Não tá fácil... Os últimos dias não têm sido fáceis.É esta altura do ano. É o tempo. É a ansiedade. É eu. É o raio que o parta... Não sei. Não tenho justificação. Sei só que, apesar de gostar do Outono, o mês de Setembro é fatal para mim. Porque os dias ficam mais curtos e mais escuros, e eu tenho medo do escuro. Porque o Verão está a queimar os últimos cartuxos e toda a gente corre para aproveitar os últimos momentos, como se isto fosse uma contagem decrescente para coisa nenhuma. Contagens decrescentes deixam-me nervosa, seja para o dia do meu aniversário, para o Ano Novo, para o final de um jogo de futebol, para sair do trabalho... Porque estamos a aguardar ansiosamente o fim de algo para depois fazer o quê??! Bater as palmas? Comer passas e pedir desejos? Gerar uma discussão com os colegas sobre que equipa jogou melhor, independentemente do resultado?
Há toda uma série de coisas a preparar-se à minha volta; para amanhã, para daqui a uma semana, um mês, quatro meses... E eu já me sinto sufocada por elas.
Eu sou ovelha, indolente e indefesa, desprevenida perante os impulsos imprevisíveis dos lobos que me rodeiam.
Não quero ser ovelha. Não quero ser alvo nem quero ser notada. Não quero que me surpreendam. Não quero que me digam que sou tudo. Não quero flores. Não quero ser esperada.
Setembro é um mês difícil. Era o mês em que o meu pai vinha para perturbar. Era quando eu tinha que voltar para a faculdade, longe de casa. Era quando a luz e o tempo e os hábitos mudavam e se projectava um novo ano lectivo, um novo ano religioso... E os projectos fazem-me mal.
Setembro foi o mês em que eu caí a primeira vez... e a segunda e a terceira também. Sempre em Setembro. E agora já não consigo ignorá-lo. Estou viciada. Tenho medo dele. É psicológico. E, não tenho orgulho em afirma-lo mas, a minha psique é fortíssima. Tão forte que, se eu pensar que Setembro poderá ser mau, Setembro vai, de facto, ser uma desgraça...

Como dizer apenas "sinto dor" quando o que mais precisamos expulsar é um grito?
