Comecei ultimamente a ter medo dos meus pensamentos, porque sei que se por um acaso eles saem do caminho "bom", se uma má memória ou um mau receio me assaltam, cresce um princípio de pânico, de inevitabilidade. E uma urgência de agir, de fugir.
Penso, às vezes, que li demais. Pensei demais. Vi perspectivas a mais e agora faço instintivamente uma ligação entre as histórias dos outros e a minha própria. Comparo demasiado. Espero encontrar nas coisas que vi, histórias que li e opiniões que ouvi, a medida do que é certo e normal e aceitável. O que não cabe nessas medidas causa-me pavor de tomar a decisão errada e fazer um juízo injusto. Tranquiliza-me ligeiramente lembrar uma frase que encontrei uma vez por acaso neste vasto mundo que é a internet, e que dizia que um dos principais motivos para a depressão/tristeza das pessoas é compararem os seus "bastidores" com as melhores cenas dos outros. Esta frase veio em boa hora e ressoou em mim de forma tranquilizadora.
Um ditado chinês diz que não podemos impedir as aves do desassossego de voar sobre a nossa cabeça. Mas podemos impedi-las de fazer ninho nos nossos cabelos. Eu estou a tentar mexer-me para os afugentar; às vezes parece que os meus braços estão paralisados. Outras vezes parece que até os mexo e afugento algumas mas, por serem tantas, há uma ou outra que me conseguem iludir.
Tenho tido muitas vitorias também. Quase todos os dias há uma ou mais pqueninas vitórias insignificantes e invisíveis para toda a gente mas que me aquecem o coração e pelas quais agradeço nas minhas orações, à noite. Agradeço a Deus, ao Tao (que na cultura chinesa é a entidade que ordena o universo e que está em tudo o que existe), às energias... Seja lá o que for que governa tudo isto. Agradeço a mim mesma também, por ser o que sou e por tentar ser melhor.
