16/01/2013

"E Depois...", de Guillaume Musso

                                               

No final, quando o Duarte me perguntou o que tinha achado, resumi o livro da seguinte forma:
se não deixasse esta sensação de insatisfação, não seria grande livro. Seria apenas um livro bom de ler...
 
O livro aborda de uma forma muito límpida e simples o tema da morte, das "máscaras" que lhe damos, da forma compulsiva como a escondemos do nosso dia-a-dia.
Temos uma personagem principal verdadeiramente cativante, Nathan. Aos 8 anos tem uma experiência de quase-morte, ao tentar salvar a sua melhor amiga, e futura mulher, de morrer afogada num lago gelado. Agora, adulto, advogado bem sucedido, separado da mulher, a vida que conhece tem uma estranha reviravolta quando Nathan é confrontado com a proximidade e omnipresença da morte, a razão pela qual sobreviveu na infância e o seu papel (e através dele, de todos nós) neste mundo.
 
Não há suspense ou grandes mistérios, é na simplicidade que reside a obsessão por este livro. Como se, aquele estranho efeito de valorizar as pequenas coisas como sentir o sol na pele ou cheirar café, quando se sabe que se vai morrer, nos fizesse também valorizar a subtileza doce e adorável deste livro. E fica aquela sensação de que há muito para "marinar", muito sumo para espremer... mas o final é bom o suficiente para dar um desfecho sem responser a todas as perguntas. Como se nos mostrasse a porta, mas nos deixasse sozinhos para passarmos por ela e procurarmos por nós as repsostas.
Gostei... gostei muito!
...e acho que vou ler outro deste autor... =)

11/01/2013

"Rendida", de Sylvia Day



Bem... o livro veio-me parar às mãos trazido pelo Duarte. A ideia dele era eu, que sempre confessei não achar grande interesse na história de "As Cinquenta Sombras de Grey", ler este livro que se diz ser "mais" tudo (ousado, intenso, blá blá) do que aquele, para lhe dar o meu parecer e ele decidir se o iria ler... Sim, é verdade. Agora sou consultora literária... (barrigada de riso)
E, assim, li.
E, apesar de ser uma trilogia e de o primeiro livro não ter um "fim" ou conclusão, apenas acabam as páginas num ponto absolutamente banal da história, eu não tenho a mínima vontade de continuar a ler.
Histórias deste género, que roçam o limiar do pindérico deslavado, alternando com páginas e páginas de exaustivas e despudoradas descrições eróticas, não me desafiam ou dão pica...
É "demasiado". Demasiado superficial, demasiado vistoso e espampanante, demasiado fútil, demasiado visual e sensorial e demasiado tudo...
Definitivamente, embora estejamos numa moda frenética de romances atrevidos de fazer arder as orelhas, a minha onda não passa muito por estas fantasias baratuchas...
 
A história centra-se nas personagens de Eva e Gideon, cada um lindo e maravilhoso, bem sucedido e abastado, mas com feridas emocionais profundas e um passado um bocado obscuro. Quando se conhecem, há descargas eléctricas, os céus escurecem e o chão treme e a única coisa que pensam fazer a partir desse momento é, e cito, "fornicar como coelhos". E é isto.

10/01/2013

Às vezes...

...Às vezes eu pico. Eu doo.
Às vezes eu rosno e a seguir rio. Mas, às vezes, se não levam o meu rosnar a sério, eu mordo e arranho e rujo.
 
Não quero magoar. Não quero ferir. Eu aviso. Eu grito a minha imprevisibilidade e a minha exigência agressiva por espaço e controlo. Mas, às vezes, pensam que o faço por graça. Ou por desafio.
Não é uma coisa nem outra.
 
Hoje dei uma ferroada no meu amigo. Ele acusou o golpe. Eu senti-me miserável. Mas eu não vou pedir desculpa ou recuar. Que legitimidade tenho para o fazer se sei que, se me vir de novo na mesma situação, vou repetir o ataque?
 
Então, pico e afasto-me. E peço por tudo que a prudência o aconselhe a manter-se no mesmo sítio.
 

08/01/2013

Tão simples quanto isto:

Deixa que gostem de ti.
Deixa que a tua vontade de demonstrar que gostas dos outros dite as tuas acções.
E, assim, tudo vai ficar bem.
 

07/01/2013

"Os Miseráveis"

É esmagador.
Á primeira cena é absolutamente arrepiante, fez-me ficar colada à cadeira e deu-me uma sensação de aperto no peito que se manteve durante todo o filme.
Quem já é fã do Hugh Jackman vai ficar absolutamente maravilhado, porque a sua interpretação de Jean Valjean é de comover as pedras.
O Russel Crowe aparece com o seu porte muito "gladiador", dando vida a um oficial cego pela chamada justiça.
A Anne Hathaway está sublime... possessa!
E depois há o meu adorado Eddie Redmayne...
As cenas são poderosíssimas e as músicas, grandiosas!
Fui ver naquela... tanto se me fazia. Vim maravilhada!

04/01/2013

O que não sabes sobre mim...

...o que pensas que sabes?
Não sabes da minha pantomima. Do papel que represento, incontrolavelmente, instintivamente. Não sabes que a dada altura os olhos me começam a pesar, as palavras secam e os músculos da cara deixam de responder. Acaba-se-me a deixa e fico atordoada porque não sei improvisar. Então sacudo-te. Tomo-te em doses pequenas, bem medidas. Para meu benefício, mas também para o teu.
Não sabes dos meus dons divinatórios. Agoirentos, sempre.
Nem imaginas o quanto me arrepia e desconcerta a tua mania de seres imprevisível. Pensas que me ajudas confessando-me os teus devaneios antes de os concretizares, para eu me habituar, para ter uma reacção antes e serenar, depois. Mas a confissão da tua insana intenção apanha-me desprevenida e desconcerta-me na mesma...
Não sabes os meus rituais. As minhas manias. E olha que são intoleráveis. Dizes que lhes achas graça, como toda a gente acha graça às primeiras vezes que o cachorrinho arranha os móveis. Daqui a nada vão começar a castigá-lo se continuar a fazê-lo. Pô-lo fora se mesmo assim não se corrigir.
Não sabes que quando eu digo dos meus desequilíbrios falo a sério. Nem entendes que quando falo da minha solidão, o faço com amor a ela.
Por fim, muito provavelmente, também não sabes que digo isto, não para preencher o vazio do que desconheces de mim. É para poderes imaginar até onde vai a tua ignorância.
 

03/01/2013

"A Regra de Quatro", de Ian Caldwell e Dustin Thomason

O livro foi presente de aniversário da minha Adorable One... e adorei o pormenor de ser em segunda mão! Os livros estão vivos, respiram... e um livro numa estante poeirenta é um livro moribundo, solitário de dar dó!
É por isso, e não só pela questão do preço, que compro muitos em segunda mão e gosto tanto de os emprestar... Cada pessoa que lê um dos meus livros, está a enriquecê-lo.
 
Enfim, acerca do dito...
Já tinha olhado para ele algumas vezes... O título é chamativo e a sinopse apela à curiosidade.
Agora que o li posso dizer que é um óptimo passatempo. Entretem. A história de um grupo de quatro amigos, finalistas em Princeton e da forma como um misterioso livro escrito em finais do sec.XV, o Hypnerotomachia Poliphili, afecta as suas vidas, umas vezes numa busca desenfreada por respostas, outras vezes recalcando a obsessão, que parece persegui-los.
Este interesse muito particular num livro tão estranho e antigo surge descrito em cenas que intercalam com descrições da vida diária dos estudantes na famosa Universidade. Este pequeno pormenor facilita bastante o processo de nos familiarizarmos e aceitarmos este interesse invulgar pela investigação levada a cabo pelos protagonistas...
Na parte do entretenimento, o livro é notável.
Atrevo-me só a apontar uma certa incapacidade dos narradores (ou talvez do tradutor) de se explicar claramente no que respeita a certos pormenores da narrativa. Por exemplo, por várias vezes, pensei estar a ler a narração de um episódio "actual", e só depois fica claro que essa narração respeita a um tempo passado em relação à ação principal que se está a desenrolar... Da mesma forma, os enigmas que dificultam a total compreensão dos mistérios do Hypnerotomachia são desvendados sem que o leitor consiga perceber qual a sequência lógica de pensamento que levou à descoberta... A meu ver, isto tira um bocadinho o brilho a uma história que tem, não há dúvidas, tudo para ser uma grande história. Apenas transparece demasiado a juventude dos dois autores.