11/02/2014

Esquizofrenias

Dentro de mim há mundos. Há muitas mulheres: a dócil, a passiva, a fria, a orgulhosa, a solitária, a carente, a ácida, a amante... Há homens também. Há dias de um pragmatismo e inocência quase masculinos. E há bestas: há feras enraivecidas e irracionais.
Dentro de mim há lugar para todos eles. Às vezes cedem o lugar dominante uns aos outros de forma pacífica; são as variações de humor que vêm com os dias e as variações do próprio estado do tempo. Outras vezes, infelizmente, confrontam-se em debates brutais para apurar qual se irá impor.  E aí eu ouço vozes na minha cabeça, sinto impulsos ora destrutivos, ora pacíficos, alternando-se de minuto a minuto. São dias de exaustão emocional, em que me sinto cansada e frágil.
Não os sei explicar a quem me questiona acerca da estranheza do meu humor. Não os sei explicar sequer a mim própria.
Quando penso neste fenómeno, dou por mim a desejar com todo o coração que a Briseis dócil, serena, "masculina" se imponha mais frequentemente.
Pode-se dizer, acho, que tenho em mim uma versão um pouco mais elaborada e insana do Dr. Jekyll e Mr. Hyde.
Será maravilhoso se conseguir alternar entre as minhas várias naturezas tirando partido do melhor de cada uma delas em cada situação. E será catastrófico se, em vez de as domar a elas, me domarem elas a mim, numa espiral de descontrolo imprevisível e fatigante.

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