12/04/2017

A mota

Amigo querido, a quem falo pouco, e vejo menos ainda... Hoje ligou-me, enquanto estava à espera de algo, resolveu ocupar o seu tempo comigo... Tão bom! Disse-me que comprou uma mota e eu, em tom de brincadeira, fiz-lhe notar que tem que andar sempre com dois capacetes, um para ele e outro para as meninas que hão-de querer dar umas voltinhas. Respondeu-me de forma decidida que tem capacete para ele, quem quiser andar com ele tem que se arranjar...
A conversa derivou para o trabalho, que nos ocupa os dias, para os amores que nos desgostam e deixam um vazio, e aquela ligeira melancolia que nos ataca dez anos depois de sair da faculdade por verificarmos que não estamos no ponto onde imaginámos na altura que estaríamos e que a solidão é companheira mais vezes do que o que seria desejável. E depois ele disse coisas maravilhosas. Coisas que eu já sabia mas que às vezes esqueço... Disse que a aprendizagem mais importante que fez nos últimos tempos (inclusivamente com a ajuda dos seus romances efémeros) foi aprender a estar bem sozinho. A fazer as coisas por si próprio, por decisão e vontade sua, sem andar ao colo ou à boleia de alguém. Em suma, a validar em si próprio a sua vida e os passos que dá. E referiu que a compra da mota é no fundo uma expressão disso mesmo, porque numa mota é só ele sozinho, nao tem, como num carro, 4 lugares vazios à sua volta, ou entao cheios pela conveniência de uma boleia e não por verdadeira vontade de estar com ele.
E então, como um circulo que se fecha, relembrámos o pormenor de andar com um único capacete. Porque ele conta com ele. É inteiro. Quem vier, que venha inteiro também.

09/04/2017

"médico, cura-te a ti mesmo"

...ou, já que estamos na Quaresma, "Jesus, salvaste os outros, salva-te a ti mesmo".
Sou perita em confortar outros, em fazer-lhes ver que, apesar das tristezas que vêm regularmente, como marés, as suas vidas estão cheias de beleza, de tesouros... As oportunidades perdidas são, na verdade, escolhas feitas. Os erros são manifestações de humanidade e a aprendizagem que deles vem é valiosa. As cicatrizes são património histórico. À custa das muitas terapias que já fiz, em busca da serenidade para mim, aprendi muito e presumo muitas vezes compreender as feridas emocionais de cada um...
E depois fico só. E reparo em mim. E às vezes a beleza do dia não é suficiente. Não chega para sentir que vale a pena estar aqui. Às vezes, a beleza do dia parece exactamente o contrário, parece ser uma afirmação irónica contra o meu estado de alma tantas vezes melancólico. Os meus próprios tesouros e as escolhas que fiz parecem mesquinhos. Não me sinto corajosa, sinto-me pequena. Sinto o peso do que me falta. E não há distracção que me valha, porque em todas elas sinto a pena do que já não tenho, do que está ausente.
E assim, veio-me esta ideia... Preciso fazer comigo, aquilo que faço pelos outros. Levantar-me a mim mesma.

02/04/2017

Meditação de hoje

Como me ensinou um amigo, "não procures a felicidade no mesmo sítio onde a perdeste". Como tanta gente cita, "tolice é fazer as mesmas coisas e esperar um resultado diferente". Como hoje reflectiu a minha mãe, acerca do seu próprio infeliz casamento, "uma pessoa deixa quase de ser ela própria, deixa as suas alegrias, por outra pessoa, e para quê? O que é que isso nos traz?".
É muito fácil, é quase irresistível, perdermo-nos no labirinto destas cogitações... Mas depois de sairmos do labirinto, sacode-se os ombros, respira-se fundo, limpam-se as lágrimas e segue-se em frente. Está sol e cheira a flores na estrada.

19/03/2017

Isto é onde vivo


Há quem diga "se não estás bem, muda-te. Não és uma árvore". Eu às vezes não estou bem... mas mudar-me nunca me passa pela cabeça. Não nasci árvore, mas não me vejo a abandonar isto de ânimo leve...

10/03/2017

Gostei tanto que vou partilhar

...este POST do Pedro Coimbra, do Devaneios a Oriente. Uma lição para todos, para um mundo mais justo.

08/03/2017

É Dia Internacional da Mulher...

...e eu não gosto. Estão a estragá-lo. Tornou-se no dia em que as mulher censuram as poucas que não ligam à data, que não vão arranjar cabelos e unhas e jantar com ruído, beber demais e fazer piadas de que os homens estão abandonados e que não são nada sem elas... Tenho cá para mim que eles estão é todos reunidos algures a celebrar uma noite de sossego...!
As mulheres exigem louvores, flores e chocolates porque sim, porque são mulheres, porque Deus lhes deu essa felicidade? A maioria não pensa nas Sufragistas, no incêndio da fábrica em Nova Iorque em 1911, no gigantesco protesto na Rússia Czarista tão violentamente reprimido... E também não pensam no que há ainda por fazer, no nosso mundo dito moderno e desenvolvido, para se chegar à verdadeira igualdade e justiça sem ligar a géneros.

07/03/2017

Pela Teté

"Teté" é mais um dos milhares, milhões, miríades de nomes que povoam esta blogosfera... O espaço da Teté, o Quiproquó recebe a minha visita ocasionalmente, os meus comentários, os meus sorrisos e apreciação pela partilha dos momentos e das delícias que fazem as nossas vidas. Como já referi num comentário no blog de um "amigo comum", pela natureza dos seus textos, imaginava a Teté como uma menina, uma jovem, uma sonhadora. E esta descrição era correcta, excepto no que respeita à idade expressa no BI.
A Teté deixou este mundo, não só o da blogosfera, mas o mundo real. Ou, pelo menos, da "realidade" que conhecemos e aceitamos. Eu acredito que haverá realidades novas e maiores para a energia e alma que somos.
Esta pessoa que nunca vi, cuja voz nunca ouvi, cujas palavras escritas chegaram até mim sem hora nem lugar marcado, e que agora partiu, comoveu-me e fez-me pensar em vós, todos vós que me leis, assiduamente, ou uma vez por outra, ou uma vez para nunca mais... Porque estas personagens que somos aqui, que muitas vezes não são reais, mas pseudónimos e alter-egos, são uma janela para o nosso interior mais autêntico... E reconhecer isso é reconhecer que somos todos íntimos uns dos outros.

À Teté, um até sempre e um beijinho a todos os bloggers que manifestaram os seus sentimentos bonitos nos seus espaços.

27/02/2017

Como galinhas decapitadas...

...as pessoas. A deambular desgovernadas, esguichando sangue para todo o lado, até por fim embater em algo que as deixe ali encostadas e estrebuchar o resto da energia vital.
Não somos assim, tantas vezes? Temos consciência do que fazemos? De para onde vamos? Do que somos?
Achei sempre, de uma forma nada lógica mas instintiva, que quem opta por uma vida espiritual, quem se propõe desbastar a selva que é o emaranhado das suas próprias emoções, os seus sentimentos, a sua essência primordial, o faz porque a "viagem" pelo mundo exterior redundou de alguma forma em fracasso. Por um desgosto amoroso, por uma morte, por uma doença traiçoeira, por um descontentamento generalizado ou uma sensação de desconexão com o mundo "normal". Enfim, por uma Dor. E as pessoas iniciam essa jornada como quem toma uma anestesia, porque a tarefa é tão absorvente, interminável, que tirará o foco do restante.
Pensei sempre assim. Ainda penso, mesmo vendo-me eu própria numa jornada paralela, em que tento conhecer-me, em que medito, em que busco mais espiritualidade, mais amor pelas coisas, cultivar a gratidão, cuidar do meu corpo como se de um templo se tratasse...
E olho para fora de mim. Para quem tem tão poucas preocupações deste género. Para quem consegue resumir o sentido da sua vida nas coisas que realmente importam ou nas mais superficiais, conforme se queira olhar para as coisas. Deixar um legado no campo profissional; constituir uma família, uma prole, uma herança.
Pergunto-me se essas pessoas se colocarão por vezes as mesmas questões que eu. Se sim, são muito bravas por conseguirem justificar-se e continuar o seu rumo de uma forma simples e directa. Mas às vezes acho que não... Que estão anestesiados. Que as pessoas mais brilhantes e extrovertidas têm é horror de estar sós. Que uma mãe que deixa todos os outros papeis de sua vida para ser só e a 100% Mãe a tempo inteiro não tem um sentido definido para a sua própria vida. Que a pessoa que se desgasta no trabalho não vai ficar contente quando tiver uma casa maior, um carro melhor, umas férias mais luxuosas, essa busca nunca vai acabar, até ao dia em que o dinheiro que lhe custou a saúde vá ser aplicado na tentativa de trazer a saúde de volta.
E quando penso nisto, não penso que entre as pessoas que empreendem a busca pelo auto-conhecimento e vivem numa nota constante e serena, e as pessoas que vivem a saltar etapas na vida, numa busca também por qualquer coisa... Nao penso que umas estejam certas e outras não. Penso que todos buscamos o mesmo: a felicidade e um sentido para nos fazer sair da cama todos os dias. Embora sejamos como galinhas decapitadas, porque corremos em círculos tantas vezes, sem vermos bem onde esse caminho nos está a levar...

20/02/2017

Igual... Mas ao contrário.

Há quase quatro anos atrás eu era Leve, era assim.

Hoje sou leve ainda. Tenho mais penas no coração e mais memórias na mente do que naquela altura, mas pelo caminho também larguei algum peso que me oprimia... Por isso, continuo leve. E faço por caminhar direita, não por efeito do amor que alguém me vota, mas pelo amor que vou dedicando a mim, que me enche de orgulho e de optimismo. Os dias já estão a ficar maiores. É o renascer.

15/02/2017

Para onde vão as palavras que calamos? Os monólogos que apenas imaginamos? As mil variações possíveis daquela conversa, caso tivéssemos usado uma palavra diferente ou posto aquela vírgula noutro lugar?
Depois de muito cogitar nisto, tenho para mim que as palavras ficam em nós, percorrem-nos o corpo, como se viajassem à boleia da corrente sanguínea, visitam vários membros e órgãos, causando diferentes sensações em cada um, voltam eventualmente ao coração trazendo sentimentos à tona, passam pelos pulmões, causando-nos aflição asmática e trazendo tristeza (a medicina chinesa, na sua lógica tão bela, diz que os pulmões são o órgão que mais sofre o sentimento de tristeza, que libertamos através de choro e suspiros). Lá acabam as palavras por ascender ao cérebro e renova-se a simulação de diálogos, de argumentos, de réplicas imaginadas, de finais felizes e redentores ou de rancores acesos e inapagáveis.
Quanto tempo durará? Quanto tempo resistem essas palavras nesse circuito ininterrupto? Será talvez um pouco como quando o corpo exposto a uma substância nociva se vai regenerando, dia após dia, mês após mês... Mas sem nunca desaparecer totalmente.

11/02/2017

Barómetros

Sou viciada neles. Não para medir a pressão atmosférica, literalmente, mas a pressão na minha atmosfera. No Sistema Solar onde Briseis é o centro, o "Sistema Brisar". Os barómetros dizem-me se há níveis anormais de actividade na atmosfera... Como hoje, em que me veio à cabeça, vinda de lugar não identificado, a música dos Kodaline

You make my heart feel like it's summer
When the rain is pouring down
You make my whole world feel so right when it's wrong
That's how i know you are the one.

E eu suspirei de alívio, porque o barómetro disse que estou bem. Emocionei-me com esta música, porque me fez pensar no meu ex-Amor mas, ao mesmo tempo, vi que as palavras já não me serviam, já não eram a minha verdade. Já não era verão no meu coração há tempo demais... e isso significa que estou onde devo estar. Que tomei a decisão certa. Porque aquela música é o que o amor deve ser. Ela serve de barómetro.

02/02/2017

Ode ao Egoísmo

"egoísmo, não, credo! Que coisa feia!"
Deus me livre de algum dia alguém pensar isso de mim... Tiro um bocadinho, o pedaço maior fica para os outros. Não é justo, a mim faz-me mais falta do que a eles, mas se o reivindicar poderei ficar rotulada de egoísta. Assim, tiro só um bocadinho. E se vier mais alguém sou a primeira a oferecer-me para dividir o meu pedaço.

Mas agora basta. O egoísmo é uma manifestação de amor próprio, de respeito próprio. É sermos advogados de nós mesmos. Abri os olhos para esta novidade há dias, e andei a mariná-lá, lentamente. Com medo de exagerar na dose. Egoísmo não é o mesmo que egotismo. O primeiro é bom, é o que diz "primeiro eu. Depois tu." O segundo é catastrófico, é o que diz "Só eu."
O egoísmo foi o patrão de algumas atitudes que tenho vindo a tomar... Não ofendi ninguém, respeitei toda a gente. Não fiz mal a ninguém, fiz bem a mim.
Aspiro ser a pessoa que os outros um dia olharão com admiração e dirão "olha só, vê como ela é egoísta!", como se fosse mesmo uma virtude. Como se fosse exemplar.

25/01/2017

As palavras

As coisas que as pessoas dizem constituem uma parte pequenina daquilo que ouvimos. O resto, a maior parte, é constituído por aquilo que o nosso entendimento lhes acrescenta.
Hoje, acompanhada do meu livro a apanhar sol no cais, um casal velhinho, que não conheço, passou junto a mim e a senhora saudou-me alegremente dizendo: "Assim é que está bem, sozinha... A ler, a meditar...". Olhei e sorri-lhes enquanto passavam e fiquei com aquelas palavras a retinir... Eu estava, de facto, bem, ali sozinha. Estava a ler. E ia fazendo uns pequenos intervalos para me permitir meditar no calor do sol, no burburinho do rio, na alegria do cão que se atirava à agua uma e outra vez em perseguição dos patos. Ali é que eu estava bem.
Mas, na verdade, a minha mente interpretou as palavras de outra forma. Da forma que reconhece que, mesmo que quisesse, naquele momento, eu nao poderia estar senão sozinha. Que estou sozinha, de facto, agora que ninguém partilha a sua existência comigo.
E dei graças por ter vindo apenas esse pensamente triste, em vez do ominoso e sentencioso "aí é que estás bem, sozinha, porque não sabes ser de outra forma e é isso que mereces e é assim que hás-de continuar".
A amorosa senhora não teve noção que, se a imaginaçãome tivesse batido para o lado errado, eu poderia ter-lhe sorrido e, a seguir, ir para casa para cortar os pulsos... Perdoem-me o exagero, mas espantei-me verdadeiramente com a constatação de que, mesmo nas palavras dos outros, é apenas a nossa consciência que ouvimos. Por isso, cuidemos dela com amor e dedicação, para que ela nos cante, em vez de nos condenar.

24/01/2017

Sabedoria graffitada

Numa das milhares de ruínhas que descem da Sé do Porto em direcção ao rio, há um nicho onde se lê num graffiti simples,"we all find your place in this world". (imagino que o artista quereria dizer "our place", mas não é grave.) Tirei uma foto ao meu ex-Amor junto a essa parede, no dia em que lhe mostrei a Invicta, há tanto tempo. Parece que foi ontem. Parece que foi há séculos.
Lá perto, numa outra ruela, tirou-me ele uma foto diante de uma parede em ruínas onde se lê "Quantas cidades tenho em mim?" 
Guardo com carinho ambas as imagens.
Visitei agora a Invicta para mais uma consulta, mais um passo na busca da minha Cura, da minha Paz. E passeei em ruas que ficaram por visitar aquando da outra visita, com ele. Mas não encontrei graffitis. Li na capa de um livro, numa montra, "Ostra feliz não faz pérolas", e isso bastou-me.
Viajei no comboio, no lugar número 13. Não me importei com o azar porque, pelo menos, o lugar era à janela.

Fica a foto de uma gaivota atrevida que, confesso, temi que depois de posar para a foto me atacasse de repente...!

16/01/2017

Flores de Janeiro

Eis que no rigor do inverno, quando menos era esperado, o "cacto" lá de casa resolve rebentar de cor-de-rosa... e a primeira flor, muito precoce em relação às outras, alegrou-me como se duma promessa se tratasse.

(quem vem aqui ao blog sabe que não sou nada dada a postar fotos, muito menos da minha autoria... a ver se com o novo ano isso muda um bocadinho...)

14/01/2017

Será a felicidade invisível?

Lembro-me de ouvir dizer que só damos valor ao que nao temos. Que só percebemos que fomos felizes quando a felicidade nos deixa. Mas eu não.
Eu soube quando fui feliz. Muitas vezes, eu fechei os olhos e pensei o quanto era abençoada, o quanto eu desejava que o tempo congelasse ali, naquele momento; eu inalei ar que sabia ser perfumado daquela maneira única que nos é dada tão raramente pela felicidade. Eu nao irei nunca dizer "naquele momento, fui mais feliz do que nunca, sem o saber", ou "olhando para trás, vejo agora que aqueles foram os tempos mais felizes da minha vida". Não. Eu vi a felicidade quando ela me visitou, eu olhei-a, acenei-lhe ao de leve, como quem diz "tou a ver-te", e desejei e implorei que ela se demorasse... E ela demorou-se o tempo que teve que ser. E agora foi abençoar outros.
Mas sou bem-aventurada até nisto, no facto de não ter sido cega à felicidade quando ela me visitou.

09/01/2017

Só não chora quem não tem coração



Everytime we say goodbye I die a little
Everytime we say goodbye I wonder why a little
Why the gods above me, who must be in the know, think so little of me?
They allow you to go.

When you're near there's such an air of spring about it
I can hear a lark somewhere begin to sing about it
There's no love song finner but how strange is the change from major to minor
Everytime we say goodbye

06/01/2017

Apaguei a luz e sentei-me confortavelmente, pus uma musica suave e tencionava fazer a minha meditação diária... É uma forma de terapia, a par das consultas com a psicóloga que já faço há tantos meses, faço agora estas meditações diárias, em que acalmo o meu ritmo cardíaco e mental, olho para dentro de mim, para o que sou, em contraste com o que aparento ser, e o que gostaria de ser, o que preciso melhorar, a nível dos meus pensamentos e sentimentos, para deixar de ser tao susceptível a ataques de ansiedade, medos e inseguranças. É um momento de pausa diário, que costumo fazer à noite, mas hoje aproveitei estar de folga para o fazer ao final da tarde, enquanto a casa está vazia...
No minuto em que inicio o processo estoura a tempestade no apartamento de cima; a familia acaba de chegar a casa e são só gritos loucos e coléricos de uma, respostas amedrontadas de outra, a voz do pai que tenta pedir calma, mais gritos e rugidos de revolta, de vergonha, palavrões, maldições proferidas, e "estou farta", e "tenho vergonha", o bebé chora, ouvem-se soluços convulsivos de uma, e nova rajada de gritos e insultos de outro lado...
Não há álcool naquela família. Não há vícios, nem pobreza, nem vergonhas que sejam o escândalo da rua e dos vizinhos... Há apenas uma família, que como todas as outras tem os seus problemas quotidianos, os seus choques de personalidade, o cansaço que traz para casa depois do trabalho... E que ultimamente nao tem sido capaz de lidar com isso sem ser desta maneira ruidosa e que causa tanta dor aos que ali vivem, e que hoje me perturbou tanto.
Ia fazer a minha meditação mas há uma familia a desfazer-se por cima da minha cabeça, a dizer coisas tao horríveis, a arranhar a voz para cuspir palavras com intenção de magoar...
Uma das coisas que peço na minha meditação é para deixar o medo e a insegurança, mas hoje esta tempestade que veio ribombar sobre a minha cabeça trouxe memórias e a reacção instintiva que aprendi durante tantos anos, que é encolher-me e chorar em silêncio.

02/01/2017

"Carry your own weight"

É o meu desejo para mim e para toda a gente no novo ano. Sem especificações de paz, saúde, trabalho ou amor... venha de lá o que vier, que cada um seja capaz de se carregar a si próprio, tomar as suas decisões, assumir as suas responsabilidades. Em suma, tomar nas suas mãos o controlo da sua própria vida e, sobretudo, viver bem consigo porque, não importa as companhias que temos ao nosso lado, quando fechamos os olhos à noite, na cama, é só o interior da nossa própria cabeça que vemos.



You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight

Pasa la vida así, así
Pasa la vida, pasa
At the end of the day you got to carry your own weight

Now you can run and you can think that everybody is gonna give you what you need but
At the end of the day you got to carry your own weight
Yeah and you can run and you can also try to hide away from your responsibility
At the end of the day you got to carry your own weight

Ay ay ay pasa la vida, pasa la vida
Pasa la vida, pa ti pa mi, pasa la vida

You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight

Pasa la vida así, así
Pasa la vida, pasa
At the end of the day you got to carry your own weight

Cuz in life there will be suffering, no matter if you're running
Or looking for love you may not get enough
It's an inside job and it will make you tuff
If you're rough around the edges, it will clear it up

You can hide but you can't seek, remember that you're free
Nobody gonna give you what you need
At the end of the day you got to carry your own weight

You can run if you want to, disappear on an airplane
But you can't hide from yourself, you got to carry your own weight
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight

At the end of the day you got to carry your own
No matther witch path you take when you're wrong
You gotta be ok with being alone
Your body is a temple, you better make it you home
Is where you heart is beating
You are not the only one who is bleeding
All you need is the air you are breathing
And you just keep on believin' in
You and everything you do
Then moove aside and let the dream come true
If there's a part of you that wants it too
Then you still got lot to get it worth to do

Así, así ni pa ti ni pa mi
Ni pa ti ni pa mi
Así, así, así
Buy a ticket on a long train, if you think it's your escape
But at the end of the day you got to carry your own weight