
... são a pior coisinha que por aí anda. Falo por experiência. Estou qualificada.
Fazem-nos sentir bem, tranquilos e capazes. Por nos sentirmos assim, com conselho do médico ou por auto-recreação, vamos reduzindo a dose ou abandonamos totalmente. E, então, cai tudo sobre nós novamente. E voltamos à estaca zero: buscar alívio nos comprimidos.
Os medicamentos normais curam. Toma-se e fica-se bem. Mas anti-depressivos e calmantes não são mais do que anestesias. Mantêm-nos dormentes e insensíveis às coisas que nos fazem vibrar da maneira errada, e mantêm pensamentos maus fora da nossa cabeça. Ficamos mais leves, a concentração diminui, assim como a nossa memória.
Mas o "podre" continua lá. Só foi cortada a ligação que ele tinha ao nosso sistema. E não mais do que isto.
Um dia, apercebi-me deste facto. De que andava iludida. De que não ia ficar curada daquela maneira. Então parei. De um dia para o outro. Não tomei mais nada. Não consultei o médico. Sofri, mas ergui-me. Aos poucos. Tão lentamente que quase não se via evolução. Só hoje, decorridos mais de 2 anos, é que me dou conta que há, de facto, alguma melhoria.
Apesar de tudo, tenho sempre comigo uma caixinha SOS. Preciso dela. Porque apesar do caminho que estou a percorrer, há momentos em que tudo é grande de mais e eu preciso de um empurrão. É claro que era muito mais bonito fazer cara de má e dizer alto e bom som "Não!posso cair mas levanto-me...mas não volto a tomar porcarias!". Mas há certas coisas, certas oportunidades e experiências que me seriam dolorosas e que me passariam ao lado porque eu estaria com um ataque de ansiedade. Então (acontece muuuuuito raramente mas) quando vejo chegar uma coisa boa que, inexplicavelmente me faz sentir aflita e ansiosa a um ponto desconfortável, eu tomo um desses SOS uns dias antes. E tomo um dia sim-dia não até acontecer. Porque em vez de andar eternamente a cabecear e a resisitir à ajuda dos medicamentos, eu prefiro ceder de vez em quando e ter a certeza que não perco uma alegria, uma oportunidade, que a gozo a 100%.
E depois, isso até me ajuda a pensar "vês? custou alguma coisa? precisavas mesmo daquilo? não...!". E, na vez seguinte, talvez já me aventure sem "muletas".
Acham que estou errada?