Primeiro porque o aniversário é sempre uma data que me causa alguma tensão e ansiedade... Não gosto de surpresas nem de ser o centro das atenções, e já há anos que esta data não me é muito querida.
A avó já estava no hospital há 5 dias. Fruto de uma queda mas, com quase 90 anos, um pouco de febre e uma infecção pulmonar das que são comuns nesta época, acabou por falecer ontem. A avó que eu já não via há meia dúzia de anos, mãe do meu pai, causadora de muitos desentendimentos na família e que foi muito maldosa com a minha mãe aquando do divorcio dos meus pais, há 8 anos. Ontem, no velório, estive na mesma sala com pessoas, tios e primos que não encarava há anos. Pessoas más, por quem tenho nenhum carinho. O meu pai está no estrangeiro e vem hoje de avião para ainda tentar ver a mãe antes de ser enterrada. O que significa que talvez seja hoje o dia em que revejo o meu pai, ao fim de 8 anos.
É tudo um bocadinho intenso. Os nossos rituais da morte são prolongados. Um corpo velado durante horas. Um par de tias carpideiras que gemem e gritam ruidosamente para que todos possam apreciar como sofrem. A possibilidade do meu pai a pairar. Estou só ansiosa que estes dias passem para que possa ter a minha rotina de volta.
Durante o velório ontem, olhei muito para as mãos dela. São sempre o que mais me impressiona, pela cor de cera baça que ganham. E senti alguma inveja de uma prima, que chorava no ombro do pai. Um pai que tem certas parecenças físicas com o irmão, meu pai, e de cujo amor paternal eu senti alguma inveja. É tudo excessivo, mas em breve estará terminado...
