04/08/2014
Solo lunar
Não há vento em mim. Eu sou pacata e quieta e, por isso, duram muito tempo as marcas que outros me deixam. E fico a remoer, ora eufórica, ora desolada, o que outros me fizeram. Não há vento em mim para aplanar novamente as pegadas que outros deixaram. É preciso que venham outra vez, os mesmos ou outros, desfazer as marcas velhas e deixar novas, melhores ou piores. E essas também vão durar. Porque não há vento em mim. Como na superfície lunar.
31/07/2014
Amor perfeito é...
...sentirmos um cheiro na nossa pele e não termos a certeza se é nosso ou se foi o nosso Amor que no-lo deixou.
13/07/2014
Aqui me confesso...
...porque se o confesso aos ouvidos de alguém vou soar irremediavelmente louca e obcecada...
Confesso-me ciumenta... De uma bicicleta, imagine-se!!! De uma bicicleta que o mantém até tarde no ginásio 3 dias por semana, em que não o vejo porque sai tarde e cansado. Da bicicleta com a qual ele participa em competições e passeios aos Domingos, para os quais descansa no sábado à noite (também não é muito bom fazermos planos para essa altura, portanto) e dos quais descansa no Domingo à noite (e por esta altura já sabem o que é que isso significa, não já? Pois... Nada de planos para mim).
Então amuo e aqui venho confessar o meu ciúme e ódio cego por um quadro de carbono (é tão leve, é mesmo um sonho!!!), com duas rodas, um selim e um guiador (de carbono também).
Tenho ciúmes do tempo que partilham, da satisfação que ela lhe dá, das fotos por todo o lado, do cansaço que lhe provoca, das feridas que invariavelmente ele traz, arranhōes e esfoladelas.
Tenho ciúmes incompreensíveis de tudo isto e das pessoas que têm oportunidade de o partilhar com ele, quando eu, por causa do horário de trabalho e falta depedalada, não posso.
Estou doente de ciúmes e desespero. Capaz de assassinar uma bicicleta. "ciclocídio"???
09/07/2014
"Memoirs of an Imaginary Friend", de Matthew Green
Já tinha visto o título e a capa em várias das páginas e fóruns literários por onde vou passando. A sinopse é chamativa, a conhecida escritora Jodi Picoult escreve que já há muito que não era absorvida da forma que este livro a absorveu, e a crítica compara-o a "O Quarto de Jack", que não li (nem quero, credo! já viram bem a sinopse daquilo???)...
Surgiu a oportunidade de o conseguir através de uma troca combinada num grupo do facebook criada para esse efeito... E ainda me entusiasmou mais o facto de se tratar da edição em inglês.
Budo é o narrador. E é um amigo imaginário. Não pode tocar no mundo real, não pode ser visto ou ouvido por outro humano além do que o imaginou. Esse menino é Max. O Max tem 8 anos, que é idade em que a maior parte dos meninos já deixou de acreditar nos seus amigos imaginários, fazendo com que eles deixem de existir. Mas Max é um menino especial. Através das descrições tão simples e quase infantis, mas tremendamente verdadeiras, que Budo faz do seu amigo, percebemos que ele será autista, com todos os problemas e limitações que as crianças autistas enfrentam.
A história do dia-a-dia pacato e monótono de Max e Budo (feita de fugas a demonstrações de carinho por parte dos pais e das pessoas em geral, idas para a escola e ter que lidar com meninos maldosos, e discussões tidas pelos pais, a que Budo assiste, acerca de Max não ser normal e precisar de ajuda) sofre uma alteração radical no dia em que Max é raptado por uma professora, cujo filho morrera. Budo é o único a assistir ao rapto e a saber quem é a culpada. É a partir daí que, o que era um conto fofinho e enternecedor, passa a ser uma história comovente e frustrante porque nos vemos confrontados com as limitações de um amigo imaginário, incapaz de comunicar com as pessoas ou de tocar seja o que for no mundo real.
É um livro diferente de tudo o que já li, sem dúvida, onde questões como "o que é correcto" versus "o que é a nossa vontade", o próprio sentido da existência ou o que exisitrá (ou não existirá) para além da morte, pairam a todo o momento.
30/06/2014
Ama-te a ti mesmo porque...
Todos somos sós.
Mesmo que alguns de nós tenhamos alguém com quem partilhar o nosso tempo e a nossa individualidade.
Todos somos sós. Sozinhos. E, à noite, quando fechamos os olhos, mesmo que haja alguém ao nosso lado, é só o interior da nossa cabeça que vemos.
28/06/2014
Acácia - 3 em 1
E, de uma assentada, aproveitando uma inacreditável promoção da editora, consegui os 2º, 3º e 4º volumes da saga (que normalmente custariam um total de 49, 44€) por 23 euros e trocos, já com portes... Só acreditei quando os livros chegaram às minhas mãos...
Li o primeiro volume há já algum tempo e escrevi a minha opinião aqui...
Inicialmente, vi-me um pouco perdida, tentando retomar o fio à meada e relembrar quem era quem na história. Como a cada volume da versão original correspondem dois volumes em português, o ideal é que se leiam aos pares (o 1 e o 2; o 3 e o 4)... e agora mal posso esperar por ver o 5º e 6º volumes...
O segundo volume. Sendo o primeiro tão claramente introdutório, escrito naquela fórmula quase cinematográfica de uma existência idílica, uma família feliz, mas um passado e uma herança sórdidos que ameaçam irromper à superfície... e irrompem mesmo... É neste ponto que o 1º volume nos deixa, num caos em que a família invasora amaldiçoada há tantas gerações regressa para usurpar o trono. O Rei Akaran é morto e os seus quatro filhos separados e levados para pontos distantes do Reino para tentarem sobreviver escondidos até estarem prontos a regressar.
"Presságios de Inverno" vai reencontrar os nossos desafortunados herdeiros nove anos depois da fuga e é maravilhoso ver de que forma tão inesperada e surpreendente eles cresceram e se revelam na sua nova existência. Agora, jovens adultos, sentem o apelo de se reunirem e tentarem recuperar o domínio de Acácia, vingando o Pai. É um volume intenso, de guerras e intrigas crescentes e um final surpreendente.
Outras Terras
O terceiro volume. Após o desfecho algo inesperado da guerra travada no volume anterior, temos Acácia de novo sob o poder da família Akaran. No entanto, a existência está longe de ser pacífica ou idílica, como era anteriormente. A nova jovem rainha, endurecida pelas circunstâncias, enfrenta as perigosas intrigas da corte, enquanto os irmãos, ambos destroçados pela recente guerra, a ajudam na manutenção da paz e recuperação do território destruído.
Surge um novo e perigoso desafio que é a necessidade de conhecer melhor e reforçar alianças com o desconhecido povo que habita as "Outras Terras", para lá das fronteiras do Mundo Conhecido. Há acções muito diversas, passadas em palcos muito distintos, mas todas elas ligadas entre si. É de grande habilidade conseguir narrar desta forma sem confundir o leitor. A trama adensa-se, aparecem muitas novas personagems e é quase hipnotizante ir absorvendo as revelações que dão a conhecer melhor os pormenores deste mundo imaginado.
O Povo das Crianças Divinas
Este volume lê-se de um fôlego, porque é pura acção, descoberta, terror e fascínio do princípio ao fim. Se o volume anterior é a viagem para um novo continente, neste temos a chegada e confrontação com algo totalmente inesperado. O que se temia é afinal pior, e o que se desconhecia é maravilhoso.
Desde o primeiro volume sabemos que a paz no Império de Acácia se mantém graças a uma droga que o povo consome e o mantém dócil e anestesiado. Essa droga, Bruma, é produzida nas Outras Terras, vendida ao Mundo Conhecido em troca de uma Quota: crianças que são retiradas dos pais e enviadas para esse continente para fins obscuros. Este volume mostra o destino dessas crianças, algumas delas tornadas Crianças Divinas...
É um óptimo desvendar do mistério que se alimentou nos 3 volumes anteriores.
Há traições até dizer chega, magia e feitiços com os quais não se deveria brincar, e aproxima-se uma nova guerra. A maior de sempre. Só faltam dois volumes!
Este volume lê-se de um fôlego, porque é pura acção, descoberta, terror e fascínio do princípio ao fim. Se o volume anterior é a viagem para um novo continente, neste temos a chegada e confrontação com algo totalmente inesperado. O que se temia é afinal pior, e o que se desconhecia é maravilhoso.
Desde o primeiro volume sabemos que a paz no Império de Acácia se mantém graças a uma droga que o povo consome e o mantém dócil e anestesiado. Essa droga, Bruma, é produzida nas Outras Terras, vendida ao Mundo Conhecido em troca de uma Quota: crianças que são retiradas dos pais e enviadas para esse continente para fins obscuros. Este volume mostra o destino dessas crianças, algumas delas tornadas Crianças Divinas...
É um óptimo desvendar do mistério que se alimentou nos 3 volumes anteriores.
Há traições até dizer chega, magia e feitiços com os quais não se deveria brincar, e aproxima-se uma nova guerra. A maior de sempre. Só faltam dois volumes!
24/06/2014
Este tempo é maravilhoso
É perfeito. O melhor dos dois mundos.
Num dia calço botas impermeáveis porque chove e troveja. No dia a seguir deixo os meus pés arejar e apanhar sol com umas sandálias fresquinhas porque o sol voltou em força. Num dia desejo ter trazido mais um casaquinho... No dia seguinte levo o casaquinho e esqueço-me dele ao vir embora porque não faz falta.
Hoje tenho desejos de comidinha quente e reconfortante, um bacalhau assado com batatinhas e muito azeite, a cheirar a Natal... Ou umas salsichas frescas estufadas com couve lombarda, bem fumegantes... Mas amanhã, provavelmente, vou querer uma salada russa fresquinha porque com o calor o apetite abandona-me...
É lindo não termos oportunidade para nos queixarmos do tempo que faz porque logo a seguir ele muda e faz-nos a vontade.
Não... Não fumei nenhumas brocas... Estou só a tentar ver o lado positivo deste tempo de loucos. Nem sei se marque férias de praia, se de neve.... (riso histérico)
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