19/03/2015

ainda sobre o amor...ainda!

Dois anos depois, eu continuo a aprender sobre o Amor... Imaginei que fosse algo inato... um sexto ou sétimo ou oitavo sentido que, embora subdesenvolvido em mim, já que nunca fui muito romântica, despertaria na hora certa e, a partir desse momento, tudo o que é o Amor, todas as leis e verdades universais seriam reveladas. Uma epifania Amorosa. Todo um Nirvana sentimental...
 
Não é assim. Estúpida, estúpida, estúpida... Ainda hoje aprendo coisas sobre o Amor, sobre ele (o meu amor) e sobre mim também. E, como acontece invariavelmente com todos os tipos de sabedoria, quanto mais sei, mais noto que ainda tenho a aprender...
 
Ora, uma das recentes descobertas que fiz, após muitos momentos de introspeção, é que o nosso amor (a pessoa) não é perfeito.
Ai, eu não pensava que a coisa funcionasse assim... Imaginei que o amor de cada um lhe aparecesse divino e imaculado. Claro que todos temos defeitos, mas imaginei que esses fossem invisíveis a quem ama. Ou, melhor, em vez de invisíveis, fossem visíveis mas aparecessem aos olhos de quem ama como qualidades ou características de feitio e personalidade, mas nunca como defeitos. Como nas telenovelas, em que o vilão tem sempre uma esposa vilã, e dessa forma os defeitos de um passam camuflados de virtudes ao outro, porque são iguais...
 
Só muito recentemente me apercebo que não é bem assim... o meu amor tem defeitos. E de certeza que ele também já elaborou mentalmente uma listinha dos meus... já respirou fundo e contou até dez muitas vezes para não me dar um berro ou um par de mosquetes!! Vá, se calhar, exagero nesta parte =)
Mas começo a ver alguns defeitos... não graves, mas coisas que eu preferiria que fossem diferentes... e não me importo nem isso faz com que goste menos dele... E não esperava que fosse assim... Sempre a aprender...

16/03/2015

A solidão não tem poesia nenhuma. Aquelas imagens noveleiras ou cinematográficas de protagonistas que atravessam a sua solidão com bravura e estoicismo, com uma música introspectiva de fundo, candeeiros com luzes quentes e um ambiente acolhedor... São mentiras. A solidão que vivemos nada tem desse calor sereno, as velas acesas perfumam o espaço mas não confortam; um banho prolongado ocupa algum tempo mas ao mesmo tempo que a toalha nos seca o corpo tambem nos leva a serenidade que experimentámos; o sofá é acolhedor e as luzes são quentes mas não chegam para nos aquecer por dentro.
A solidão é um eco de nós. Se entrarmos nela de livre vontade, serenos e optimistas, ela vai ser apaziguante. Mas se nos forçarem, se olharmos para ela com medo, ela vai paralisar-nos.
Eu já experimentei as duas... Acho que já todos experimentámos.
Vai do nosso estado de espírito, da nossa paz interior e da nossa capacidade de acreditar que logo, logo, vamos estar mais felizes... Está a faltar-me isso, neste momento...

07/03/2015

Estou numa fase medonha...de cepticismo em relação às minhas convicções e juízos, e desprezo pelas minhas emoções...

Fui sempre capaz de compreender e aceitar opiniões alheias, e até facilmente influenciável por elas... Mas a montanha russa emocional e ansiosa em que me tenho visto deixou-me uma consciência de que a minha percepção de tantas coisas é, tantas vezes, ora exagerada, ora diminuta. O mundo em que me movo e a rotina que criei são pequenos, mas gosto assim. São-me confortáveis, dão-me uma sensação de estabilidade. Então, quando converso com outros, quando comparo as minhas experiências e os meus problemas, invariavelmente tenho a sensação que fico áquem daqueles padrões... e, por isso, as minhas ideias e opiniões, os meus sentimentos, fraquezas e medos, aos meus olhos tornam-se pequenos, deproporcionados... e inválidos.
E assim, sem me dar bem conta do como ou quando, passei a ser a pior juíza de mim própria, porque nem a minha dor considero válida...

06/03/2015

Diário de bordo

Fui 4 dias a Paris com o respectivo e, uma semana depois de regressar, lá fui eu passar 6 dias a Lisboa na BTL... escusado será dizer que andei com ansiedades ora eufóricas ora panicantes durante 3 meses...
Mas já regressei à rotina; à minha rotina confortável e rígida, que me ajuda a manter calma... embora também me torne mais fraca por habituação.
Durante este período não tive consultas com a psicóloga. Não fiz sessões de acupuntura... E aguentei-me quase sem vacilar... quase, quase!
Fui e correu bem e isso é uma lição que demonstra que os meus medos e ansiedades não têm razão de ser... mas, como muito bem disse o meu Amor, que me compreende até quando eu não me entendo a mim própria, o facto de ter corrido bem desta vez, não elimina a possibilidade de na próxima correr de forma diferente... e então o medo vai voltar. Pode voltar menos intenso, mas vai voltar. E, no meio deste processo repetitivo, vai haver um dia em que eu vou deixar de lhe prestar tanta atenção.
 
Conheci o Rui na BTL e 12 horas depois ele contava que a dada altura na sua vida começou a sentir um mal estar interior, o coração muito acelerado, um pânico crescente... algum tempo depois de começar a sentir isto, foi ao médico, que lhe disse que era ansiedade, que o que ele sentia era psicológico. Diz o Rui que, a partir desse dia, nunca mais voltou a sentir aqueles sintomas! Tomou o poder sobre a sua própria mente e não a deixou mais prejudicá-lo... parece simples, não parece?

12/02/2015

Escuta, pequenina...

Quando a ansiedade, aquele nervoso miudinho que muito depressa passa a graúdo, aquelas borboletas enjoativas no estômago e aquela vertigem repentina começam a chegar... pensa para ti: "o que mudou, desde a última vez que te sentiste bem?", e a resposta vai, muito provavelmente ser "nada". Por isso, não temas, não dês ouvidos aos medos. Nada mudou, pequenina. És a mesma, as pessoas são as mesmas, os lugares são os mesmos. Vai ficar tudo bem.
 
p.s. Amanhã vou para Paris com o meu Amor.

04/02/2015

A ansiedade, resumida numa palavra, é sofrimento.
Sofre-se pelas feridas que ficaram de um passado complicado, com medo que ele volte para nos atormentar e se repita. Sofre-se pela antecipação do futuro, como se as possibilidades que ele encerra fossem mais negativas do que positivas. Sofre-se porque, em estado de ansiedade, mistura-se no tempo presente o sentimento de impotência ou desadequação que se teve no passado, com a expectativa dos planos futuros. Como se essa pessoa pequena e magoada do passado estivesse já, neste momento, a viver a emoção que o futuro vai trazer. Só que de forma aumentada. Para pior, normalmente.
A pessoa ansiosa sofre sempre duas vezes. Sofre a antecipação. Por vezes de várias semanas ou meses. E sofre com a chegada do evento ou acontecimento, porque é o momento do tudo ou nada, do "será que vou conseguir enfrentar serenamente ou este friozinho na barriga vai continuar a crescer, formar uma onda gigantesca que me vai submergir em pânico?".
É uma luta desgastaste entre duas partes de um mesmo cérebro: a parte mais instintiva, que reage com medo a estímulos que invoquem alguma má experiência, e uma mais racional (e que as vezes parece tao pequenina e fraca), que tenta dizer à outra parte que não, que não tenha medo, que tudo vai correr bem.
As pessoas ansiosas são as mais cruéis juízas de si próprias. Porque melhor do que ninguém, elas sabem que não faz sentido temer tantas coisas. E mesmo que as coisas sejam dignas de temor, não o são com tanta antecedência, nem com um grau de descontrolo tão grande. E a acrescentar ao sofrimento antecipatório em si, temos um certo nível de auto-desprezo e desconsideração, por admitir tamanha fraqueza e incapacidade de ajustamento ao mundo, à vida e aos outros.
Em suma, é cansativo. É uma guerra feita de inúmeras batalhas; às vezes arrasadoras, às vezes terminadas com um doce sabor de vitória.
Eu ando a tentar acostumar-me a esse sabor. Ando a tentar não me perder de mim, nem da minha identidade, daquilo que me dá confiança por perceber quem sou, como cheguei até aqui, quem fez esta caminhada comigo e me vai acompanhar no futuro, sem me largar a mão.

25/01/2015

Ela vive!!!

Sim... ainda vivo...
Ainda há alguém aí?
Não sei... não tenho tido muito para dizer. E, quando assim é, vale mais mesmo não dizer nada.
 
A minha pequenina "esquizofrenia" anda ao rubro... e oxalá Deus não me castigue por usar levianamente esta metáfora.
Todos procuramos a nossa cura. Eu tenho procurado a minha também. A cura para a minha Ansiedade. Para os medos embutidos na minha mente. Para as minhas inseguranças e carências.
O meu Amor ainda está comigo. Aquela maravilha! Aquele calor que reconforta.
Mas eu continuo a ser a mesma. Foram muitos anos de fugas e isolamento e maus hábitos e ainda tremo quando tenho que olhar para o mundo.
Mas vou aprendendo a viver com isso, a aceitar que sou uma pessoa que sente e anseia demais e fazer por transformar isso numa coisa "normal" e suportável.
 
Ontem fiz uma primeira sessão de acupuntura. Bommmmm... =)