...cultivam-se. Com carinho e dedicação...
Ai, ter inimigos! Dá mais trabalho do que manter os amigos. Os amigos são gente boa, gente que está lá, apesar da distância ou do desinteresse. A amizade subsiste, durante anos, toda uma vida. E vive sempre que um dos amigos se lembra de uma história ou faz um telefonema só para perguntar "como vão as coisas" e "o que contas"... A inimizade é mais frágil. Ela tem que ser acalentada regularmente, caso contrário, murcha e morre. É logo substituída pelo ligeiro desdém ou a simples indiferença... Não. A inimizade precisa de cuidados constantes para não se desvirtuar nem esquecer motivos, injúrias, insultos despropositados, faltas de consideração ou mesquinhices obtusas. É uma troca constante, incessante e persistente de farpas, estocadas e coices. Silenciosa (entre sujeitos discretos e polidos) ou ruidosa (quando entre pessoas de temperamento mais aceso), a inimizade é, apesar de não parecer, uma relação frágil.
Ter inimigos é uma questão de higiene pessoal, li eu não sei onde... Nunca ouviremos verdades tão sinceras como da boca de um inimigo. Nem nunca nos sentiremos tão livres como quando estamos na sua presença.
Atenção... Desengane-se quem já pensa por esta hora que andei a cultivar inimigos nos últimos dias. Nada disso, nada disso! Não tenho perfil, estofo ou vontade para isso... Mas há aquelas pequenices tão ridículas que nem merecem ser mencionadas que me fazem pensar, às vezes: "se algum dia a Anarquia tomar conta dos nossos destinos ou a Lei Marcial reinar sobre a Terra, tu, malando/a, és bem capaz de me vir infernizar... e, se não vieres, eu própria me encarregarei de te perseguir e aniquilar."





