31/12/2013

Meu querido 2013...

...como foste bom para mim!
Foste tão bom que tenho medo da aproximação da meia noite que te vai levar e deixar no teu lugar um 2014 ainda incógnito... e se ele não se portar tão bem comigo como tu?
Trouxeste-me serenidade que eu já não tinha há muitos anos e, com essa serenidade, eu disse "sim" ao meu amor... ou trouxeste-me amor e a minha serenidade veio com ele. Não importa quem veio primeiro, importa que as duas dádivas vieram pela tua mão. E fui a sítios onde nunca tinha ido e vi coisas que me fizeram arrepender de estar fechada todos estes anos!
Não perdi ninguém. Tive alguns sustos, uns acidentes aqui e ali, algumas lágrimas, que tambem são precisas para purificar os olhos e lavar as feridas... mas ri tanto mais do que chorei!
 
2014, espero que tenhas tomado notas... sê bom para mim, aprende com o 2013!
 
 

26/12/2013

"A year in the merde - Um ano em França", de Stephen Clarke


Para contrastar com a seriedade das anteriores leituras, resolvi reler esta sátira bem disposta, acerca do ano* que Paul West**, um Londrino orgulhoso, passou em França com a missão de instalar uma cadeia de Salões de Chá ingleses em Paris.
Cada capítulo corresponde a um mês e, em cada um deles é explorado, ou denunciado, um aspecto da vida dos franceses, nomeadamente hábitos sociais e familiares, habitação, trabalho, as intermináveis greves, o sistema de saúde, a política corrupta e imoral...
É uma narrativa feita de clichês e ironias, mas era mesmo o que estava a precisar e, nesse aspecto, foi uma leitura refrescante...
É bem disposto, é leve... e aparece lá pelo meio uma porteira (ou concierge) portuguesa, Madame da Costa, senhora prestável, conhecedora de todos os mexericos das redondezas...

* O ano Francês, como é explicado no livro de forma bastante jocosa, começa em Setembro e acaba em Maio;
** Péssimos a falar inglês, os parisienses passam todo o livro a chamar-lhe Pol Wess

"O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway

 
Primeiro livro que leio deste colosso... e confesso não ter ficado impressionada.
Do que tinha lido acerca do livro, nomeadamente o prefácio escrito pelo tradutor, tinha ficado com a ideia que seria uma espécie de "O Principezinho", tão simples de despretencioso mas, ou por isso mesmo, tão encantador, muito profundo, inesquecível e edificante.
Li mais de 100 páginas da luta absurda entre um velho pescador e um peixe gigantesco que morde o anzol mas se recusa a deixar-se pescar. É, mais do que perseverança, obstinação; o poder da experiência e da paciência, o respeito pelo mar e pela natureza, pelo próprio peixe que quer matar q«mas que ama, porque é irmão... É assim muito profundo, muito lindinho... mas não me tocou.
Alguém teve opinião diferente?

Ho ho ho! Já passou o Natal!

...é... acho que este foi dos anos em que estive menos natalícia... Sim, a ausência de presentes ajuda um bocadinho a cortar o espírito, quer queiramos quer não. A parte da expectativa de descobrir o que vamos receber e de ver a reacção ao receberem o que oferecemos é uma das coisas mágicas do Natal. Mas os tempos não andam famosos e cada pessoa recebeu apenas um embrulhinho modesto...
A outra parte, a de estar com a família, saiu também furada... Como hei-de explicar isto sem soar terrivelmente cruel ou cínica? A tia que já todos pensavam que ia ficar solteira arranjou um namorado cujas mentalidade e personalidade se formaram há 500 anos atrás. Não contente com nos (des)agradar com a sua presença na Ceia, ele ainda trouxe a família dele (mãe e irmã e cunhado e sobrinha) que partilham a mesma natureza (ver acima referência sobre a mentelidade do dito). Portanto, a nossa Ceia e jogos e convívio foram feitos de conversa de circunstância puxada a ferros para que os convidados não se aborrecessem ou ficassem a pensar que somos doidos, que é uma das coisas que mais adoro em nós!!... Nada de piadas ou brincadeiras em família, nada de calor, tudo muito formal... Porra, que coisa mais morna.... de modos que não estive lá muito natalícia este ano.
Melhores dias virão. Ou não. Cheira-me que agora o programa vai ser sempre mais ou menos este...

19/12/2013

Parabéns a mim (quase)

Daqui a menos de uma hora estou de parabéns...e escrevo isto com uma serenidade que não sentia há anos... Há muitos anos, mesmo...
Acreditem ou não, anos houve em que mal começava o mês de Setembro eu começava uma contagem decrescente de stress maior, cada vez maior, que culminava nesta semana de aniversário e ceias de Natal que eu odiava por me deixarem em pânico, pela sua parte social, pela parte do convívio, dos espaços fechados e quentes cheios de gente a simular uma emoção e amizade artificiais, rapidamente esquecidas nos dias seguintes... e odiava o aniversário. Odiava as surpresas, os cumprimentos, o receber a família... E todos os anos me sentia um bocadinho mais pequena, mais assustada e desajustada. E chorava. Chorava por não ter ilusões de haver desejo formulado ao apagar as velas que me valesse...

Este ano, não. Este ano estou tão serena...! Não espero surpresas, não espero nada. Olho muito o presente, não penso muito no futuro. Foi o meu Amor que me ensinou isto. Com tacto e paciência. E leio os posts que escrevi no ano passado, por esta altura e comovo-me comigo, com o que desconhecia, com o que temia. Já passou, pequenina. És grande agora. Parabéns a mim. Está quase. São 27!

18/12/2013

Post que tresanda a criticismo e azedume egocêntrico, como aqui hámuito tempo não se via

Ligo o pc para vir escrever de coisas giras, nomeadamente acerca da maravilha de ver na tv o Masterchef Austrália... Este tipo de programa, embora não me ensine a cozinhar, porque estou bem longe de temperar chocolate ou cozer salmão em vácuo, torna muito mais requintada a simples ideia de cozinhar (que eu detesto, detesto!)... Exemplificando: hoje, em vez de atirar as costeletas de porco para a sertã, para tostar um bocado, o que fiz foi (e repetia continuamente a ideia na minha cabeça, no meu melhor sotaque australiano) conseguir uma...beautiful caramelization...
Vinha entao eu comentar acerca desta maravilha que faz qualquer fã incondicional de arroz branco acreditar que realmente esta a fazer algo de distinto na cozinha, quando me deparo, pelo canto do olho, com as whishlists nas páginas de literatura que sigo e me cai tudo ao chão... Não sendo a estatística muito a minha área, eu diria que mais de 80% dos pedidos daquela gente são de literatura erótica, essa nova onda que as famosas "50 sombras do outro" inauguraram... E agora chovem capas ousadas e sensuais, títulos sonantes com palavras derivadas de domínio, rendição, loucura, desejo e blá blá... E fico tao triste por ver que as pessoas tem vidas tao cinzentas que ler uma coisa daquelas, ou duas, vá, não chega. Sao coleccoes e sagas e lavagens  do mesmo... Pode ser preconceito meu. Mas acho que quem precisa de leituras tao vibrantes antes de ir para a cama, e faz a colecção inteira de livros que repetem a formula do dominador ricaço e charmoso, ligeiramente avariado da telha, e a menina jovem e inocente e inexperiente que vira louca debaixo dele (e digo debaixo no sentido figurado e também no literal)...enfim, quem colecciona estes títulos, não consegue muito credito de "leitor/a", pelo menos vindo de mim...
Fico triste, mesmo, porra...

16/12/2013

"O Memorial do Convento", de José Saramago


Nunca tinha lido. Não fazia parte das leituras obrigatórias da área de humanidades quando fiz o Secundário. Ainda apanhei "os Maias", com a graça de Deus. Antes de mais nada, tenho pena, muita pena dos meninos que estudam esta obra. Não que ela seja má, mas é de uma eloquência e profundidade que, acho sinceramente, os nossos jovens desmiolados, a geração facebook, que só compreende abreviaturas, se vê muita à rasca para tirar algum sumo dali...
O senhor Saramago, como sabemos, era poupadinho com a pontuação. Não se vê nesta obra um ponto de exclamação, de interrogação ou um simples travessão... É só pontos finais e vírgulas. Considero questionável a qualidade de uma escrita assim, mas não quero entrar por aí. Maravilhei-me com o contador de histórias e História que narra esta acção. Uma acção simples, acerca da construção do grandioso Convento de Mafra, mas que se enrola e desenrola à volta do Rei que o mandou construir, como "paga" ao deus que lhe deu herdeiros, dos homens e das mãos que fizeram a obra e (tantos) morreram nela, do caso particular do Sete-Sóis e da Sete-Luas, amantes improváveis, e do frade Voador, que personaliza tanto uma revolução na velha incompatibilidade entre a Fé e a Ciência.
Gostei muito, em suma. E gostei de ver tão bem confrontados o poder do Destino e do que parece inevitável, com a Vontade dos Homens.

14/12/2013

Sê protagonista da tua própria vida

É isto. Cada pessoa deve aspirar e contentar-se em ser protagonista na sua própria história. Cada vida, um filme. Há-os trágicos, de acção, romances, de suspense, com finais grandiosos, ou com finais que desapontam. Mas, em cada filme, cada vida. tentemos ser os protagonistas. Todos os males do mundo começaram por haver alguém a tentar roubar o lugar de outro. Por amor, por fama e reconhecimento, por riqueza, seja ela de que natureza for. É por tentarmos tornar o nosso papel e a nossa personagem noutra coisa que picamos o espaço uns dos outros.
Ando sem pachorra para as pessoas, mas não é um "sem pachorra" inerte e passivo; é um "sem pachorra" feito de ironias secas e tacadas cheias de requinte...  E gosto deste estado. Levo menos coisas para casa, rio mais do que antes só me causava irritação e revolta; os dias são mais leves assim e eu pasmo ante a maravilha que é observar o teatro de cada um... Noutro dia serei actriz principal. Hoje sou mais espectadora.

07/12/2013

Passatempo!! Passatempo!!! - a saga continua

...Porque estou convencida que este Natal é que é! Este Natal o Pai Natal vai premiar o facto de eu dizer a toda a gente "prendas de Natal?? Naaaa... não preciso de nada" com um cabaz maravilhoso! Eu sei que vai! =)

Desta vez, é aqui, no blog Coquete à Portuguesa.

04/12/2013

Passatempo, passatempo!! =)

Eu cá até nem sou destas coisas de passatempos, mas... ora porra! É Natal! E quem não perceber a ligação entre as duas coisas é uma alma muito triste... =)

 

O passatempo vem direitinho do blogue Arco-Íris na Cozinha e aqui deixo o link se quiserem ir espreitar: http://arcoirisnacozinha.blogspot.pt/2013/12/giveaway-cake-pops-bakerella.html

É desta... é desta que eu me torno uma fada da pastelaria =) Os passos são simples e habilitam-nos a ganhar 2 exemplares deste livrinho mimoso! Afiambrem-se, gente!

03/12/2013

"O Impressionista", de Hari Kunzru


Diz a crítica que este é o melhor primeiro romance inglês dos últimos tempos... Por muito despropositada que esta distinção possa parecer, o título, e a sinopse ajudaram-me a decidir lê-lo.
E e, realmente, uma narrativa magnifica. Acompanhamos a fabulosa vida de Pran Nath, nascido no seio de uma abastada família indiana, nos anos 20, um príncipe branco numa nação onde quão mais escuro tom da pele, mais miserável e desprezada a condição social. Inesperadamente, Pran vê-se mendigo, a viver nas ruas fétidas e imundas povoadas de mendigos e malfeitores, e assim começa a sua caminhada, primeiro rastejante, por alcançar um lugar digno na sociedade e no mundo. Este "impressionista" vai assumindo diversas formas e identidades, torna-se um ser frio, calculista e dissimulado e comove, por ser um anti-herói tão desafortunado. Este livro levanta algumas questões profundas sobre a importância real daquilo que valorizamos e ensina que, tantas vezes, o que pensamos querer é, na verdade, o oposto daquilo que nos fará felizes. Pelas peripécias, pela mestria com que aborda as emoções e mesquinhices do homem, pelo documento da sociedade indiana e inglesa do inicio do século XX, tão semelhantes ao que são hoje, vale a pena a leitura deste livro.

27/11/2013

Jamie Cullum, again...

...estou praticamente uma grouppie do rapaz... Mas, francamente, se fiz 4 horas de carro para ir vê-lo a Oeiras em Julho, até me caía alguma coisa se não fazia 1h30 para ir ao Porto...
E valeu a pena! Muitas vezes... e ele cantou a Gran Torino no fim. Só por isso, já valeria milhões!
A primeira parte do concerto ficou a cargo da Kat Edmonson... E que simpática surpresa ela foi!

Sim... sou eu ao lado do cartaz, estou escurinha de propósito =)

Passeio de fim de semana

...siiiim... agora eu faço destas coisas, tipo passeios e coiso... e a verdade é que já percorri mais quilómetros este ano pelos caminhos de Portugal, do que em 5 anos anteriores...
Desta vez, e para verificarmos a veracidade das notícias acerca da primeira queda de neve na Serra da Estrela, fomos até à cidade mais alta do país, a Guarda, que achei desértica e não muito bonita, à excepção do centro histórico e o largo da Sé. E desta casinha maravilhosa!

A caminho da Torre fizemos um desvio a convite das placas...

E, por fim, o ponto mais alto de Portugal continental, onde havia neve e um amigo à espera de ser descoberto. =)


08/11/2013

Porque eu não sei dizer melhor


Imagem retirada do facebook

06/11/2013

A minha mana vai trabalhar

A minha mana pequenina vai amanhã ter a sua primeira entrevista de trabalho... a minha mana pequenina que tem 18 anos e é mais alta e mais encorpada do que eu.
E estou tão preocupada e nervosa porque me dou conta que a minha mana que sempre foi negligente na escola, nunca teve o mínimo interesse pelo mundo, pelas suas pessoas, pela sua geografia, pelos seus mistérios e maravilhas, nunca soube ter uma conversa útil ou profunda sobre assunto nenhum, fez um curso profissional por falta de ambição para mais... o seu único interesse foi sempre única e exclusivamente o seu próprio umbigo e a vida (boa ou má) das restantes miúdas e rapazes da escola. A minha mana é da geração facebook, a geração que não sabe nada de coisa nenhuma mas sabe tudo de toda a gente sem na verdade conhecer ninguém. A minha mana é de uma geração fútil e eu sei que todos os irmãos mais velhos têm uma visão infantil dos mais novos. Todas as gerações mais velhas pensam horrores das gerações seguintes... mas eu duvido que alguma vez se tenha olhado com tamanho desalento para os mais novos, porque é um verdadeiro caso de falta de consciência, de falta de interesse ou valores, de falta de respeito, de falta de massa cinzenta a funcionar. Só é importante vestir como os outros, ter o que os outros têm, falar como os outros e criticar fotos e comentários e vidas alheias.
A minha mana tem muito que aprender. Tem que começar por aprender que nada é dado, antes deve ser merecido e ganho com esforço. Mesmo que tenha sorte e lhe dêem algo, não deve olhá-lo como um direito adquirido, antes como uma benção que deve ser valorizada e olhada com responsabilidade...
Ai, estou mesmo a ver a minha mana numa entrevista....

05/11/2013

"Cal" de José Luís Peixoto


Sim... tenho uma coisinha pelo Peixoto... Gostei muito do "Livro" e do "Abraço" e do "Nenhum Olhar"... este foi muito morninho...
Gostei dos contos, das mãos, dos tons cinza e da forma como ele vê a velhice, fazendo questão de nos mostrar que as mãos que hoje são cinzentas e velhas foram um dia jovens e delicadas. Fala sempre sob uma voz feminina. Encanta-me a sensibilidade de se colocar no corpo de uma mulher idosa. Fala do tempo e da solidão que ele traz. Gostei dos contos, alguns mais autobiográficos do que outros.
Não gostei da peça de teatro que vem lá pelo meio.
Abomino os poemas dele.
Mas, de resto, é o Peixoto... (suspiro do costume)
O livro é uma reedição de diversos textos que ele havia publicado anteriormente em revistas literárias, algumas delas traduzidas. Entreteu um pouco. Nada de extraordinário.

04/11/2013

Sinónimo de Amor

Esperar.
Percebi hoje, há pouquinho, que Amar e Esperar são uma e a mesma coisa.
Esperar pela próxima vez que o vou ver. Esperar que ele esteja bem, a todo o momento espero. Esperar que o sorriso dele ao ver-me seja o mesmo. Esperar que o tempo pare enquanto estamos juntos. Esperar sempre.
Esperar que seja para sempre.
Esperar a quotidiana repetição do milagre que foi ele encontrar-me.
Eu espero. Vivo a esperar.

30/10/2013

oubelá.... mas tu és burro/a, ou comes merda às colheres?

Aceitam-se sugestões de frases mais polidas para mandar àquela parte pessoas "escusadas" (para não usar vocabulário mais colorido).
Eu sei que este tipo de palavreado não é adequado a uma "sô dona leide", mas há momentos em que nada mais ocorre.
As pessoas andem aí. Pessoas. Algumas são muito Pessoas, outras são-no muito pouco. Entre umas e outras, o dilema de decidir a todo o momento se me atiro ao ar, se parto a louça, se aceito e tenho paciência porque, enfim... ninguém se faz... Quiçá? serei eu que estou errada?? Ohhh...mas é o drama... o horrore! ...lidar com Pessoas. Há dias em que preferia lidar com bichos...

27/10/2013

Sugestão...

Estão aborrecidos? Acabaram-se as vidas no Candy Crush e a próxima só é ganha daqui a 22 minutos? Ainda não deram a dose diária recomendada de sorrisos e/ou gargalhadas??
A vós, que desesperais, dirijo a minha sugestão... Adicionem ao vosso blog a aplicação Google Tradutor e divirtam-se a ver como ficam os vossos posts em Iídiche, Persa, Chinês ou, melhor de todas, em Inglês...
Retirei a aplicação logo, LOGO. No mesmo minuto. Pessoas refinadas como eu (e vocês, certamente) preferem ser compreendidas apenas por um grupo mais ou menos pequeno de leitores (se bem que os falantes de português não são assim tão pucos), mas convictos de que nos exprimimos no nosso melhor latin...
 
Mas é giro experimentar...

26/10/2013

Um post diferente sobre religião

Sou católica. Das praticantes. Embora não perceba fundamentalismos ou idas a pé a Fátima. Já me envolvi em discussões mais ou menos acesas contra quem, não contente com ser ateu, faz questão de tentar convencer os outros de que a Fé é estúpida. Não gosto disso. Eu não digo a um ateu "tás errado e eu tou certa", digo-lhe "eu acredito por isto; tu não tens a mesma experiência, é pena...". Já eles, dizem, e com maus modos, "estás errado, o teu Jesus é uma fraude, o teu Deus é um palhaço e o teu Papa é um chulo".
O meu amor deu-me um terço, comprado a uma senhora velhinha que os vende numa banquinha, julgo que no Dolce Vita do Dragão. As contas são pedrinhas brilhantes como pérolas e o que as une é uma renda finíssima. Vem num saquinho feito da mesma renda e é uma peça delicada que adorei receber e que anda sempre comigo, na mala. Não está benzido. Não preciso. O padre que mo benzeria e o coro de pessoas que andam sempre de volta dele desiludiram-me em grande escala nos últimos meses/anos. Como na política, também na religião um grupo minoritário impõe as suas ideias e lança simpatia e dons às mãos cheias aos que lhe podem dar algum benefício. Os restantes, não interessam, não importa agradar. Não se perdoa. Recusa-se catequese a uma menina que, por ser filha de pais separados e ir passar os fins de semana alternadamente com um deles, só pode frequentar a catequese semana sim-semana não, porque o pai vive noutra terra. E assim, a menina não precisa ir incomodar-se porque de qualquer forma não vai respeitar o limite de faltas estipulado.
Eu não quero um padre destes a benzer o terço dado pelo meu amor. Não quero um padre que diz aos fiéis, durante a homilia, em que candidato às Autárquicas devem votar. O meu terço vale mais do que isto, só por ter sido bordado por uma senhora velhinha e por ter sido comprado pelo meu amor e oferecido com amor.
Acredito no meu Deus, rezo ao meu Jesus, mas que eles estão muito mal representados nesta Terra, isso estão...

23/10/2013

"Sapatos de Rebuçado", de Joanne Harris

 
Antes de mais, siiiiiiiiiiiiim... vou voltar a escrever sobre os livros que leio... embora me tenha dado a preguiça nos últimos tempos (muito por culpa de agora ter um livrinho fofíssimo oferecido pelo mais-que-tudo para anotar todas as impressões deixadas pelos livros), confesso já sentir um bocadinho de saudades da troca de opiniões sobre as leituras...
 
Acabei há poucos dias de ler "Sapatos de Rebuçado", da Joanne Harris... Essa senhora com quem eu tenho um problema de indefinição, porque gostei muito do "Vinho Mágico" e do "Valete de Copas, Dama de Paus", mas achei "O Rapaz de Olhos Azuis" e "A Praia Roubada" enfadonhos... Toda a tremer, lá me atirei a este livro, obtido através de uma troca feita numa página do Facebook dedicada  a isso... E gostei muito... Gostei tanto que, enquanto leio o livro que estou a ler agora (e que ainda não vou dizer qual é) sinto saudades da atmosfera calorosa, colorida e com cheiro a trufas que encontrei neste livro.
Eu não li o famosíssimo "Chocolate", apenas vi o filme, mas este livro é como que uma continuação. Trata da nova aventura vivida por Vianne e Anouk, depois de terem deixado Lansquenet, levadas pelo sempre caprichoso vento do norte. Há magia, rituais, amuletos e "tsk tsk" na dose certa, que encantam sem roçar a fantochada. Surge uma nova e misteriosa personagem, Zozie, que vive a roubar identidades de pessoas mortas. E é ela, com a sua obsessão em roubar a história de Vianne, quem provoca um reencontro desta última com o passado e com o seu verdadeiro Eu, de quem havia fugido há muito tempo.
De forma bastante original, a história é contada a três vozes, sendo Vianne, Anouk e Zozie narradoras alternadas entre capítulos, o que nos oferece três perspectivas sobre uma mesma história.
Gostei, senti-me absorvida. E agora, se a tradição se mantiver, o próximo livro que vou ler desta senhora vai ser um rotundo desastre. Tremo.

18/10/2013

greatness

 
A quantidade de coisas que poderíamos ser...! Cada um de nós. Somos comodistas ou somos inconformados. Há um rol de prós e contras para cada um e os dois podem ser igualmente (in)felizes. Mas hoje dei por mim a pensar na quantidade de coisas que poderia ser. Na quantidade de livros que poderia ler. Em todos os sítios onde poderia, se quisesse, viver. Nas pessoas com quem me poderia dar, se as tivesse escolhido ou elas a mim. Na quantidade de trabalhos e actividades com que poderia encher o meu dia, todos os dias. Coisas que não são utópicas, atenção. Não falo de ter uma moradia numa ilha do Dubai. Falo de coisas realizáveis, assim o meu interesse ou empenho tivesse desejado.
Há dias em que pensar nisto, em todas as possibilidades, é asfixiante. Porque o ponto onde nos encontramos parece sempre mesquinho quando comparado com tudo o mais que poderíamos ser. Porque pensamos sempre no "mais". Não pensamos no "menos", no que poderia ter corrido mal.
Mas hoje, não. Hoje penso nessas possibilidades e fico satisfeita por estar aqui. Se poderia estar melhor, mais realizada e acompanhada e ocupada e cultivada? Podia. Podia ter um blog fabuloso e edificante, cheio de opiniões iluminadas em vez de vir só falar de mim e dos meus achaques...
Mas gosto do que sou e gosto de estar aqui e estou confortável. E isto pode não ser o melhor ou o maior que eu poderia ser, mas que sabe bem, sabe.

17/10/2013

Ei... estamos no outono!

Estou hoje de um azedume que chega a ser ridículo... o dia de trabalho, depois de dois de folga, foi acolhido como se de uma segunda feira se tratasse, no mau sentido. Sim, porque eu até costumo saudar as segundas feiras com bom humor... O trabalho foi particularmente aborrecido e monótono e nem o ginásio me animou. Não sei. Estou como o tempo. Cinzentão e frio e a ameaçar piorar. Ainda vai haver trovoadas...
Sorri pouco hoje... mas que querem? nada me entusiasmou ou divertiu. Foi um dia absolutamente inóspito... Nem sequer estive com o meu respectivo. Se bem que, dado o meu estado de acidez, talvez isso tenha sido bom. Porque, e aí é que eu queria chegar, eu não quis animar-me. Não me esforcei por conversar ou me entreter. Estive outonal e aceitei o estado. E, tendo em conta que ultimamente ando toda dengosa e é só amoorrrrrrree e coraçõezinhos a flutuar à minha volta, até apreciei estar de pés na terra. Reconheci-me um pouco. Fico mais atenta e introspectiva assim. Estou outonal, but i like it...

06/10/2013

Sensação "Bolo de Chocolate no Forno"

Aquela sensação maravilhosa de cheiro e calor e antecipação fumegante. É das melhores coisas simples do mundo... Ninguém pode estar mal humorado ou triste quando se tem um bolo de chocolate no forno. É como.... é como se fosse droga, droga cheirosa que se espalha pela cozinha e depois pela casa e depois pela vizinhança e vai-se infiltrando em nós e elevando-nos o humor.
Ter um bolo de chocolate no forno é prenúncio de algo saboroso. Literalmente. E é uma excelente forma de acolher estes primeiros dias de frio.

Eu sou a Briseis. Sou sonhadora, mas de uma forma muito pouco hipócrita. A minha utopia vem com uma boa dose de realismo embutido.
Sou a Briseis e não me reconheço desde há uns meses para cá. Os meus medos e os meus senãos, os meus "mas" e os EUs, ficaram pequenos. E se me dissessem há um ano o que eu seria hoje eu teria rido até desmaiar... Ou chorado, por ser bom demais... Enfim, a vida dá cambalhotas ninguém me garante que a sua rotação tenha terminado ou vá estacionar por muito tempo mas, enquanto isso, eu faço bolos de chocolate e espero que este seja o melhor Outono de sempre...

19/09/2013

I say a little prayer for you

The moment I wake up.
And while I put on my makeup.
I say a little prayer for us.
Todo o dia. Todos os dias. Faço tudo para ele e por ele.
E é bom assim. Como se tivesse mais um propósito. Além de mim, e de fazer as coisas "por mim", e ser muito EU, e sempre "só" eu.
Agora, não. Agora eu brilho e ele aplaude. Eu apago-me e ele eleva-me. E em todos os momentos, todos, não estou só.

09/09/2013

A Feira do Livro

Acontece normalmente no início de Setembro, cá no Burgo. No ano passado tivemos o Júlio Magalhães e o Ruy de Carvalho... Este ano o cartaz é mais modesto. Sinal dos tempos de crise.
Outro sinal é também o facto de a banca assinalada como PROMOÇÕES ou SALDOS ou LIVROS A 5€ ser cada vez maior. E acho bem. A Feira, normalmente, só é Feira de nome e os preços praticados não sofrem alterações relativamente ao normal. Acho bem que nas Feiras do Livro haja alfarrabistas e não apenas as livrarias XPTO do costume. Acho bem que haja saldos e rebaixas. Ao preço a que estão os livros, ler é considerado luxo...
Também é verdade que se lê por aí muito disparate e Sombras e coisas do dark side, vampirescas e sanguinárias e muito sensuais... (falta algo na vida desta gente, cá para mim...) A senhora da biblioteca costuma dizer que, nem que seja o rótulo do champô, o que é importante é que as pessoas leiam. Eu não acho isso muito bem. É como comer a sopa mas tirar as couves... Perde-se o objectivo principal. A ler, que se leia algo que edifique.
Fui à feira e por mais que fareje em todas as barraquinhas e sorria para as capas, venho sempre embora com uma pontadazita na alma. Porque olho tantas lombadas e fico a interrogar-me se ali estará algum potencial grande amor da minha vida... Dá vontade de agarrar nos livros todos, um por um, encostá-los ao ouvido para ver o que eles nos dizem, se nos atraem. Como fazemos com as pessoas. Quase. =)

03/08/2013

Ouçam lá, senhores emigrantes...

...seus queridos, dos quais eu aqui falo, muito pouco simpaticamente, pontualmente no início de cada mês de agosto...
Passarem à frente das outras pessoas na caixa do supermercado; dizer que lá na França é assim que fazem, quando lhes é pedido que respeitem a fila; e rematar com um "somos nós que mandamos dinheiro para a vossa economia", como se isso vos desse direito a comportarem-se como reis aqui do burgo quando uma vez por ano nos bafejam com o privilégio da vossa visita...
Ó meus queridos, não é aceitável. Ide para o raio que vos parta.

30/07/2013

Sinal de vida

é... estou viva ainda.... não me tem dado para escrever. É o calor. É a preguiça de ligar o PC. É eu sei lá... Continuo a trabalhar e a desatinar. Continuo a ler os meus livros embora ultimamente me tenha dado a preguiça de vir escrever as minhas apreciações dos, muito por culpa do meu homem, que me ofereceu isto. O livro é fofíssimo, tem fotos lindas de bibliotecas, estantes de livros e cantinhos de leitura e convida a que eu anote os livros que leio, personagens principais, cenas mais importantes, impressões e opinião... Enfim, este rapaz há-de ser a minha desgraça...
 
Outro pormenorzinho das minhas andanças, do qual falei todos os dias antes de acontecer, em contagem decrescente, e do qual falo agora que já aconteceu, é este:
 
 
É, meu povo... Eu, a doida com a mania das agorafobias e das ansiedades e coiso... Eu fui de Trás-os-Montes a Oeiras para ver este menino... E passeei e diverti-me e estive com o meu amorrrre.... ai, a vida é agradável...
Por isso, não me culpem por não parar muito pelas blogosferas. É que o mundo lá fora adquiriu subitamente muitos pontos de interesse que eu desconhecia e estou a tentar recuperar o tempo perdido =)

29/06/2013

Unmerciful me

Atingiu-me, qual raio epifânico (será que existe esta palavra? Epifânico...)... Enfim, um raio que traz uma epifania, a ideia de que tenho tralhas lá nos meus domínios, aka meu quarto, nas quais não mexo há mais de dez anos, salvo para lhes limpar o pó, de meio em meio ano... Coisas que guardei "para um dia, mais tarde, quando tiver tempo, ler/vasculhar/recordar...".
Mas o dito raio chegou e, com ele, a ideia de que voltar a mexer naquelas coisas significaria que a minha vida estagnou e que eu, em vez de ocupadíssima a viver, estarei ociosa e com vagar para recordar, quiçá soltar uma lagrimazita saudosa.
Portantos, e dado que recuso a ideia de que voltarei ao marasmo e que há tantos sítios onde ir e livros para ler e caminho para andar, atirei 40kg de livros e cadernos escolares do tempo do secundário para o papelão. Levei toda uma tarde a tirá-los do quarto, espanejar e preencher com outras coisas o espaço que eles ocupavam, debaixo da minha cama. E estou decidida a, nas próximas folgas, continuar com esta onda implacável de asseio e desprendimento do que é peça de museu.
Gosto. Gosto disto.

10/06/2013

E, mais uma vez...


...o Amor.
O Amor é como um bilhete da lotaria. Podes não o merecer. Podes ter comprado uma centena deles e não receber prémio. Podes comprar um, só porque achaste graça ao pregão do senhor que os vende e sair-te a sorte maior. Podes até nem ter comprado nada e encontrá-lo no chão, fugido da busca de alguém para te premiar a ti e ao teu desinteresse.
Pode ser oferecido. "Toma, este bilhete é teu. Comprei-o e dou-to, o que sair aí é teu. Podes ficar milionário/a, ou podes ficar na mesma mas pelo menos ficas com a certeza de que eu te dei uma hipótese".
É uma lotaria, nada mais. Às vezes sinto-me envergonhada por ostentar a minha fortuna quando nada fiz para a procurar ou merecer. Outras vezes sinto-me inquieta, como quando temos o bilhete e estamos a ver a extração à espera de sabermos se temos os números certos ou se a busca terá que continuar.
Uma lotaria, afinal. Tão simples... e tão complicado, aleatório e frágil quanto isso.
Neste momento em que me sinto excêntrica e milionária, não me apetece pensar que a fortuna se possa esgotar e que tenha que voltar a comer migalhas. Estou a ficar mal habituada, é o que é...

08/06/2013

"O Prisioneiro do Céu", de Carlos Ruiz Záfon


Depois de muitas críticas menos positivas lidas acerca deste livro, lá me atirei à leitura... Porque me foi oferecido e, normalmente, não me deixo influenciar muito pelas críticas que ouço.
Disse-me uma certa e determinada pessoa que os meus gostos literários são muito próprios, muito meus, não vou em ondas ou opiniões alheias e gosto do que os outros estranham... Acho que foi das caracterizações mais bonitas que já fizeram de mim... Hum...... (sorriso babado....) Anyway...
 
As críticas menos boas a este livro resultam, quis-me parecer, da comparação entre este e o primeiro romance de Zafón, "A Sombra do Vento", do qual já aqui falei, em termos não muito abonatórios, diga-se... O primeiro, foi um livro que não me conquistou por aí além... Este, embora reconheça que não é um livro tão grandioso ou ambicioso, deu-me mais gosto. Provavelmente por algum estado de espírito.
Os pormenores sórdidos, nomeadamente no que respeita às perseguições aos opositores do regime de Franco e condições de vida (ou morte) nas prisões, estão ao rubro, e aparecem intercalados por imagens fofinhas e amorosas... Mais uma vez, desagrada-me fatalmente o facto de o livro se tratar apenas de uma mega-analepse, em que o nosso caríssimo Fermín Romero de Torres conta ao amigo Daniel a história da sua captura, estadia na famosa prisão de Montjuïc e plano elaborado de fuga...
Enfim... que dizer? Enquanto passatempo, não foi nada mau. O que me ficou, muito pouco... Nhêêêêê...

05/06/2013

Crise de identidade

 
Coisa nunca antes vista... Eu. A je... "muá méme", como dizem os franciús, ando um bocado tristonha porque não me reconheço.
Eu era uma série de coisas. Essas coisas definiam-me. E eu gostava de ser particular e estranha e ter hábitos e gostos e necessidades que mais ninguém partilhava ou entendia. Era a minha vontade de isolamento. Era a infinidade de livros que lia. Era as músicas que eu ouvia e que interpretava só para mim. Era a fileira de personagens imaginárias que me faziam companhia, desdobramentos da minha personalidade, ora afável e madura, ora traquinas e infantil. Era eu ser zen e hedonista e calma e animal de rotinas. Eu era singular e dizia sempre "eu". Era sempre disponível e não fazia parte de nada, porque não tolerava também que ninguém fizesse parte de mim. Andava pela casa com um apanhado de cabelo esquisito e saía à rua ora arranjada, ora com ar de esfregão... não importava a ninguém.
E hoje olho para trás e sinto certa nostalgia. Porque eu era inconfundível. Tinha inaugurado o meu próprio estilo de vida e gostava... Mas agora sou uma entre tantos outros; tenho alguém, como toda a gente; faço as mesmas coisas, tenho as mesmas necessidades e rotinas, dou a mão, como outros dão; digo "amo-te" como tantos outros dizem, há séculos...
Não estou arrependida. Não trocava o que tenho agora por voltar a ser quem era. Mas gostava dessa outra EU. Gostava de poder falar-lhe, daqui. Dizer-lhe: "não temas, pequenina. Tu és suficientemente boa, és suficientemente capaz, o que tens é belo e o que és é digno. E não vais ficar só para sempre. E morrer hoje ou daqui a 50 anos não é indiferente. E as músicas que ouves e que falam de perfeição não são utopia nem são só para outros. Tu vais tê-lo também. E vais saborear e o medo de cair não te vai paralisar. Este tempo é teu, e as coisas que tens são tuas. Aproveita-as. Ri. Virá o dia em que o teu tempo será partilhado e as tuas coisas serão divididas com outros por tua livre vontade. Não temas. Girl...you'll be a woman soon..."

19/05/2013

Éééééé... não tenho dito nada... não tenho nada de que me queixar e para dizer de coisas bonitas vou acabar por escrever um post remeloso e lamechas à semelhança dos últimos...
Dá-me uma branca. Faço o login no blogger, vejo as novidades que o pessoal partilhou e atrevo-me até a abrir uma janela para escrever nova mensagem... mas fico a olhar para o quadrado em branco e nada me ocorre.
Deixei de olhar para dentro de mim. Sou menos introspectiva, menos racional. Mais reactiva e volátil. Sou o que me apetece, o que me parece melhor no momento, o que o meu desejo dita, e já não me defino pelas regras que sou.
Observo as pessoas. Observo porque já me sinto confortável no meio delas, já julgo compreender o seu andamento e as suas rotinas... e cada vez percebo menos. Não percebo como é que as pessoas funcionam, como se abstêm de dar um passo e estender uma mão para uns, e dão uma volta de milhas para fazer a vida negra a outros tantos... São estranhas, as pessoas. Não se lembram que o que deitamos ao mundo é o que recebemos. E que se espalhamos azedume, estamos a azedar o sítio onde vamos ter que passar os nossos dias...Tristes e irracionais, as pessoas.
Eu não. Eu estou apaixonada.

05/05/2013

Leve

Eu sou igual. E tenho o mesmo peso.
Mas caminho de maneira diferente. Caminho com a ideia de que sou amada a puxar-me pelas mãos.
E o meu corpo eleva-se e os meus pés mal beijam o chão.

29/04/2013

ai... o amorrrrrr....

Eu amo como se tivesse sido eu a inventar o verbo.
Eu amo.
Tu não me dás hipótese.
Ele, quem??
Nós rawrrr.
Vós não percebeis.
Eles assistem.

Amo como se nunca ninguém o tivesse feito, porque o faço de forma diferente de toda a gente. Sou original, sou espontânea e a minha alegria e imaginação não têm fim. Inauguro toques e sons e sorrisos e palavras todos os dias. E ele vem comigo nesta viagem em que não há mapas ou guiões. Como é bom sermos senhores dos nossos passos e das nossas deixas...!


28/04/2013

"A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafón

 
Após ter lido e ouvido muitas opiniões, todas positivíssimas!, lá me atirei à leitura deste livro.
Sim, senhor. É um belo livro, embora não me tenha puxado para uma leitura compulsiva. Talvez culpa do mesmo, talvez culpa de agora eu ter mais com que me entreter, if you know what I mean... (esgar maroto)
A história é encantadora e o senhor escreve bem que se farta. Mas é quase, a meu ver, um livro light. Segue algumas fórmulas de garantido sucesso e, por isso, não me surpreendeu ou encantou.
É uma história sobre mistérios e pecados velhos, curiosidade e ousadia, e um amor, um amor muito grande pelos livros. Embora não me tenha encantado, não hesito em aconselhá-lo porque entretém e educa. E apela à sensibilidade.
Em suma, é um livro estranho. Não sei bem que impressão me causou. Leiam e depois digam-me algo...

20/04/2013

Sobre o desperdício de água

Eu sou aquela que é incapaz de tomar o duche em 3 minutos. E em 6. E em 9, até... Que hei-de fazer? Entre champô e gel de banho, mais uma exfoliação ligeira ou uma gilete que se passe na pele, mais aqueles segundos de só estar debaixo da água escaldante, o tempo corre. O ambiente que me perdoe, mas duche em 3 minutos não é duche. É enxaguamento e até a minha máquina de lavar demora mais do que isso a fazer um.
Posto isto, não percebo as pessoas que demoram tempos infinitos a lavar o carro. A mim, bastam-me 4 minutos: passar a escova para tirar os "selos" dos pássaros e das árvores, enxaguar a jacto e tá feito. Há gente que limpa o carro como se a seguir fosse fazer amor nele/com ele. Credo.

18/04/2013

Equilíbrio

Há pessoas que aparecem no nosso caminho para levantar algum pó e incomodar momentaneamente. Mas assim que se vão, porque nem toda a gente pode ou tem que ficar na nossa vida, o pó assenta de novo e fica-nos apenas a ténue lembrança do seu efeito. Outras, tantas essas, nem uma brisa trazem consigo, e deixam tudo como estava. E há aquelas, as especiais, que vêm como um ciclone e que movem dunas e deixam a paisagem irreconhecível.
Temos que saber reconhecer essas pessoas e aproveitá-las. Absorvê-las. Tirar apontamentos do que dizem e fazer instantâneos das suas expressões faciais e posturas.
A Glória é uma dessas pessoas. Levanta um vendaval mas deixa equilíbrio e compreensão. E ambição. A ambição de um dia ser sábia e assertiva como ela. Porque ela é Senhora. Senhora de si, conhece-se bem e ao seu centro e tem a bondade de partilhar essa Paz com os outros. Há muitas Glórias por aí. Hoje tive a sorte de conhecer uma.

10/04/2013

As Horas


Como se demoram as horas que me separam do meu amor...!
Como se arrastam, vagarosas e exibicionistas... e dão piruetas e revolteiam e eu não aprecio o espectáculo da sua passagem porque o que quero mesmo é que terminem depressa... Depressa... andem lá com isso...!
Ah... o tempo... esse impostor irritante com requintes sádicos... faz o seu desfile em velocidade moderada, apreciando as vistas, sem consideração pela minha impaciência. E quando, finalmente, me traz o que espero, é um ar que lhe dá. Esgota-se e corre, subitamente consciente de que já se demorou em demasia...
O tempo não merece muito a minha consideração...Vou ignorá-lo, só para o irritar... e vou esperar, pacientemente, que ele me traga o meu amor... Já falta pouco...

09/04/2013

Pessoa

Nós, cada um de nós é Pessoa. E Pessoa é singular. É uma palavra de limites bem definidos, mas com uma dimensão inabarcável.
E eu desejo do fundo do coração saber sempre ser Pessoa. Individual, inimitável, insubstituível, infinita. Saber ser sem permitir nunca que  nenhuma outra Pessoa me viole as fronteiras. Nem nunca perder as rédeas da minha ousadia, deixando-a morder os limites alheios.
Repito isto como um mantra, tentando não perder o pé, não ser submergida.
Equilíbrio é uma bênção... mas também é um exercício extenuante, uma maratona...
Quão resistente és?

30/03/2013

Encontrei uma diferença

Acho que quando estava só escrevia mais... sobre mais coisas. Reclamava sobre mais coisas.
Quando não estava... hum... como dizer...?? quando não estava ap... eeeehhh... digamos... como que.... ora porra. Quando não estava apaixonada reflectia mais. Era mais profunda nas minhas cogitações...
Agora tenho a visão turva e o pensamento anestesiado e mais o raio que me parta... Sou tão ridícula que as únicas coisas que penso nos últimos dias têm a ver com o que eu era antes e o que antes eu pensava das pessoas apaixonadas... Nem vale a pena dizer. Não quero criar inimizades...

E agora eu sou uma dessas tolinhas babadas, que têm sempre cor no rosto e gaguejam nos momentos indevidos... E faço trabalhos manuais raquíticos para lhe oferecer, cito frases de músicas e ensino-o a assar marshmallows...

Aiiiii..... se eu caio..... se ele me deixa cair eu esborracho-me toda...

20/03/2013

Dia Internacional da Felicidade

Soa bem. Provoca um sorriso... ou um esgar de escárnio....
Eu sou feliz. Todos os dias. Mesmo naqueles em que sinto que não, porque aquilo que sou, a minha natureza pacata, linda e optimista, dizem-me que vai passar...
Nos últimos dias tenho sido mais feliz do que o costume; porque a minha felicidade era morna e constante. Agora é mais quente e borbulhante. E instável, também.
E aprendo a não a ostentar nem fazer dela alarde. Porque há nódoas, e fios repuxados... e sítios onde o tecido está gasto e frágil... Então convém ser prudente. Aprendi a lição. Mas isso não impede que, em silêncio, eu continue a desfrutar a minha fortuna. Pés assentes.
Num dia qualquer, o nosso cérebro bloqueia; caímos no meio do chão, apagados, e quem sabe se voltaremos a ser o que somos agora?
Por isso, sejam felizes hoje!

13/03/2013

"Há palavras que nos beijam"...

..." como se tivessem boca."
Outras que nos mordem, como se se quisessem gravar em nós; cuja dor não dói, antes satisfaz.
Outras ainda que sussurram e acariciam os sentidos.
Há palavras que picam e irritam a pele, mas podemos fugir delas e do seu bafo abrasivo.
E procurar palavras de outro tipo. Do tipo que arrepia e afaga, como dedos leves passeando sobre a pele das costas. Ou do tipo que persegue, que nos fica colado na mente todo o dia, irradiando calor e trazendo um sorriso tolo que se nos agarra à cara e que não conseguimos esconder.
Há palavras perfumadas, que pairam à nossa volta, desprendendo-se-nos das mãos e dos gestos, como se o perfume viesse de nós.
Há as que parecem música, mesmo não rimando nem tendo acompanhamento... que acalmam ao mesmo tempo que aceleram as batidas...
Sou bem-aventurada porque ultimamente tenho tido todos os tipos certos de palavras...
 

10/03/2013

Será para os apanhados??

...Porque é obsceno eu andar tão leve e indiferente... E sentir-me dona dos passos que dou...
E não imaginava que pudesse viver assim, ou que houvesse em todo o planeta alguém que me soubesse completar...
E saiu-me a sorte grande...sem eu ter sequer comprado bilhete!
E agora eu, que tinha uma Solidão amiga e cúmplice e bem-vinda, divido o meu tempo entre ela e o meu Amor. E os dois não discutem, não me exigem demais, não me tiram nada... Dão-me tudo...
É um equilíbrio. E o equilíbrio é, por natureza, passageiro. Mas, enquanto dura... oh, eu estou a aproveitar e de que maneira!!

06/03/2013

At last...


...Briseis meets Achilles...

03/03/2013

"Preocupo-me, logo existo!"


Ui... o nosso Dioguinho está numa forma notável... nota-se que cuida bem do seu... "bebé interior"... =)

28/02/2013

Flutuo


Flutuo e não tenho medo.
Assusta-me só a possibilidade de, agora que me mostraste o que posso ser, não saber voltar ao que era, se tiver necessidade disso...
Mas só me assusta quando páro para olhar. Então, não olho! Escondo a cara no teu pescoço e deixo o teu cheiro inebriar-me e não olho e não penso em nada... Só em como sabe bem estar assim!
...e penso também que deves ter algum pacto com o Demónio para teres sabido e conseguido levar-me assim, sem eu própria me aperceber...

23/02/2013

"O apocalipse dos trabalhadores", de Valter Hugo Mãe


Primeiro livro que li do homem... e marcou logo 500 pontos negativos porque os únicos sinais de pontuação que ele conhece são os pontos finais e as vírgulas.... e olhem que os outros fazem taaaaaaanta falta! Tipo, não é giro acabar de ler uma frase de três linhas e ter que voltar ao início porque só agora me apercebi que aquilo era discurso directo, ou uma pergunta, e tenho que reler a frase com a devida entoação... Não é fixe.
E depois, achei a história uma tristeza. Uma Bragança inóspita e duas mulheres às portas dos 40, empregadas domésticas de ocupação e carpideiras nos tempos livres... e homens repelentes... e nem sei que mais... não lhe achei beleza nem poesia nas palavras. É demasiado frio, demasiado cru e seco... Demasiado real, próximo de algumas realidades que conheço. Talvez por isso não o ache merecedor de constar em livro. Talvez por isso me pareça tão repugnante...

20/02/2013

I trust

Caminhamos num trilho estreito, sobre a borda do precipício, mas eu não temo. Há pedras e espinhos a bordejar o caminho mas eu agarro a tua mão com confiança e não duvido nem por um momento que a tua firmeza de carácter basta para me impedir de me desviar, quando cegamente me distraio e divago. Os espinhos não me arranham as roupas e as sombras que dançam não me devoram. E confio. Confio o meu equilíbrio e a minha segurança à tua sabedoria e valentia.
E corro alguns passos à tua frente, aventurando-me, sem sentir medo, porque vens logo atrás. E nunca fui assim. Nunca me senti assim. Mas não duvido de nada. E tranquilizo quem me quer bem e se preocupa, por me ver tão ousada. Poria as mãos no fogo por ti.
Não temo, não me preocupo, ainda que as nuvens se movam cinzentas e ameaçadoras, e o vento uive e as pessoas à minha volta rosnem por simples incapacidade de lidar ou tolerar o bem que acontece aos outros.

Because...

...and someone that hugs like that can't possibly harm me.

17/02/2013

Tenho dito.

(imagem retirada de http://filmgrab.wordpress.com/movies-a-z/, do filme American Beauty)
 
Estou a aprender. E vou caminhando aos poucos e vou-me aventurando. E tento enxotar convictamente aquela sirenezinha irritante de alarme que grita: "quando olhares para baixo, a vertigem vai-te paralizar". Mas eu não vou olhar. E, se olhar, não vou ter medo porque me vou lembrar que os passos que dei para chegar ali foram dados com segurança.
 
Não vou ser aquele cão. E quando hesitar, vou decidir, conscienciosamente, não dar tempo de antena à vozinha que guincha na minha cabeça e que gosta de pensar e repensar e dissecar tudo até ao infinito.
Ohhhhhh... tivesse eu um botaozinho que dissesse "Mute"!
Mas, como não tenho, é a minha vontade férrea que vai fazer a diferença.
E, na falta dela, a minha mãe que me empurra para fora de casa!

13/02/2013

"A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera

 
Há anos que tenho intenção de ler este livro... Anos. Calhou desta vez, na biblioteca, os meus olhos pousarem nele... e acho que foi o momento certo...
Antes de mais, fiquei absolutamente fã da escrita de Milan Kundera. Se eu pudesse aspirar a um dia escrever como alguém, atrevo-me a dizer que seria como ele. O meu Eça que me perdoe...
É uma musicalidade belíssima de pôr tudo, objectos concretos e sentimentos indizíveis, numa frase simples e inspiradora.
Tomas, Tereza, Sabina e Franz serão das personagen mais ricas que já conheci, com as suas singularidades, que residem em coisas tão simples e tão infinitas como um chapéu de coco, um cão chamado Karenine ou uma sinfonia de Beethoven chamada "Es muss sein".
Por fim, além de toda a beleza literária, o livro dá a conhecer de uma forma comovente, vista a partir "de dentro", a história da ocupação Russa na Checoslováquia, em 1968. E levanta muito de fininho a questão perturbante acerca da massificação das mentalidades e identidades e a repetição exaustiva da História em todos os seus erros e atrocidades.
Tenho que o comprar... =)

10/02/2013

We Trust & Best Youth












Eu fui! ... muito por insistência da minha mãe, porque andei sonolenta e macambúzia o dia todo...
E valeu milhões, o concerto e a companhia!

08/02/2013

Saber recuar



Desistir não é bom. Não arriscar é a frustração suprema de aceitar permanecer ad eternum com mais um "e se...?".
Mas eu acho que a prova maior de sanidade é reconhecer quando o preço a pagar (a perda da serenidade) e o risco de não conseguir são maiores do que a recompensa de ir e vencer. Eu reconheço isto.
 
Eu não gosto de desistir. Eu luto, sempre que posso e que me é fisicamente suportável. Mas às vezes a luta agiganta-se ainda antes de começar. E o meu sono, as batidas serenas do meu coração, as minhas mãos quentes, a minha sanidade e o meu apetite não merecem ser sacrificados desta forma. Não sempre. Não porque é o normal e o esperado. Eu não sou normal, não reajo normalmente às coisas e o que é esperado de mim pesa-me de uma forma insuportável.
Não me orgulho de fugir. Vou ter vergonha e vou pedir desculpa, mas estou a aprender a caminhar sem medo e é um erro desatar a correr só porque me desafiaram a isso.
 
Sanidade é reconhecer onde estou e sopesar aquilo que tenho a perder contra o que poderei ganhar. E desta vez, para minha vergonha e frustração, mas para meu sossego também, vou recuar perante um desafio.

06/02/2013

tic-tac

 
Tic-tac, faz o relógio, tic-tac... e eu vou em pontas de pés, executando o meu bailado, tentando respeitar o ritmo... Tic-tac, tic-tac...
Sou sonhadora todos os dias. Nuns mais do que outros. Não exijo música. Basta o toque cadenciado das horas e eu vou saltitando e rodopiando, e bato palmas e rio sozinha. Tenho música nos ouvidos, música que me diz que tenho graça, que sou linda, que faço o tempo correr, que tudo o que vem de mim é maravilhoso... Então danço e tento não perder o equilíbrio. Não me aplaudam, não me distraiam nem me assustem nem me perturbem; cantem, só. Cantem baixinho a música que ouço, a que diz que tenho graça, que sou linda, que faço o tempo correr, que tudo o que vem de mim é maravilhoso. Cantem, que eu continuarei a dançar.

04/02/2013

Levo carros à inspecção

...amigos e camaradas... pela módica quantia de 5€, garanto que o vosso trambolho passa na IPO...
 
Passo a explicar:
Levei hoje o meu pequenote à inspecção. Tudo fino, nem eu esperava outra coisa... excepto uns valores um bocadinho anormais nos amortecedores... O senhor andou ali com o pequenote para trás e para a frente na maquineta... disse que podia ser mau sinal... chamou um colega para trocar ideias, voltou a experimentar... no final, veio ter comigo com um ar sorridente, cartinha de aprovação na mão, e disse (juro que por estas palavras): É um prazer aprovar o carro de uma menina tão simpática... ainda para mais, com o nome tão bonito! É o mesmo nome da minha filha!
Abri um sorriso aparvalhado e balbuciei um muito obrigada e que tinha a certeza que a filha do senhor era umaexcelente pessoa, só por ter o nome que tem...
E pronto, foi este caso singelo que me fez pensar e vir aqui afirmar: dêem-me os vossos carrinhos, eu levo-os à inspecção.... Eles ficam bem entregues... =)

02/02/2013

Ainda os sonhos...

Esta noite, eu dei um abraço. Eu (quase) nunca dou abraços... Mas, esta noite, a ideia de um abraço surgiu, assim muito espontaneamente. Então levantei os braços e vi, pelo canto do olho, que os dele também se erguiam mas, no último momento, eu hesitei. Então fiquei parada, de braços no ar, sem o olhar nos olhos, a ponderar no propósito de tudo aquilo. Ele também não se mexeu, deve ter visto ou adivinhado a minha hesitação.
E, depois, sem a minha vontade o ditar, tão lentamente que nem percebi quando aconteceu, dei por mim abraçada a ele, como um polvo, a envolvê-lo. E, no momento em que seria normal desfazer o abraço, hesitei novamente, pois não via nenhuma razão para o fazer. Ainda não tinha acabado. Fiquei ali, alapada, a pensar mil e uma coisas, sobre tudo e sobre coisa nenhuma, enquanto o sol caía e o mundo girava... e eu ali à espera de um motivo para me separar dele.
 
Este foi um sonho bom...

31/01/2013

"A Visita do Brutamontes", de Jennifer Egan


Este livro é uma sátira, é cómico, mas é trágico, é poético e chega até a ser uma apresentação em power points... Não é um livro fácil. Começamos por conhecer a Sasha (jovem e bela mulher em Nova York, cleptomaníaca, mas anda em terapia), que é empregada de Bennie (um ex-director de uma empresa discográfica, na decadência da meia idade, que toma o café com flocos de ouro que lhe custam uma fortuna porque ouviu dizerque melhora a potência sexual)... depois disto, vem uma história da infância de Bennie e os seus amigos, Rhea, Jocelyn, Scotty e Alice; depois um capítulo dedicado a Lou, um homem mais velho que foi a modos que amante de Jocelyn... e por aí fora. Vamos conhecendo intimamente e sem uma grande organização cronológica uma série de personagens cuja ligação é, às vezes, pouco evidente.
Nesse aspecto, é intensivo. Não é uma sátira tradicional, daquelas que se lê descontraidamente. Mistura a ironia com seriedade grave.
O final faz o encaixe de todas estas peças... aprendemos que o Brutamontes de que nos fala o título não é mais do que o Tempo. Esse tirano insaciável ao qual ninguém foge. A todos persegue e a todos apanha e fustiga e destrói. E seja qual for a nossa origem e o nosso percurso, todos daremos um dia pela passagem dele, como que uma vertigem, uma sensação de movimento, e nos abismaremos na comparação com o que éramos.
É um livro "pesado"... mas inovador, sem dúvida!... mais um da vasta biblioteca do Duarte...

30/01/2013

Alguém sabe interpretar sonhos?

Esta noite sonhei que o pai voltava. O meu pai. O que já não vejo há coisa de 6 anos... Não sei como ou porquê. Mas estava cá em casa. E a casa era outra vez pequena demais para fugir... Ele voltava com os olhos raiados de vermelho, o cheiro a destilaria, a agressividade e o ranger de dentes.
Mas, ao primeiro sinal disso, em vez de fugir e esconder, como era hábito, eu pulei e empurrei-o até à porta e gritei-lhe impropérios de esconjuro...
Acordei satisfeita... ainda que um bocadinho abalada. Mas, sobretudo, satisfeita. Porque o meu Eu-Em-Sonhos deixou de ser passivo. E isso leva-me a pensar que o meu Eu-Real é isso e ainda mais.

28/01/2013

Hoje pensei...

À força de imitar os meus ídolos e falhar, criei o meu próprio estilo...

26/01/2013

Para mim


                    
(Imagem retirada de http://filmgrab.wordpress.com/movies-a-z/, do filme Pulp Fiction)

O Sol hoje decidiu brilhar para mim. Toda a gente o desfruta mas eu tenho a certeza que é para mim. Mesmo sendo um Sábado em que tenho de trabalhar, não podendo, por isso, ir gozá-lo. Mas eu sei que é para mim. É uma forma de promessa e de desafio. E eu olho-o e deixo-o cegar-me, em sinal de aceitação.
Vou fazer algo diferente... se não for hoje, amanhã...
E as pedras da rua brilham com os restos da chuva que ficaram de ontem, e esse brilho é para mim. Para me encandear, porque sabem que gosto.
E o ar frio movimenta-se na minha direcção, porque sabe que o seu abraço gelado não me incomoda. "Vento é o ar em movimento", sei isto desde a Primária...
E a comida cheirosa que espera por mim em casa, é para mim. Assim o meu apetite flutuante o permita.
E o que o resto do dia trará, eu ainda não sei. Mas vou aceitá-lo bem. Porque é para mim.

24/01/2013

"A Bicicleta que Tinha Bigodes", de Ondjaki


Este livrinho pequinino, de título estranho e capa insuspeita, emprestado pela minha Adorable One, deu-me umas poucas horas de genuíno prazer de leitura... Havia um sorriso a bailar-me nos lábios quase sempre e isso, mais do que qualquer palavra, resume o efeito profundo a apaziguador desta leitura.
Fez lembrar um bocadinho a história d'O Principezinho, pelo tom aparentemente juvenil que esconde verdades universais, aponta dedos e faz bem à alma.
Esta é a história de um menino Angolano que quer escrever uma estória para participar num concurso da Rádio Nacional e ganhar o cobiçado prémio: uma bicicleta com as cores da bandeira angolana.
Nos poucos dias que dura a sua busca por uma ideia que sirva de base para a sua estória, conhecemos  a sua rotina, os seus pensamentos claros e inocentes, os seus amigos e familiares muito pouco convencionais.
O tom é fluído e musical, como só o português de África ou do Brasil sabe ser... Em suma, para pensar um bocadinho, ou simplesmente para descansar a mente no embalo daquelas palavras encantadoras, vale muito a pena dedicar um migalhinho do nosso dia a esta leitura!

23/01/2013

Se eu fosse uma fadinha...

...entrava em pontas de pés... sem fazer ruído, para não alterar o teu mundo. E procuraria a tua presença, como se conhecesse o caminho, como se fizesse um jogo... e quando te visse, estacaria. E ficaria um momento, ou dois ou três, a saborear o teu ser. Esperaria que não desses por mim, ainda não, e admiraria a forma como a luz reage a ti, e como tu te movimentas nela. Onde foste buscar toda essa graça??
E finalmente, aproximar-me-ia. Não te assustes, não te exaltes, sou só eu! Sei que reconheces a minha brisa porque o teu sorriso grita o meu nome. Então, sem ser gulosa, depositaria um beijinho em ti, que mais não seria que um sopro cálido e retirar-me-ia, para o meu ninho de luzes estrelares e cheiros quentes, a pensar que a graça das coisas está em tê-las para nós sem nunca as subtrairmos aos outros.
 
 

22/01/2013

"Salva-me", de Guillaume Musso


Após a leitura de "E Depois...", atirei-me avidamente a este...
Estou ligeiramente desiludida, porque as minhas expectativas começaram por estar nos píncaros.
O grande erro, creio, foi ler os dois assim seguidos. Estes livros têm uma profundidade muito serena e apaziguadora, apesar das questões perturbantes que são colocadas. No primeiro, sem estar à espera, fui "puxada" desta vida quotidiana para um mundo onde respirei mais devagar e me encantei com as personagens. Sem sair desse encantamento, comecei logo com este livro, portanto perdi a oportunidade de sentir novamente aquela fuga para algo alternativo...
Este livro, escrito um ano depois de "E Depois...", desenvolve-se na mesma linha de vidas mais ou menos rotineiras levadas por personagens encantadoras, e que são abaladas por um acontecimento ou revelação que os confronta com a possibilidade da perda ou da morte...
A sinopse reza assim:
 
Uma história encantadora repleta de fantasia, suspense e amor.
O insólito encontro entre Juliette e Sam é explosivo e mágico. Mas o apaixonado fim-de-semana que vivem juntos é maculado pela mentira. Sam, viúvo, diz ser casado; Juliette, empregada num café, diz ser advogada.
Juliette tem de regressar a Paris e Sam acompanha-a ao aeroporto. É o instante decisivo em que o destino de ambos pode mudar, mas nem um nem outro ousa pronunciar as palavras necessárias.
Meia hora mais tarde, chega a notícia: o avião de Juliette explodiu
em pleno voo. Sam é agora um homem desesperado. Está longe de imaginar que a história deles não acaba aqui...
 
Por oposição à anterior, esta história é mais elaborada, mais complexa... Caindo um pouco, na minha reles opinião, na vulgaridade das histórias de gente normal que vira super-herói e anda envolvida em perseguições e pancadaria e tiroteios sem se dar bem conta do como ou porquê... Isso, a meu ver, tira um bocado a beleza que residia na simplicidade da primeira história que li deste autor...
Por comparação, acho que perde. Mas não deixa de ser um belíssimo livro!

19/01/2013

Imortais



A Imortalidade é uma ilusão, quase sempre. Uns poucos eleitos foram bafejados por ela mas a ignorância que grassa na nossa sociedade de culturas-gerais que sabem um pouco de tudo sem saberem nada de coisa nenhuma, até a esses ameaça.
Mas ele insiste que não é assim. Que basta partilhar uma música para que fiquemos imortalizados na memória um do outro. Uma música, é quanto basta... quanto mais tudo aquilo que já partilhámos...!
Não tenho ilusões a esse respeito. E comove-me tanto perceber que, embora escaldado, ele continua a mantê-las...
Será o meu pessimismo crónico, a minha mesquinhez embutida que me fazem ver as coisas desta forma? Uma forma efémera, frágil como vidros. Hoje somos tudo e todos os dias o meu primeiro pensamento vai para si... Mas, amanhã, a vida acontece, um azar acontece, a verdade acontece, e seremos repelidos um pelo outro à mesma velocidade com que fomos atraídos, mas em vez da inocência que nos trouxe, agora é algo corrosivo que nos leva...
E eu leio os seus livros, e ele ouve as minhas músicas, e eu acarinho o que é seu, e ele aceita e ri do que vai de mim, e eu vejo-me rodeada daquilo que é dele... Mas vejo sombras em tudo. Sombras que dizem "aproveita enquanto tens"... ao passo que ele anda encandeado por luzes que parecem gritar-lhe "constrói, porque será eterno".
Qual de nós andará mais equivocado?

16/01/2013

"E Depois...", de Guillaume Musso

                                               

No final, quando o Duarte me perguntou o que tinha achado, resumi o livro da seguinte forma:
se não deixasse esta sensação de insatisfação, não seria grande livro. Seria apenas um livro bom de ler...
 
O livro aborda de uma forma muito límpida e simples o tema da morte, das "máscaras" que lhe damos, da forma compulsiva como a escondemos do nosso dia-a-dia.
Temos uma personagem principal verdadeiramente cativante, Nathan. Aos 8 anos tem uma experiência de quase-morte, ao tentar salvar a sua melhor amiga, e futura mulher, de morrer afogada num lago gelado. Agora, adulto, advogado bem sucedido, separado da mulher, a vida que conhece tem uma estranha reviravolta quando Nathan é confrontado com a proximidade e omnipresença da morte, a razão pela qual sobreviveu na infância e o seu papel (e através dele, de todos nós) neste mundo.
 
Não há suspense ou grandes mistérios, é na simplicidade que reside a obsessão por este livro. Como se, aquele estranho efeito de valorizar as pequenas coisas como sentir o sol na pele ou cheirar café, quando se sabe que se vai morrer, nos fizesse também valorizar a subtileza doce e adorável deste livro. E fica aquela sensação de que há muito para "marinar", muito sumo para espremer... mas o final é bom o suficiente para dar um desfecho sem responser a todas as perguntas. Como se nos mostrasse a porta, mas nos deixasse sozinhos para passarmos por ela e procurarmos por nós as repsostas.
Gostei... gostei muito!
...e acho que vou ler outro deste autor... =)

11/01/2013

"Rendida", de Sylvia Day



Bem... o livro veio-me parar às mãos trazido pelo Duarte. A ideia dele era eu, que sempre confessei não achar grande interesse na história de "As Cinquenta Sombras de Grey", ler este livro que se diz ser "mais" tudo (ousado, intenso, blá blá) do que aquele, para lhe dar o meu parecer e ele decidir se o iria ler... Sim, é verdade. Agora sou consultora literária... (barrigada de riso)
E, assim, li.
E, apesar de ser uma trilogia e de o primeiro livro não ter um "fim" ou conclusão, apenas acabam as páginas num ponto absolutamente banal da história, eu não tenho a mínima vontade de continuar a ler.
Histórias deste género, que roçam o limiar do pindérico deslavado, alternando com páginas e páginas de exaustivas e despudoradas descrições eróticas, não me desafiam ou dão pica...
É "demasiado". Demasiado superficial, demasiado vistoso e espampanante, demasiado fútil, demasiado visual e sensorial e demasiado tudo...
Definitivamente, embora estejamos numa moda frenética de romances atrevidos de fazer arder as orelhas, a minha onda não passa muito por estas fantasias baratuchas...
 
A história centra-se nas personagens de Eva e Gideon, cada um lindo e maravilhoso, bem sucedido e abastado, mas com feridas emocionais profundas e um passado um bocado obscuro. Quando se conhecem, há descargas eléctricas, os céus escurecem e o chão treme e a única coisa que pensam fazer a partir desse momento é, e cito, "fornicar como coelhos". E é isto.

10/01/2013

Às vezes...

...Às vezes eu pico. Eu doo.
Às vezes eu rosno e a seguir rio. Mas, às vezes, se não levam o meu rosnar a sério, eu mordo e arranho e rujo.
 
Não quero magoar. Não quero ferir. Eu aviso. Eu grito a minha imprevisibilidade e a minha exigência agressiva por espaço e controlo. Mas, às vezes, pensam que o faço por graça. Ou por desafio.
Não é uma coisa nem outra.
 
Hoje dei uma ferroada no meu amigo. Ele acusou o golpe. Eu senti-me miserável. Mas eu não vou pedir desculpa ou recuar. Que legitimidade tenho para o fazer se sei que, se me vir de novo na mesma situação, vou repetir o ataque?
 
Então, pico e afasto-me. E peço por tudo que a prudência o aconselhe a manter-se no mesmo sítio.
 

08/01/2013

Tão simples quanto isto:

Deixa que gostem de ti.
Deixa que a tua vontade de demonstrar que gostas dos outros dite as tuas acções.
E, assim, tudo vai ficar bem.
 

07/01/2013

"Os Miseráveis"

É esmagador.
Á primeira cena é absolutamente arrepiante, fez-me ficar colada à cadeira e deu-me uma sensação de aperto no peito que se manteve durante todo o filme.
Quem já é fã do Hugh Jackman vai ficar absolutamente maravilhado, porque a sua interpretação de Jean Valjean é de comover as pedras.
O Russel Crowe aparece com o seu porte muito "gladiador", dando vida a um oficial cego pela chamada justiça.
A Anne Hathaway está sublime... possessa!
E depois há o meu adorado Eddie Redmayne...
As cenas são poderosíssimas e as músicas, grandiosas!
Fui ver naquela... tanto se me fazia. Vim maravilhada!

04/01/2013

O que não sabes sobre mim...

...o que pensas que sabes?
Não sabes da minha pantomima. Do papel que represento, incontrolavelmente, instintivamente. Não sabes que a dada altura os olhos me começam a pesar, as palavras secam e os músculos da cara deixam de responder. Acaba-se-me a deixa e fico atordoada porque não sei improvisar. Então sacudo-te. Tomo-te em doses pequenas, bem medidas. Para meu benefício, mas também para o teu.
Não sabes dos meus dons divinatórios. Agoirentos, sempre.
Nem imaginas o quanto me arrepia e desconcerta a tua mania de seres imprevisível. Pensas que me ajudas confessando-me os teus devaneios antes de os concretizares, para eu me habituar, para ter uma reacção antes e serenar, depois. Mas a confissão da tua insana intenção apanha-me desprevenida e desconcerta-me na mesma...
Não sabes os meus rituais. As minhas manias. E olha que são intoleráveis. Dizes que lhes achas graça, como toda a gente acha graça às primeiras vezes que o cachorrinho arranha os móveis. Daqui a nada vão começar a castigá-lo se continuar a fazê-lo. Pô-lo fora se mesmo assim não se corrigir.
Não sabes que quando eu digo dos meus desequilíbrios falo a sério. Nem entendes que quando falo da minha solidão, o faço com amor a ela.
Por fim, muito provavelmente, também não sabes que digo isto, não para preencher o vazio do que desconheces de mim. É para poderes imaginar até onde vai a tua ignorância.