11/01/2014

o que fazer?

... o que fazer quando uma situação que estava ultrapassada regressa para nos assombrar?
O que se faz quando, após uma escalada longa e laboriosa, um pé escorrega e perdemos uma parte grande da altura que conseguimos tão alegremente conquistar?

Por mais que eu queira chorar e desistir de lutar contra o impulso de tremer, sei que a resposta correcta é: NADA. Não se faz nada. Não se olha para baixo, não se vê que estamos próximos do chão outra vez. Continua-se a olhar para cima e, agarrado à ideia de que não foi tanto assim o que se perdeu, retoma-se a subida para recuperar o mais rapidamente possível do deslize. Não se faz mais nada. Não se desce até ao chão e à segurança para ficar em posição fetal e tentar esquecer que vimos as alturas. Nem se fica imóvel no meio do nada, demasiado teimoso para descer e demasiado medroso para continuar a subir. Então, se não se desce nem se fica no mesmo sítio, para cima é que é caminho. E as mãos podem arder do esforço e o corpo pode acusar o cansaço, mas ambos têm determinação para continuar; mais um bocadinho. Mais o que for preciso.

Então, eu não vou fazer nada. Talvez chore, por uma questão de revolta e descompressão. Mas de resto, nada.

31/12/2013

Meu querido 2013...

...como foste bom para mim!
Foste tão bom que tenho medo da aproximação da meia noite que te vai levar e deixar no teu lugar um 2014 ainda incógnito... e se ele não se portar tão bem comigo como tu?
Trouxeste-me serenidade que eu já não tinha há muitos anos e, com essa serenidade, eu disse "sim" ao meu amor... ou trouxeste-me amor e a minha serenidade veio com ele. Não importa quem veio primeiro, importa que as duas dádivas vieram pela tua mão. E fui a sítios onde nunca tinha ido e vi coisas que me fizeram arrepender de estar fechada todos estes anos!
Não perdi ninguém. Tive alguns sustos, uns acidentes aqui e ali, algumas lágrimas, que tambem são precisas para purificar os olhos e lavar as feridas... mas ri tanto mais do que chorei!
 
2014, espero que tenhas tomado notas... sê bom para mim, aprende com o 2013!
 
 

26/12/2013

"A year in the merde - Um ano em França", de Stephen Clarke


Para contrastar com a seriedade das anteriores leituras, resolvi reler esta sátira bem disposta, acerca do ano* que Paul West**, um Londrino orgulhoso, passou em França com a missão de instalar uma cadeia de Salões de Chá ingleses em Paris.
Cada capítulo corresponde a um mês e, em cada um deles é explorado, ou denunciado, um aspecto da vida dos franceses, nomeadamente hábitos sociais e familiares, habitação, trabalho, as intermináveis greves, o sistema de saúde, a política corrupta e imoral...
É uma narrativa feita de clichês e ironias, mas era mesmo o que estava a precisar e, nesse aspecto, foi uma leitura refrescante...
É bem disposto, é leve... e aparece lá pelo meio uma porteira (ou concierge) portuguesa, Madame da Costa, senhora prestável, conhecedora de todos os mexericos das redondezas...

* O ano Francês, como é explicado no livro de forma bastante jocosa, começa em Setembro e acaba em Maio;
** Péssimos a falar inglês, os parisienses passam todo o livro a chamar-lhe Pol Wess

"O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway

 
Primeiro livro que leio deste colosso... e confesso não ter ficado impressionada.
Do que tinha lido acerca do livro, nomeadamente o prefácio escrito pelo tradutor, tinha ficado com a ideia que seria uma espécie de "O Principezinho", tão simples de despretencioso mas, ou por isso mesmo, tão encantador, muito profundo, inesquecível e edificante.
Li mais de 100 páginas da luta absurda entre um velho pescador e um peixe gigantesco que morde o anzol mas se recusa a deixar-se pescar. É, mais do que perseverança, obstinação; o poder da experiência e da paciência, o respeito pelo mar e pela natureza, pelo próprio peixe que quer matar q«mas que ama, porque é irmão... É assim muito profundo, muito lindinho... mas não me tocou.
Alguém teve opinião diferente?

Ho ho ho! Já passou o Natal!

...é... acho que este foi dos anos em que estive menos natalícia... Sim, a ausência de presentes ajuda um bocadinho a cortar o espírito, quer queiramos quer não. A parte da expectativa de descobrir o que vamos receber e de ver a reacção ao receberem o que oferecemos é uma das coisas mágicas do Natal. Mas os tempos não andam famosos e cada pessoa recebeu apenas um embrulhinho modesto...
A outra parte, a de estar com a família, saiu também furada... Como hei-de explicar isto sem soar terrivelmente cruel ou cínica? A tia que já todos pensavam que ia ficar solteira arranjou um namorado cujas mentalidade e personalidade se formaram há 500 anos atrás. Não contente com nos (des)agradar com a sua presença na Ceia, ele ainda trouxe a família dele (mãe e irmã e cunhado e sobrinha) que partilham a mesma natureza (ver acima referência sobre a mentelidade do dito). Portanto, a nossa Ceia e jogos e convívio foram feitos de conversa de circunstância puxada a ferros para que os convidados não se aborrecessem ou ficassem a pensar que somos doidos, que é uma das coisas que mais adoro em nós!!... Nada de piadas ou brincadeiras em família, nada de calor, tudo muito formal... Porra, que coisa mais morna.... de modos que não estive lá muito natalícia este ano.
Melhores dias virão. Ou não. Cheira-me que agora o programa vai ser sempre mais ou menos este...

19/12/2013

Parabéns a mim (quase)

Daqui a menos de uma hora estou de parabéns...e escrevo isto com uma serenidade que não sentia há anos... Há muitos anos, mesmo...
Acreditem ou não, anos houve em que mal começava o mês de Setembro eu começava uma contagem decrescente de stress maior, cada vez maior, que culminava nesta semana de aniversário e ceias de Natal que eu odiava por me deixarem em pânico, pela sua parte social, pela parte do convívio, dos espaços fechados e quentes cheios de gente a simular uma emoção e amizade artificiais, rapidamente esquecidas nos dias seguintes... e odiava o aniversário. Odiava as surpresas, os cumprimentos, o receber a família... E todos os anos me sentia um bocadinho mais pequena, mais assustada e desajustada. E chorava. Chorava por não ter ilusões de haver desejo formulado ao apagar as velas que me valesse...

Este ano, não. Este ano estou tão serena...! Não espero surpresas, não espero nada. Olho muito o presente, não penso muito no futuro. Foi o meu Amor que me ensinou isto. Com tacto e paciência. E leio os posts que escrevi no ano passado, por esta altura e comovo-me comigo, com o que desconhecia, com o que temia. Já passou, pequenina. És grande agora. Parabéns a mim. Está quase. São 27!

18/12/2013

Post que tresanda a criticismo e azedume egocêntrico, como aqui hámuito tempo não se via

Ligo o pc para vir escrever de coisas giras, nomeadamente acerca da maravilha de ver na tv o Masterchef Austrália... Este tipo de programa, embora não me ensine a cozinhar, porque estou bem longe de temperar chocolate ou cozer salmão em vácuo, torna muito mais requintada a simples ideia de cozinhar (que eu detesto, detesto!)... Exemplificando: hoje, em vez de atirar as costeletas de porco para a sertã, para tostar um bocado, o que fiz foi (e repetia continuamente a ideia na minha cabeça, no meu melhor sotaque australiano) conseguir uma...beautiful caramelization...
Vinha entao eu comentar acerca desta maravilha que faz qualquer fã incondicional de arroz branco acreditar que realmente esta a fazer algo de distinto na cozinha, quando me deparo, pelo canto do olho, com as whishlists nas páginas de literatura que sigo e me cai tudo ao chão... Não sendo a estatística muito a minha área, eu diria que mais de 80% dos pedidos daquela gente são de literatura erótica, essa nova onda que as famosas "50 sombras do outro" inauguraram... E agora chovem capas ousadas e sensuais, títulos sonantes com palavras derivadas de domínio, rendição, loucura, desejo e blá blá... E fico tao triste por ver que as pessoas tem vidas tao cinzentas que ler uma coisa daquelas, ou duas, vá, não chega. Sao coleccoes e sagas e lavagens  do mesmo... Pode ser preconceito meu. Mas acho que quem precisa de leituras tao vibrantes antes de ir para a cama, e faz a colecção inteira de livros que repetem a formula do dominador ricaço e charmoso, ligeiramente avariado da telha, e a menina jovem e inocente e inexperiente que vira louca debaixo dele (e digo debaixo no sentido figurado e também no literal)...enfim, quem colecciona estes títulos, não consegue muito credito de "leitor/a", pelo menos vindo de mim...
Fico triste, mesmo, porra...