21/12/2015

Ontem fiz 29 anos e a minha avó morreu

Foi um dos dias mais estranhos do universo. Do meu, pelo menos.
Primeiro porque o aniversário é sempre uma data que me causa alguma tensão e ansiedade... Não gosto de surpresas nem de ser o centro das atenções, e já há anos que esta data não me é muito querida.
A avó já estava no hospital há 5 dias. Fruto de uma queda mas, com quase 90 anos, um pouco de febre e uma infecção pulmonar das que são comuns nesta época, acabou por falecer ontem. A avó que eu já não via há meia dúzia de anos, mãe do meu pai, causadora de muitos desentendimentos na família e que foi muito maldosa com a minha mãe aquando do divorcio dos meus pais, há 8 anos. Ontem, no velório, estive na mesma sala com pessoas, tios e primos que não encarava há anos. Pessoas más, por quem tenho nenhum carinho. O meu pai está no estrangeiro e vem hoje de avião para ainda tentar ver a mãe antes de ser enterrada. O que significa que talvez seja hoje o dia em que revejo o meu pai, ao fim de 8 anos.
É tudo um bocadinho intenso. Os nossos rituais da morte são prolongados. Um corpo velado durante horas. Um par de tias carpideiras que gemem e gritam ruidosamente para que todos possam apreciar como sofrem. A possibilidade do meu pai a pairar. Estou só ansiosa que estes dias passem para que possa ter a minha rotina de volta.

Durante o velório ontem, olhei muito para as mãos dela. São sempre o que mais me impressiona, pela cor de cera baça que ganham. E senti alguma inveja de uma prima, que chorava no ombro do pai. Um pai que tem certas parecenças físicas com o irmão, meu pai, e de cujo amor paternal eu senti alguma inveja. É tudo excessivo, mas em breve estará terminado...

10 comentários:

  1. Parabéns pelos teus 29 anos! :)

    Quanto à mistura de sentimentos contraditórios, percebo perfeitamente. A vida tem fases em que se apresenta como a madrasta dos contos infantis. Vale que passa e seguem-se outras fases bem mais felizes...

    Beijocas e Feliz Natal!

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  2. Olá Briseis
    Há alturas tremendas na nossa vida, em que tudo parece esmagadoramente emocional. E marcam-nos, e deixam esta época marcada para sempre! Calma, tudo acaba por ser ultrapassado! Um Natal o melhor possível...

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  3. Olá Briseis,
    A vida dá voltas estranhas e por vezes baralha-nos os sentimentos. Espero que estejas agora mais serena.
    Que 2016 te traga tudo de bom. :)

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    1. Que 2016 seja bom também para si, Luísa! obrigada!

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  4. B parabéns. Quanto à morte nunca lidei com ela de muito perto. Não sei até que ponto iria conseguir ver alguém conhecido deitado num caixão. Não lido muito bem com alguma realidade e essa imagino que não seja fácil. Há pouco tempo soube que morreram pessoas que eu conhecia, pessoas a quem devia ter dito umas verdades e para o qual nunca arranjei oportunidade. Nunca se deve adiar nada porque podemos nunca conseguir saldar contas que nos abriram grandes feridas. Não deve haver vida depois da morte, essas pessoas já cá teriam voltado para se desculpar. A morte é injusta para muita gente mas para outros é a justiça a funcionar e a oportunidade que os outros têm para viver, finalmente, em segurança.
    Espero que consigas lidar com a morte de alguém querido melhor que eu. Beijinhos

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    1. Mary, a morte, por ser a coisa mais certa que há no mundo, torna-se obrigatória de lidar, num momento ou noutro, mais tarde ou mais cedo. Cada pessoa é diferente e, por isso, cada perda nos bate de maneira diferente também. Esta não me marca pela falta que ela me vai fazer, porque o laço já estava cortado há muito, mas fez pensar nas penas e nos rancores. E foi isso que me causou instabilidade.

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