23/10/2013

"Sapatos de Rebuçado", de Joanne Harris

 
Antes de mais, siiiiiiiiiiiiim... vou voltar a escrever sobre os livros que leio... embora me tenha dado a preguiça nos últimos tempos (muito por culpa de agora ter um livrinho fofíssimo oferecido pelo mais-que-tudo para anotar todas as impressões deixadas pelos livros), confesso já sentir um bocadinho de saudades da troca de opiniões sobre as leituras...
 
Acabei há poucos dias de ler "Sapatos de Rebuçado", da Joanne Harris... Essa senhora com quem eu tenho um problema de indefinição, porque gostei muito do "Vinho Mágico" e do "Valete de Copas, Dama de Paus", mas achei "O Rapaz de Olhos Azuis" e "A Praia Roubada" enfadonhos... Toda a tremer, lá me atirei a este livro, obtido através de uma troca feita numa página do Facebook dedicada  a isso... E gostei muito... Gostei tanto que, enquanto leio o livro que estou a ler agora (e que ainda não vou dizer qual é) sinto saudades da atmosfera calorosa, colorida e com cheiro a trufas que encontrei neste livro.
Eu não li o famosíssimo "Chocolate", apenas vi o filme, mas este livro é como que uma continuação. Trata da nova aventura vivida por Vianne e Anouk, depois de terem deixado Lansquenet, levadas pelo sempre caprichoso vento do norte. Há magia, rituais, amuletos e "tsk tsk" na dose certa, que encantam sem roçar a fantochada. Surge uma nova e misteriosa personagem, Zozie, que vive a roubar identidades de pessoas mortas. E é ela, com a sua obsessão em roubar a história de Vianne, quem provoca um reencontro desta última com o passado e com o seu verdadeiro Eu, de quem havia fugido há muito tempo.
De forma bastante original, a história é contada a três vozes, sendo Vianne, Anouk e Zozie narradoras alternadas entre capítulos, o que nos oferece três perspectivas sobre uma mesma história.
Gostei, senti-me absorvida. E agora, se a tradição se mantiver, o próximo livro que vou ler desta senhora vai ser um rotundo desastre. Tremo.

18/10/2013

greatness

 
A quantidade de coisas que poderíamos ser...! Cada um de nós. Somos comodistas ou somos inconformados. Há um rol de prós e contras para cada um e os dois podem ser igualmente (in)felizes. Mas hoje dei por mim a pensar na quantidade de coisas que poderia ser. Na quantidade de livros que poderia ler. Em todos os sítios onde poderia, se quisesse, viver. Nas pessoas com quem me poderia dar, se as tivesse escolhido ou elas a mim. Na quantidade de trabalhos e actividades com que poderia encher o meu dia, todos os dias. Coisas que não são utópicas, atenção. Não falo de ter uma moradia numa ilha do Dubai. Falo de coisas realizáveis, assim o meu interesse ou empenho tivesse desejado.
Há dias em que pensar nisto, em todas as possibilidades, é asfixiante. Porque o ponto onde nos encontramos parece sempre mesquinho quando comparado com tudo o mais que poderíamos ser. Porque pensamos sempre no "mais". Não pensamos no "menos", no que poderia ter corrido mal.
Mas hoje, não. Hoje penso nessas possibilidades e fico satisfeita por estar aqui. Se poderia estar melhor, mais realizada e acompanhada e ocupada e cultivada? Podia. Podia ter um blog fabuloso e edificante, cheio de opiniões iluminadas em vez de vir só falar de mim e dos meus achaques...
Mas gosto do que sou e gosto de estar aqui e estou confortável. E isto pode não ser o melhor ou o maior que eu poderia ser, mas que sabe bem, sabe.

17/10/2013

Ei... estamos no outono!

Estou hoje de um azedume que chega a ser ridículo... o dia de trabalho, depois de dois de folga, foi acolhido como se de uma segunda feira se tratasse, no mau sentido. Sim, porque eu até costumo saudar as segundas feiras com bom humor... O trabalho foi particularmente aborrecido e monótono e nem o ginásio me animou. Não sei. Estou como o tempo. Cinzentão e frio e a ameaçar piorar. Ainda vai haver trovoadas...
Sorri pouco hoje... mas que querem? nada me entusiasmou ou divertiu. Foi um dia absolutamente inóspito... Nem sequer estive com o meu respectivo. Se bem que, dado o meu estado de acidez, talvez isso tenha sido bom. Porque, e aí é que eu queria chegar, eu não quis animar-me. Não me esforcei por conversar ou me entreter. Estive outonal e aceitei o estado. E, tendo em conta que ultimamente ando toda dengosa e é só amoorrrrrrree e coraçõezinhos a flutuar à minha volta, até apreciei estar de pés na terra. Reconheci-me um pouco. Fico mais atenta e introspectiva assim. Estou outonal, but i like it...

06/10/2013

Sensação "Bolo de Chocolate no Forno"

Aquela sensação maravilhosa de cheiro e calor e antecipação fumegante. É das melhores coisas simples do mundo... Ninguém pode estar mal humorado ou triste quando se tem um bolo de chocolate no forno. É como.... é como se fosse droga, droga cheirosa que se espalha pela cozinha e depois pela casa e depois pela vizinhança e vai-se infiltrando em nós e elevando-nos o humor.
Ter um bolo de chocolate no forno é prenúncio de algo saboroso. Literalmente. E é uma excelente forma de acolher estes primeiros dias de frio.

Eu sou a Briseis. Sou sonhadora, mas de uma forma muito pouco hipócrita. A minha utopia vem com uma boa dose de realismo embutido.
Sou a Briseis e não me reconheço desde há uns meses para cá. Os meus medos e os meus senãos, os meus "mas" e os EUs, ficaram pequenos. E se me dissessem há um ano o que eu seria hoje eu teria rido até desmaiar... Ou chorado, por ser bom demais... Enfim, a vida dá cambalhotas ninguém me garante que a sua rotação tenha terminado ou vá estacionar por muito tempo mas, enquanto isso, eu faço bolos de chocolate e espero que este seja o melhor Outono de sempre...

19/09/2013

I say a little prayer for you

The moment I wake up.
And while I put on my makeup.
I say a little prayer for us.
Todo o dia. Todos os dias. Faço tudo para ele e por ele.
E é bom assim. Como se tivesse mais um propósito. Além de mim, e de fazer as coisas "por mim", e ser muito EU, e sempre "só" eu.
Agora, não. Agora eu brilho e ele aplaude. Eu apago-me e ele eleva-me. E em todos os momentos, todos, não estou só.

09/09/2013

A Feira do Livro

Acontece normalmente no início de Setembro, cá no Burgo. No ano passado tivemos o Júlio Magalhães e o Ruy de Carvalho... Este ano o cartaz é mais modesto. Sinal dos tempos de crise.
Outro sinal é também o facto de a banca assinalada como PROMOÇÕES ou SALDOS ou LIVROS A 5€ ser cada vez maior. E acho bem. A Feira, normalmente, só é Feira de nome e os preços praticados não sofrem alterações relativamente ao normal. Acho bem que nas Feiras do Livro haja alfarrabistas e não apenas as livrarias XPTO do costume. Acho bem que haja saldos e rebaixas. Ao preço a que estão os livros, ler é considerado luxo...
Também é verdade que se lê por aí muito disparate e Sombras e coisas do dark side, vampirescas e sanguinárias e muito sensuais... (falta algo na vida desta gente, cá para mim...) A senhora da biblioteca costuma dizer que, nem que seja o rótulo do champô, o que é importante é que as pessoas leiam. Eu não acho isso muito bem. É como comer a sopa mas tirar as couves... Perde-se o objectivo principal. A ler, que se leia algo que edifique.
Fui à feira e por mais que fareje em todas as barraquinhas e sorria para as capas, venho sempre embora com uma pontadazita na alma. Porque olho tantas lombadas e fico a interrogar-me se ali estará algum potencial grande amor da minha vida... Dá vontade de agarrar nos livros todos, um por um, encostá-los ao ouvido para ver o que eles nos dizem, se nos atraem. Como fazemos com as pessoas. Quase. =)

03/08/2013

Ouçam lá, senhores emigrantes...

...seus queridos, dos quais eu aqui falo, muito pouco simpaticamente, pontualmente no início de cada mês de agosto...
Passarem à frente das outras pessoas na caixa do supermercado; dizer que lá na França é assim que fazem, quando lhes é pedido que respeitem a fila; e rematar com um "somos nós que mandamos dinheiro para a vossa economia", como se isso vos desse direito a comportarem-se como reis aqui do burgo quando uma vez por ano nos bafejam com o privilégio da vossa visita...
Ó meus queridos, não é aceitável. Ide para o raio que vos parta.