22/09/2012

É oficial: sou paranóica... daquelas mesmo loucas... tipo doentias...


Lembram-se da história do verme?

A partir daí, tudo fino... Até que hoje, ao chegar ao carro, tenho um pedaço de um talão do Continente (sem data nem informação de como o pagamento foi feito. Só a parte superior, incluindo o descritivo dos artigos) pendurado na porta, escrito na parte de trás, com um vernáculo um tudo-nada lisonjeiro...

Ponho a minha cara de má, olho para todos os lados, os lábios contraídos num trejeito de repugnância e vou à minha vida... Levo o bilhete comigo e o meu dia resume-me a:

  • analisar os dizeres com cuidado: letra de mulher. ("o porco tem uma cúmplice", pensei eu)
  • analisar descritivo dos artigos: uns IceTeas, água... tudo inofensivo... E um pacote de Aptamil1. Dei-me ao trabalho de ir à net ver o que era: leite para bebé até aos 6 meses
  • mando sms a um colega do trabalho que tem um bebé e que conhece a história do verme, caso se tenha lembrado de fazer uma brincadeira... só para excluir a hipótese... Excluída.
  • TELEFONO para o Continente e peço à menina que me atendeu que peça ao responsável financeiro para verificar se, com o nr do talão fornecido por mim, me poderiam dizer de quando era o dito e, melhor ainda, se tinha sido pago com cartão e qual o nome do titular
  • telefono mais tarde para saber a resposta da menina simpática: negativa. Mas, dizia ela, caso a situação se agrave, convém ter o talão para apresentar à GNR
  • volto a analisar o talão minuciosamente e chego à conclusão que pode perfeitamente ter sido encontrado pela pessoa que escreveu e, logo, ser irrelevante
  • vou para o ginásio mais cedo, para libertar o stress
  • dou uma volta maior com o carro, no regresso, para não o deixar estacionado no mesmo sítio mas à beira da estrada, num sítio mais exposto
  • passo o dia a imaginar que onde quer que vá há alguém a observar-me, que enquanto eu estou em casa me estão a espreitar à janela e (curiosamente, ao mesmo tempo) a vandalizar-me o carro
A esta hora, sim, é perto da meia-noite, a marota da mulher do colega a quem perguntei (aquele da hipótese excluída) vem desbroncar-se via facebook...
Feito o relato do meu dia passado a fazer de Horatio Caine alternado com maluquinha com a mania da perseguição, acho que a deixei chocada...
Nos próximos tempos ninguém vai querer brincar comigo.... =(

14/09/2012

Transparente


A transparência é uma qualidade de beleza unilateral. É bonita para quem a vê. E é um problema espinhoso para quem a carrega...

E é uma meretriz, também... porque se bamboleia diante dos que querem olhar, sem dar nunca a garantia de que a sua dança vistosa seja a sua verdadeira essência...

(imagem retirado do filme Atonement)

13/09/2012

Grand Slam

Já foi há 3 dias, mas acho que devo na mesma deixar aqui o registo, afinal, não é todos os anos que temos este resultado... como classificar? ...estou dividida entre "giro" e "desconcertante"...
Pois temos, no início do ano, os 4 melhores do ranking ATP: Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Andy Murray... E, quem diria que cada um deles ia levar para casa um torneio de Grand Slam, na ordem precisa da classificação...??
O "Djoker", levou o Australian Open.
O Rafa, El Toro, como não podia deixar de ser, fez todos comerem pó em Roland Garros.
O Federer teve um muito merecido regresso às vitórias em Grand Slam no torneio de Wimbledon.
E, surpresa das surpresas, Andy Murray quebrou a maldição e ganhou o seu primeiro Grand Slam no US Open.

The Golden Age of Tennis is on, people! =)

09/09/2012

Off to America...


Ontem vocês podem ter tido "mais uma noite de Sábado". Para mim, e sem querer soar muito dramática, foi a noite em que senti que enterrei a minha adolescência... Sim, já estou a meio caminho na casa dos vinte. Mas sim, tenho o síndrome do Peter Pan. E sim, tenho os meus ataques de ansiedade e agorafobias... Por tudo isto, vivi até ontem na ilusão de que a vida não é mais do que um prolongamento da nossa adolescência, aquela idade manhosa em que nos vamos apercebendo que o mundo não é cor-de-rosa, nem gira à nossa volta, mas ainda temos desculpa para fazer de conta que não nos apercebemos do facto...
Mas agora um do melhores amigos que alguma vez tive vai trabalhar para os States, uma amiga que tenho e conheço desde que tenho memória de ser quem sou vai para a Alemanha... juntam-se a tantos outros que, para mais ou menos longe, já foram. E os poucos que ficam só falam em desejos de fuga também.
Houve uma festa... uma festa de despedida, de "até já", onde recuei anos e me vi num ambiente já quase esquecido. Brindámos, sorridentes, mas tenho a certeza que não fui a única a sentir uma nuvenzinha pairar sobre o momento. Como se um capítulo se estivesse a encerrar... É certo que já não era um hábito reunirmo-nos naquele sítio, com todas aquelas pessoas... Mas era uma prática que estava em stand-by, havia a possibilidade, bastava querermos. Agora, não. Agora é um "até já" a tudo isso.
Cravei um cigarro ao meu amigo e vi evolar-se com o seu fumo a minha adolescência... O céu choveu, mas não chorou. Foi uma chuva abençoadora, e os trovões que se ouviam ao longe pareciam ser um desafio, um chamamento.
Depois separámo-nos e o dia de hoje amanheceu cinzentão e lúgubre, a condizer com a minha disposição...

"A Chave para Rebecca", de Ken Follett


Agarrei no livro, lá na biblioteca municipal, porque queria uma leitura absorvente e frenética. E assim foi. Li-o em menos de 48 horas. 396 páginas. Era o que eu queria... Mesmo sendo um bom livro, deu-me o dobro da satisfação o simples facto de ser precisamente o que eu estava à espera e precisava.
Durante a Segunda Guerra Mundial, no Cairo, há uma profunda rede de espionagem em que os ocupantes do Exército Inglês procuram defender a sua posição dominante contra os invasores alemães.
A história é contada a um ritmo duplo em que, ora acompanhamos as artimanhas de um sedutor e galante espião alemão, Alex Wolff, ora assistimos aos passos do major William Vandam, que o tenta capturar. Uma das coisas que mais me encantou no livro foi precisamente o facto de ele estar dividido entre dois protagonistas rivais. Não existe um "bom" e um "mau". Eles são dois heróis que se perseguem e se tentam anular e eu vi-me seriamente indecisa quanto a tomar partido por algum deles.
A história é narrada no habitual tom ligeiro de Follett, com uma linguagem muito directa, como se estivéssemos a ouvi-la de um amigo e, volta e meia, lá vem um episódio um tudo nada mais lascivo, só para apimentar a coisa...
É um livro que entretém, sobretudo. Um livro que não se serve de mistérios do tipo "quem será o espião?, quem será que matou?". Está tudo às claras. O livro e o suspense valem por si próprios, não por nos apimentarem a curiosidade e deixarem na dúvida até à última página. Só um grande contador de histórias é capaz de fazer isso.
...para me deixar triste, só um bocadinho triste, o final, que eu esperava grandioso, com um dos nossos heróis a vencer, inevitavelmente, e o outro a sair derrotado, deixando-nos com uma sensação agridoce...foi, afinal, um final bastante convencional, em que o charme e encanto de um deles se vai deturpando em meia dúzia de cenas reveladoras, destruindo completamente toda a admiração que tínhamos criado... E um livro que foi sempre grandioso, empolgante e magnificamente contado, no sentido de nos fazer ansiar por uma vitória e um final feliz para dois lados antagonistas, torna-se um livro "normal", com um lado "bom" e um lado "mau"... mas não vou dizer qual é que vence... =)
Fora este pequeno pormenor, adorei o livro... espero encontrar mais livros assim, quando preciso deles...

06/09/2012

"A Praia Roubada", de Joanne Harris


Mais uma vez verifiquei a validade da minha tese: prefiro o lado negro da JH ao seu lado fofinho...
A motivação para conseguir acabar de ler este livro foi: assim que o acabar, começo a ler outro!!! Mas confesso que, por várias vezes, e mesmo já perto do final, questionei hipoteticamente: será que eu seria capaz de largar este livro assim, neste momento, e nunca querer saber o fim? ...e a resposta foi sempre afirmativa... É uma daquelas histórias leves, de Verão, que cheira a mar e não nos absorve muito...
Vai-se desenrolando ao sabor da vida de uma ilha muito particular (ou talvez não, talvez todas as ilhas tenham os seus segredos, os seus ódios de estimação, as suas caturrices, as suas superstições...). E as personagens têm os seus comportamentos estranhos, os seus lados incompreensíveis e a personagem principal, que é a narradora (dificilmente gosto de livros com narradores que falam na primeira pessoa), lá vai andando, a gastar a sua angústia e culpa que não chegamos a perceber bem de onde vem, a buscar a sua redenção (de quê?), a tentar compreender os outros e a fazer um esforço por marcar a diferença numa aldeia parada no tempo à espera que o mar a leve... Rouba-se uma praia. Eu tinha uma expectativa muito poética de gente a transportar furtivamente baldes de areia e búzios de um lado para o outro, mas afinal a história é um tudo nada mais crua... Afinal é só uma barreira, um quebra-mar, uma coisa qualquer que se constrói para desviar as correntes...
O final valeu 20 pontos negativos porque este é um daqueles livros em que, no final, revelam-se todos os mistérios, uma verdade escondida que vem dar sentido a todos os sinais a que não prestámos atenção, a todas as frases que não procurámos esmiuçar ou reter, que vem tornar maiores todos os gestos até então cometidos...Como se um final onde é narrada uma história do passado, como seu quê de dramático e triste, onde todas as personagens, todos os nomes são envolvidos, pudesse compensar as mais de 300 páginas anteriores, fazendo finalmente delas sentido. Não me encanta, assim...

05/09/2012

3º aniversário, mil recomeços

O Meu Pedestal faz três anos hoje.
O tema da Fábrica de Letras para este mês é RECOMEÇOS.
Para assinalar o evento e participar no desafio, tive a real ideia de jerico de ir procurar inspiração no caderninho que escrevia, como um diário, nos idos de 2006/2007. De capa de pelúcia, presente das minhas meninas, Papoila, Mel, Sandrinha... será que me lêem?
Foi um período meio conturbado, por causa das crises de ansiedade e depressão de que já aqui tantas vezes falei... Por sorte, a minha mente arrumou muitos episódios tristes num cantinho escuro onde nunca passo mas agora, ao lê-los, choca-me a insignificância que me fiz... A desilusão diária dos que se cruzavam comigo, a incapacidade de me redimir, a falta de vontade de crescer...
É surreal dar-me conta do que fiz de mim mesma; tremo e choro incontrolavelmente, de revolta pelo que foi. Porque eu não podia ser melhor, não sabia como. Não sabia fazer-me entender. Desesperava toda a gente...
Olhando agora para as páginas escritas, sempre gelada de medo do escuro, sempre a tremer, sempre com dores, sempre com falta de ar, sempre com a desoladora sensação de solidão, dou-me conta de que muito ficou por dizer. Demasiado. Pus demasiado num montinho de folhas desinteressadas, escritas em soluços abafados, quando deveria ter partilhado mais.
Dou-me conta, também, de que tive incontáveis recomeços, tantos quantas as vezes que caí, que chorei, que senti euforia, que ressuscitei, que vomitei bílis... de todas as vezes, eu  dizia a mim mesma que era o primeiro passo numa coisa nova e melhor. Sempre à espera de melhor... Ainda hoje espero.

Para a Fábrica de Letras, com o tema "Recomeços"