Tenho-o há anos... uma daquelas reivindicações inofensivas da adolescência. Para pôr fotos minhas... muitas... e algumas com amigos...
Há anos que está ali, na parede aos pés da cama. Já perdi a conta às vezes que lhe limpei o pó... Já lhe alterei a disposição tantas vezes que, em alguns sítios, os pioneses já ficam soltos.
Hoje, enquanto me calçava, os meus olhos foram lá parar e, pela primeira vez reparei que a maior parte das fotos está parcialmente coberta por... coisas. Bilhetes de cinema, de entrada em Museus, em Teatros, da Queima, escritos por amigos, duas folhas secas de plátano de dois Invernos diferentes, o enfeite que vinha na taça de gelado gigante que comi na Suíça...
Papeladas, velharias que, à medida que chegam a casa são ali postas, sem outro citério que não seja terem um espaço adequado à sua dimensão e um pionés de uma cor que combine bem.
Tralhas, a taparem fotos... Surpreendentemente, não me escandalizei.
Retratos imaculados onde sou só eu seriam uma visão bonita, digna de catálogo de casas modelo. Mas, na vida, o que preenche são as coisas que vimos, que tocámos e saboreámos. Essas coisas são o que somos.