O Juca esteve na semana passada na feira do livro cá da terrinha... Fui-me plantar lá para assistir à apresentação do "Não nos Roubarão a Esperança", com o objectivo de lhe ir pedir um autógrafo para uma colega que o adora e que não podia estar presente, já que a mim os seus livros nunca me despertaram interesse..
Fui... e gostei! Gostei de o ouvir, da simplicidade, do cómico despretensioso... de admitir simplesmente que foi convidado a escrever o seu primeiro livro porque, disseram-lhe, o que quer que as caras conhecidas da TV escrevam, as pessoas compram! Por isso, ele escolheu um tema que lhe era querido, que viveu, e sobre o qual muito pouco há escrito. Gostei de o ouvir gracejar acerca do facto de a editora o ter aconselhado a acrescentar ao simples título "Os Retornados", que ele tinha escolhido, a parte do "Um amor nunca se esquece", porque são as mulheres que compram livros e as mulheres gostam destes títulos assim... Gostei tanto de o ouvir que, no final, fui a correr comprar o livro "Os Retornados" e lá fui pedir dois autógrafos: um para mim, que confessei humildemente ainda não ter lido nenhum livro dele, e outro para a colega Lu.
Escolhi este livro, entre todos os que ele escreveu e que resumiu durante o seu discurso, porque é o primeiro, porque trata o tema doloroso e recente da Ponte Aérea feita em 1975 entre Portugal e Angola e porque me quis parecer que foi o livro do qual ele falou com mais carinho.
E não senti as minhas expectativas defraudadas... Ele garantiu que os seus livros não eram literatura. Ele é um jornalista que escreve, logo, as suas histórias são contadas de forma muito simples, os acontecimentos vão-se sucedendo e o intimismo com que são revelados é delicioso e absorvente.
A história é comovente de todas as formas: pelo período conturbado que retrata, pelas personagens cativantes que são inspiradas em pessoas reais, pelos pormenores lindos que são revelados acerca daquela pérola do Império Português que foi brutalizada e destruída, por mostrar a verdadeira história dos "retornados", que nós, no continente, sempre desprezámos.
A Joana e o Carlos Jorge existem. Há milhares deles por aí... Cada um com a sua própria história e a sua adaptação dos ovos com açúcar... mas são tão reais. Tão lógicos. É um livro maravilhoso. Muito doce! Que se lê a correr, porque praticamente não o lemos: ouvimo-lo, numa voz interior que, comovida, faz uma partilha... Aconselho! Muito!