. Mal posso esperar por ouvir o primeiro toque do gongo. O começo é sempre moderado, um aquecimento, uma habituação aos movimentos pouco costumados. Estico o braço direito, punho bem cerrado, nós dos dedos cortando o ar, o tronco acompanhando o movimento do braço para dar mais intenção ao golpe. Preparo uma série de joelhos aguçados e termino com pontapés bem lançados.
Diante dos meus olhos desfilam rostos, ora sorridentes, ora amolgados pela força vingadora da minha sapatilha. Viro-me, troco de perna e recomeço. Ouço as vozes dos que me atacaram e abafo-as com os meus gritos de guerra, dignos dos filmes do Van Damme.
O ar, pobre dele, não me responde e é por isso que, com meia dúzia de golpes e Yahhhhhhhs! eu consigo sentir-me quite com o mundo e com os outros. A sala está cheia de gente que, apesar de concentrada no mesmo que eu e repetindo os mesmos golpes, está imersa num mundo só seu, a curar os seus próprios rancores.
O Body Combat é isso. Uma espécie de Fight Club onde todos se respeitam demasiado para se agredir entre si. Em vez disso, vamos golpeando o vazio à nossa volta, preenchido por cada um ao sabor da sua raiva. Os espelhos vão embaciando, como se a ira se evaporasse directamente pelos poros e se fosse colar ali, visível e apaziguadora.
Chegádos cá fora, ninguém suspeita o ritual que levámos a cabo. É doloroso e cansativo, mas essencial. Terapêutico. Porque não podemos agredir, esbofetear e pontapear abertamente o pessoal que por aí anda, mesmo que mereçam. Aquela sala é confessionário e sanatório, onde descarregamos sem o risco de que outro punho venha desenfreado em direcção às nossas caras larocas.
Para a Fábrica de Letras, mês de Junho - "Os Problemas Resolvem-se à Chapada"

22/07/2010

Carpe Diem...

...é muito mais fácil de praticar do que pensamos...Não é preciso grandes gestos ou rebeldias... Basta fazer o trabalho bem feito, ir para o ginásio com vontade de "suar a camisola" e suá-la mesmo... Sair do ginásio e, precisamente quando estamos a aproximar-nos de casa, começar a dar uma daquelas músicas que já não ouvimos há algum tempo e que, combinada com o céu cor-de-rosa do lusco fusco, torna o fim da tarde celestial... Vai daí, eu contorno a rotunda e vou dar uma voltinha pela marginal, para apreciar o momento...
É destas pequenas coisas, meus amigos... É destas pequenas coisas que são feitos aqueles momentos que ficam para a posterioridade...

05/04/2010

Alegria Pascal

Uma semana de imenso trabalho e trabalhos fora do trabalho, as actividades ligadas à Páscoa, a partida da mãe, família para passar a Páscoa cá em casa... E eu aguentei tudo muito bem, diga-se... Gosto da Páscoa. Gosto da alegria, dos Aleluias, da Missa da Ressurreição, longa mas soleníssima... Enfim... Tudo isto terminou hoje. Foram dias frenéticos e, depois, em menos de 2h já toda a gente tinha ido embora.
Precisava ficar só. Precisava de um tudo-nada de egoísmo. Por isso, aproveitando ter ficado sozinha em casa porque a mana foi dormir a casa da avó, fiz duas aulas seguidas no ginásio, cheguei a casa feita num 8, jantei sentada no sofá, tomei um duche ultra demorado, besuntei-me de creme, vesti o pijama e deitei-me no sofá com o computador...
É óptimo assim.
Não o estar sozinha. Não o estar cansada. Mas o não me sentir mal... ou melhor, sentir-me bem por estar assim.
Em dias como hoje, eu sinto-me grande. Sinto-me capaz.

20/03/2010

Acerca do post anterior...

Resultou. O ginásio resultou.
A porca da minha ex-patroa disse-me por mensagem, e depois de andar a enrolar-me com palavras simpáticas durante mais de meio ano, que não me vai pagar os últimos dois meses que me devia como penalização por eu ter rescindido do contrato sem dar dois meses à casa, como era devido. Entrementes e entretantos e pormenores à parte, ela não tinha o direito. É uma cabra dissimulada e sem vergonha na cara e, agora, ladra também.
Saí do trabalho mais do que estragada, a tremer por todos os lados e a dar graças por estar escuro porque, se o meu aspecto traduzisse bem o que eu estava a sentir, a minha cor deveria estar próxima do verde.
Lá me arrastei para o ginásio, sempre a ver se via a porca passar porque, eu juro, estava capaz de lhe passar com o meu mui possante lancia Y em cima.
Mas o ginásio e a aula de pump fizeram efeito. Cheguei a casa ainda enervada mas de uns nervos daqueles que dão para rir, e já não para tremer...
P#&@ que pariu isto tudo...

19/03/2010

Quero a minha cama!!!

Há dois ou três dias que ando um tudo nada... assim... tipo.......como dizer?..... Mole.
Cansada. Tenho uma ligeiríssimo mal-estar físico. Um pesozito na cabeça. Uma dorzita na barriga. Canso-me a subir as escadas, o que não é costume.
Ainda assim, numa atitude de cruel masoquismo, ontem lá me atirei pro ginásio, como se nada fosse. E cheguei a casa a sentir-me muito melhor! Até comi o jantar com apetite e tudo... Hoje vou lá outra vez, a ver se o efeito se repete.
Vou trabalhar no fim-de-semana. Depois folgo um dia. Depois trabalho três e folgo na sexta. Trabalho outro fim de semana e só tenho folga (uma, só) ao fim de quatro dias. E ontem o sol deixou-me pegajosa; transpirei. E hoje o dia tá cinzento e húmido e tenho as mãos frias e pegajosas por causa da humidade. E é dia do pai e não me apetece ligar ao meu. E tenho que falar à minha ex-patroa pela enésima vez, a ver se a fulana me paga o que me deve. E daqui a uma semana a minha mãe vai embora outra vez. E na terça feira há um mega evento no trabalho onde vou ter que fazer uma apresentação de cerca de 1h para um grupo de cerca de 100 americanos e estou um bocado ansiosa... A ansiedade, sempre!
De modos que apetece-me enfiar umas peúgas nos pés e ir pra cama e ficar no escuro, quentinha. E respirar devagar.


Há dias assim... Amanhã já passa...

22/10/2009

Dizer não ao sofá

Passei o dia indisposta. Com uma leve dor de barriga, pouca vontade de comer, tive frio, sentia cansaço... Espirrei algumas vezes e, por 2 segundos, pensei se teria Gripe A. Percebi que não. Deitei-me no sofá. Dormitei e acordei mesmo a tempo de ir para o ginásio fazer a aula de step. Hesitei, pensei não ir. Mas fui. "O pior que pode acontecer - pensei - é eu ter de facto gripe A e contaminar toda a gente (que me vai ficar infinitamente agradecida por poder faltar ao trabalho) ou, no caso de isto ser só fraqueza, por causa das minhas eternas anemias, desmaiar". Lá fui.
Foi tão bom...!!! Esqueci as dores, esqueci o frio, esqueci que já não sou a melhor amiga do meu melhor amigo (simplesmente porque ele já não pode/quer ser o meu melhor amigo também), esqueci aquela tristeza estúpida que, de quando em vez, vem morder-me os calcanhares, e dancei... Cheguei a casa cansada e bem disposta.
Às vezes, quando o malvado do sofá nos tenta seduzir, há que dizer que não. Lá fora há gente e esquecimento. E quando estes não resultam, o sofá está lá na mesma, quando voltarmos para casa.